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Mais 1,3 milhão de pessoas voltam a trabalhar na terceira semana de junho

Os dados são da PNAD COVID19 semanal

11/07/2020 05h00
Por: Redação

O número de pessoas ocupadas que estavam temporariamente afastadas do

trabalho presencial devido ao distanciamento social continuou caindo na

terceira semana de junho, passando de 12,4 milhões para 11,1 milhões,

na comparação com a semana anterior, o que representam 13,3% da

população ocupada. Com a população desocupada estável, isso

significa que cerca de 1,3 milhão de pessoas retornaram ao trabalho

devido à flexibilização adotada em algumas cidades do país.

 

Os dados são da PNAD COVID19 semanal, divulgada hoje (10) pelo IBGE.

 

"No acompanhamento semanal da pesquisa, verificamos estabilidade na

população ocupada (84 milhões) e desocupada (11,8 milhões), mas uma

queda no grupo de pessoas ocupadas que não estava trabalhando na semana

de referência devido à pandemia. Esse movimento se repete na terceira

semana de junho em relação à segunda semana, indicando uma

continuação do retorno dessas pessoas às suas atividades de

trabalho", afirma a coordenadora da pesquisa, Maria Lúcia Vieira,

lembrando que na primeira semana de maio, quando a pesquisa começou,

16,6 milhões estavam afastadas temporariamente do trabalho.

 

Maria Lúcia observa também que diminuiu o grupo de pessoas fora da

força de trabalho que gostariam de trabalhar, mas que não procuraram

ocupação por causa da pandemia ou por falta de vagas no local onde

vivem, de 18,2 milhões na segunda semana de junho para 17,3 milhões na

terceira semana. Ou seja, com a flexibilização do distanciamento

social, para 827 mil pessoas, a pandemia deixou de ser um empecilho à

busca de trabalho.

 

"Caiu a população fora da força de trabalho que gostaria de trabalhar

(362 mil), mas aquela que tinha o distanciamento social como principal

motivo para não procurar trabalho caiu ainda mais (827 mil)", comentou

a coordenadora da pesquisa. O total de pessoas fora da força, que não

trabalham nem procuraram trabalho, também recuou de 76,2 milhões para

74,5 na primeira semana de maio, quando a pesquisa começou.

 

Na terceira semana de junho, o IBGE estima que 170,2 milhões pessoas

estavam em idade para trabalhar, mas somente 84 milhões estavam

ocupadas. Esse número permaneceu estatisticamente estável desde a

primeira semana de maio, e mostra que menos da metade (49,3%) das

pessoas estavam trabalhando na terceira semana de junho.

 

Entre os ocupados, 8,7 milhões trabalharam de forma remota, o que

representa 12,5% de trabalhadores não afastados do trabalho em virtude

da pandemia. Esse grupo segue estável desde a primeira semana de maio

(8,5 milhões).

 

Já a taxa de trabalhadores na informalidade recuou para 33,9% na

terceira semana de junho, atingindo 28,4 milhões de pessoas. No início

de maio, eram 29,9 milhões.

 

Entre os informais estão os empregados do setor privado sem carteira;

trabalhadores domésticos sem carteira; empregadores que não contribuem

para o INSS; trabalhadores por conta própria que não contribuem para o

INSS; e trabalhadores não remunerados em ajuda a morador do domicílio

ou parente.

 

Cresce procura por atendimento médico na rede privada

 

A PNAD COVID19 mostra, ainda, que na terceira semana de maio houve

aumentou no número de pessoas que procuraram atendimento médico na

rede privada de saúde. Das 3,1 milhões que tiveram algum sintoma de

síndrome gripal e buscaram atendimento no país, 440 mil pessoas

(14,3%) estiveram em ambulatório ou consultório privado ou ligado às

forças armadas no período. Na semana anterior, eram 271 mil pessoas.

 

"Embora os estabelecimentos de saúde ligados ao SUS (Sistema Único de

Saúde) ainda sejam os mais procurados pelas pessoas com algum sintoma

(85%), observamos aumento no percentual dos que procuraram por

atendimento privado. Isso pode sugerir que com a flexibilização houve

uma mudança no perfil das pessoas que apresentam sintomas,

especialmente em relação às condições econômicas", comentou Maria

Lúcia.

 

Entre as demais pessoas que apresentaram algum sintoma, 43,8% disserem

ter buscado tratamento em postos de saúde públicos, 22% em

prontos-socorros e outros 22,6% em hospitais do SUS. Já na rede

privada, 2,7% foram para prontos-socorros privados e 9,6% em hospitais

privados. Ao todo, 976 mil que buscaram atendimento em hospital,

público, particular ou ligado às forças armadas, sendo que 110 mil

ficaram internados.

 

Na terceira semana de junho, 15,3 milhões de pessoas se queixaram de

algum dos sintomas de gripe investigados pela pesquisa (febre, tosse,

dor de garganta, dificuldade para respirar, dor de cabeça, dor no

peito, náusea, nariz entupido ou escorrendo, fadiga, dor nos olhos,

perda de olfato ou paladar e dor muscular). Na primeira semana de maio,

26,8 milhões estavam sintomáticas.

 

Os sintomas ficaram estatisticamente estáveis na terceira semana de

junho, frente a anterior. A maioria dos entrevistados relatou dor de

cabeça (7,2 milhões). A segunda queixa mais recorrente foi nariz

entupido ou escorrendo (5,7 milhões), seguida tosse (4,6 milhões), dor

muscular (4,3 milhões), dor de garganta (3,5 milhões), fadiga (2,4

milhões), perda de cheiro ou de sabor (2,2 milhões) e dificuldade de

respirar (2 milhões).

 

Entre as pessoas que tiveram algum sintoma, 82,2% não procuraram nenhum

atendimento ou estabelecimento de saúde na terceira semana de junho.

Já 57,0% tomaram remédio por conta própria. Outros 14,4% tomaram

medicamento com orientação médica. Além disso, 5,2% ligaram para

algum profissional de saúde e 2,9% receberam visita de algum

profissional de saúde do SUS.

 

A PNAD COVID 19 é uma versão da Pesquisa Nacional por Amostra de

Domicílios (PNAD Contínua), realizada com apoio do Ministério da

Saúde, para identificar os impactos da pandemia no mercado de trabalho

e para quantificar as pessoas com sintomas associados à síndrome

gripal. O IBGE faz divulgações semanais e uma mensal da pesquisa. A

pesquisa se enquadra como um dos produtos das Estatísticas

Experimentais do IBGE

 

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