Estado de Minas

Jovem cafeicultora de Minas Gerais é finalista em concurso internacional de inovação

Com 22 anos, agricultora se destacou pela produção de cafés especiais em município da Zona da Mata

17/07/2020 05h00
Por: Redação

 A jovem Bruna Carolina da Silva, 22 anos,

da Comunidade do Baú, em Fervedouro, Zona da Mata mineira, se

classificou em segundo lugar no _Premio a La Innovación Juvenil Rural

de América Latina y el Caribe_ (Prêmio Juventude Rural Inovadora na

América Latina e no Caribe), anunciado no último dia 10. Bruna

disputou a final do concurso, na categoria Geração de Renda, pela

experiência inovadora e empreendedora com a produção de cafés

especiais, batizado de “Café Especial da Bruna”. Um café é

considerado especial quando tem um processo de produção diferenciado e

atinge pontuação entre 80 e 100 pontos, na tabela de classificação

sensorial da Specialty Coffee Association (SCA).

 

O “Café Especial da Bruna” fez, na prática, jus ao nome. A

produção, que teve início no ano passado, foi toda artesanal e contou

somente com a mão de obra familiar, composta pela Bruna, a mãe Sônia

da Silva, o pai Célio José da Silva e a irmã mais nova, Maria

Betânia. Em 2019, o produto obteve a nota de 82,25 pontos, conquistando

o vice-campeonato do Concurso Municipal de Qualidade de Café, em

Fervedouro.

 

Além disso, toda a produção do “Café Especial da Bruna” seguiu

um modo cuidadoso para agregar valor e qualidade ao produto, como

explicou a jovem rural de Fervedouro. “O nosso processo foi desde a

colheita seletiva dos grãos maduros, evitando ao máximo os grãos

verdes, com peneira 16, deixando somente grão uniforme e sem defeitos.

Depois, os grãos foram lavados e esparramados em um terreiro suspenso

para secar. Após a secagem, ainda catamos manualmente os cafés verdes

que restaram”. Ao final, ainda segundo Bruna Carolina, o café foi

torrado, moído e embalado em sacolas com válvula para manter a

qualidade e sabor até chegar ao consumidor final.

 

Das cinco sacas colhidas de 60 quilos cada, a cafeicultura já vendeu

quase tudo para compradores de Fervedouro, São José dos Campos e da

cidade vizinha Miradouro, restando somente uma saca e meia da safra

passada. O preço da saca do café especial foi de R$ 1 mil, mais que o

dobro do pago pela saca do café convencional, também produzido na

propriedade familiar, e que costuma alcançar em torno de R$ 400,00. A

comercialização está sendo feita via redes sociais, como Instagram e

Facebook, além do Whatsapp.

 

O _Premio a la Innovacíon Juvenil Rural de América Latina y el Caribe

_é uma iniciativa do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola

(FIDA), da Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo é

identificar, recompensar e disseminar iniciativas inovadoras e

sustentáveis realizadas por jovens com idade entre 18 e 35 anos, de

países da América Latina e do Caribe.

 

_Expectativa_

 

Com o bom resultado no concurso, Bruna está animada e faz planos para o

futuro. A expectativa agora é que o desempenho na competição

internacional agregue mais valor ao produto e potencialize a

comercialização.  “O resultado vai nos ajudar a divulgar mais o

café nas redes sociais e alcançar outros lugares. Até o final do ano,

queremos colher mais cinco sacas e vender nossa produção para

cafeterias. Já estamos buscando parcerias. A minha intenção é

continuar na roça, gerando mais renda. Dinheiro não é tudo, mas temos

de ganhar pra ficar na roça. Temos de sonhar”, argumentou.

 

O êxito da jovem rural foi comemorado pela Emater-MG, que presta

assistência técnica à jovem e sua família. A empresa, vinculada à

Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa),

foi também a responsável por incentivar a cafeicultora, da região

produtora de cafés denominada Matas de Minas, a se inscrever para

participar da competição virtual.

 

“Foi tudo on-line. Preenchemos um questionário dos promotores do

evento, com as informações da produção, mão de obra e retorno

financeiro do empreendimento. A iniciativa dela foi o investimento na

produção de cafés especiais”, explicou o extensionista

agropecuário, Adenilson Mendes Chaves, do escritório local da

Emater-MG, em Fervedouro.

