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Uniube conquista patente de dispositivo que descaracteriza agulha de anestesia

A certificação, recebida após 11 anos, reforça o papel da Universidade na geração de inovações tecnológicas

02/08/2020 05h00
Por: Redação
O revestimento, em forma de jacaré, tem o objetivo de descaracterizar o formato da agulha em anestesia
O revestimento, em forma de jacaré, tem o objetivo de descaracterizar o formato da agulha em anestesia

A Uniube, por meio do curso de Odontologia (graduação e pós-graduação) e do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), recebeu a concessão da patente do "jacarezinho", um revestimento em polímero, feito para crianças, com o objetivo de descaracterizar a forma de injeção da seringa anestésica e impedir a visualização da agulha. A certificação, recebida após 11 anos, reforça o papel da Universidade na geração de inovações tecnológicas.

A ideia do projeto surgiu entre uma conversa da coordenadora do curso de especialização em Odontopediatria da Uniube, Maria Angélica Hueb, com o irmão, também cirurgião-dentista e professor na Universidade, Fernando Hueb. "Eu sempre comentava sobre a dificuldade de esconder a agulha da criança na hora da anestesia, pois o fato de a criança visualizar a agulha a remete a medos e anseios experimentados anteriormente ou impostos pelos pais ou outros profissionais. Assim, idealizamos juntos um revestimento para seringa anestésica em forma de jacaré, criamos um desenho, e ali vislumbramos a solução para o maior problema da Odontopediatria: um dispositivo inovador, que esconderia o objeto de pavor das crianças, a agulha", conta a coordenadora.

Para o cirurgião-dentista Fernando, o projeto foi um estalo de criatividade. "Muitas invenções parecem simples e proporcionam aquela sensação: como não pensaram nisso antes? Sempre observei a dificuldade das odontopediatras em esconder a agulha das crianças. Usavam algodão na ponta da seringa, e, muitas vezes, o algodão se desprendia e assustava os pequenos. Daí veio o questionamento: será que não podemos criar algo mais seguro e eficiente? Aí está, transformamos um momento de pânico em uma ação lúdica e divertida", diz Hueb.

O desenho do projeto foi levado ao então consultor técnico da Uniube, Carlos Bonfim, e, após estudos, foi desenvolvido o primeiro protótipo do "jacarezinho". "Obtivemos o apoio da Uniube para darmos continuidade no projeto, e, por meio do NIT, foi celebrado o contrato de parceria em pesquisa e desenvolvimento do projeto com a Universidade, confecção do protótipo, depósitos de pedidos nacional e internacional de carta-patente e a transferência da tecnologia para a empresa Angelus Indústria de Produtos Odontológicos, vencedora nacional do Prêmio Finep de Inovação, que desenvolve, desde 1994, um intenso trabalho em pesquisa e desenvolvimento de produtos revolucionários para a Odontologia", continua Maria Angélica.

Nos estudos feitos com a aplicação do "jacarezinho", os profissionais de Odontologia observaram a frequência cardíaca e o cortisol da criança anestesiada com e sem o dispositivo. "A alta ansiedade provoca um comportamento negativo na criança, eleva a FC e os níveis de cortisol; os níveis de cortisol salivar foram reduzidos com a utilização do jacarezinho; a frequência cardíaca (FC) diminuiu quando foi empregado o jacarezinho, corroborando a redução do stress na criança. É claro que a anestesia sem dor depende da destreza e da técnica do profissional. Percebemos que o jacarezinho é um artefato lúdico, que vai ajudar o profissional a descaracterizar a forma de anestesia da seringa. Esse trabalho foi premiado no Seminário de Iniciação Científica e demonstrou a efetividade do jacarezinho", complementa.

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