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Guido Bilharinho

Guido Bilharinho

Guido BilharinhoAdvogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, História do Brasil e regional.

30/07/2020 05h00
Por: Redação

PATRIMÔNIO CULTURAL: O ESCLUSIVISMO PRESERVACIONISTA

 

O intuito preservacionista do patrimônio cultural e da memória é não só salutar e elogiável como necessário.

Ao se recuperar, manter, divulgar e expor fatos, objetos e imóveis antigos, está-se, nada mais nada menos, do que valorizando o presente, que, por sua vez e na sua vez, também será passado e, portanto, história.

Não se pode, no entanto, nessa questão, ser exclusivista, que é o caso e a vez daqueles que só se preocupam e se ocupam com a preservação de imóveis (dos outros), na maioria das vezes sem nenhuma relevância.

Por, no mínimo, coerência, os preservacionistas deveriam (e deverão) também se dedicar e defender a recuperação, guarda e conservação de livros, filmes, fotos, vídeos, partituras musicais, quadros, esculturas e o mais que tiver valor cultural.

Contudo, não o fazem, não se interessando e nem se empenhando, por mínimo que seja, pela preservação da produção literária, histórica, cinematográfica, fotográfica, musical, escultórica e pictural, que unitária e em conjunto realmente representam e constituem o patrimônio cultural da humanidade.

Em boa parte, essa produção está perdida e vem sendo, presente e diariamente, destruída pelo descaso da sociedade, desinteresse e até desprezo dos preservacionistas imobiliários.

Até mesmo certos órgãos públicos que se ocupam da preservação do que se denomina, latu senso, patrimônio cultural, não movem uma palha para preservar a mencionada (e exemplificada) produção realmente cultural.

Ao contrário, pois, do que fazem - juntamente com os preservacionistas individuais e espontâneos - em relação a imóveis (sempre dos outros, impondo-lhes restrições) que atrapalham, na maioria dos casos, o desenvolvimento e modernização urbanística das cidades.

Além do mais, sem que esses órgãos e pessoas preservacionistas assumam a responsabilidade e os ônus materiais e emocionais pela sua atuação e pela conservação e manutenção dos imóveis tombados e inventariados e que sofram, como os proprietários, os prejuízos pela sua enorme desvalorização e marginalização do mercado imobiliário.

“Pimenta nos olhos dos outros é refresco”.

Guido Bilharinho - Advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, fotografia, estudos brasileiros, História do Brasil e regional editados em papel e, desde setembro/2017, um livro por mês no blog https://guidobilharinho.blogspot.com.br/

 

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