 

Segundo Mendes, ele fez a inscrição da jovem no prêmio latino por

acreditar que seria uma forma de incentivar ainda mais a jovem e tornar

o seu produto mais conhecido. “O meu interesse pela participação

dela no prêmio foi buscar uma maneira de premiar a força de vontade da

jovem.  Motivá-la a buscar conhecimento, acreditar na atividade e

promover uma mudança no processo produtivo do café cultivado na

propriedade”, argumentou. “Se ele não tivesse falado, nem teria

feito”, admitiu Bruna Carolina.

 

_Assistência técnica _

 

A propriedade da família Silva tem 17 hectares, sendo quatro hectares

destinados à lavoura de café.  O restante da terra é dividido em

pastagem, forrageiras e área de reserva legal. Além da cafeicultura, a

família também se dedica à produção de leite, sendo atendida pela

Emater-MG há muito tempo, seja no acesso ao crédito rural ou

assistência à lavoura de café, por meio de orientações para

análise de solo, adubação e construção dos terreiros suspensos de

secagem do café.  Também atua na participação em torneios leiteiros

e agora na produção de cafés especiais.

 

Em 2019, ano que marcou a entrada da jovem cafeicultora de Fervedouro no

mundo dos café especiais, a empresa pública mineira de extensão rural

atendeu 624 agricultores no município, sendo 595 deles só na

cafeicultura.  A produção de café representa 80% da produção

agrícola de Fervedouro, sendo grande geradora de ocupação e renda

para o município, segundo dados do escritório local.

 

_Especiais em Minas_

 

Os cafés especiais ou gourmets são da espécie arábica, a mesma

cultivada pela jovem rural de Fervedouro. É também a mais cultivada do

Brasil e uma das mais plantadas no mundo. Um café especial de alta

qualidade utiliza-se sempre 100% da espécie arábica, pois essa tem

características específicas de aroma, corpo, acidez e doçura. O

número de variedades é grande, com particularidades que se diferem

umas das outras. Todas elas têm potencial para produzir uma excelente

bebida, sendo, naturalmente cultivadas as que apresentam maior

rendimento econômico.

 

Minas Gerais é o maior produtor de café arábica do Brasil,

respondendo por mais de 70% da produção total do país, segundo o

coordenador técnico estadual de Cafeicultura, da Emater-MG, Bernardino

Cangussú.  De acordo o técnico, a produção de cafés especiais está

presente em todo o estado. “Todas as regiões de Minas Gerais produzem

cafés excepcionais e esses cafés se distinguem pela diversidade de

sabores e aromas, devido, principalmente, às variações de clima,

altitude e sistemas de produção”, afirmou.

 

_Exportação_

 

Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) apontam

que, nos primeiros cinco meses deste ano, o Brasil exportou 2,7 milhões

de sacas de cafés diferenciados (aqueles que têm qualidade superior ou

algum tipo de certificado de práticas sustentáveis) que representaram

16,1% do total embarcado no período. A receita foi de US$ 455,4

milhões, correspondendo a 20,7% do total gerado com os valores da

exportação total de café no período. Já o preço médio da saca de

cafés diferenciados ficou em US$ 171,04.

 

Os dez maiores países importadores da modalidade representaram 78,7%

dos embarques no período de janeiro a maio deste ano. Os Estados Unidos

seguem sendo o país que mais recebe cafés diferenciados do Brasil, com

498,5 mil sacas exportadas (equivalente a 18,7% de participação nas

exportações da modalidade), seguido pela Alemanha, com 359,9 mil sacas

(13,5%) e Bélgica, com 324,6 mil sacas (12,2%).

 

Na sequência estão: Japão, com 261,8 mil (9,8%); Itália, com 201,8

mil (7,6%); Reino Unido, com 111,6 mil (4,2%); Espanha, com 109,2 mil

sacas (4,1%); Suécia, com 80,6 mil sacas (3,0%); Canadá, com 76 mil

sacas (2,9%); e Coreia do Sul, com 70,9 mil sacas (2,7%).

 

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