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Luiz Hozumi

Luiz Hozumi

Luiz HozumiProdutor cultural, publicitário, especialista em gestão e políticas culturais. [email protected]

09/08/2020 05h00
Por: Redação

Abro a coluna de hoje com o texto de Carlos Guimarães Coelho, amigo e grande profissional, produtor cultural com extensa atuação Uberlândia e uma trajetória marcante sendo um grande transformador de realidades através da arte. Aqui ele faz uma síntese do que a arte é, antes, agora e depois. Fica minha admiração por suas palavras que faço questão de compartilhar para que mais e mais pessoas possam refletir sobre o assunto, infelizmente tão pouco debatido. Ainda minha gratidão por liberar a publicação neste espaço.

Acredito na troca, na soma e na multiplicação de inspirações, profissionalismo, talentos e afetos na eterna busca de sermos melhores, na crença que inevitavelmente só faremos isto juntos. O que é uma pós-pandemia?  Nem temos certeza ainda de nosso estado pandêmico e já queremos saber o que será de nós quando tudo isso passar. Fala-se em reinvenções, em novo normal, uma série de clichês contemporâneos apenas para definir aquilo que é incerto. Como incertos têm sido todos os nossos dias desde aquele fatídico mês de março. Nesse oceano de incertezas, apenas uma coisa é certa: há em nós uma resistência natural, um instinto básico de sobrevivência que nos faz nadar contra a maré e alcançar o nosso destino. E isso nos basta! Dele, emerge a arte.

A mesma arte que, mesmo nos tempos calmos, quase sempre se afoga cotidianamente em tudo aquilo que seja incerto, que seja ambíguo. Movida pela inquietude, isso basta à arte! Da agonia de seu mergulho surgem as melhores obras.  A história universal  dá contas disso.  Nos períodos mais calamitosos em todas as eras, como Phoenix, ela sempre ressurge das cinzas. E retorna vigorosa, com mais potência, poder de alcance e catarse. Entenda-se por arte tudo aquilo que seja estendido em sua essência.  Não falamos de seres oportunistas que discursam a técnica mas não amaciam a matéria prima. Há “artistas” e artistas.  Os verdadeiros sobressaem em seus próprios conteúdos e nos valores morais e éticos que os permeiam. Os demais buscam no campo das vaidades o caminho da superficialidade para o fingimento de dizer algo que não conseguem dizer. 

Perdem-se em construções maniqueístas e parafernálias de jogos e dissimulações distantes de tudo aquilo que possa se chamar de arte. Não há fórmulas mágicas para selar nossos caminhos. Não há equações que possam devolver as nossas perdas ou, num revisionismo mágico, criar o cenário ideal para a arte ser recompensada. Tudo está por perdido. Tudo está por ser encontrado. E disso, caminhos e descaminhos, experimentações, perder-se e reencontrar-se, os artistas entendem bem. Muitos não se conformam com esse cenário de guerra. Muitos se tornam especialistas em tudo. Buscam explicações para o inexplicável. E alguns insensíveis querem colocar ordem e traduzir o sentimento dos que vivem esse momento em meio a dores e em meio ao caos.

A arte traz clareza aos que estão imersos neste estado caótico. E eventualmente desperta também aqueles que não têm muita sensibilidade para compreendê-la. Nenhum de nós sabe o que está por vir. E as previsões não são as melhores. Por mais que o inconsciente coletivo queira amenizar o futuro em uma perspectiva de revisão histórica, seria milagre ver boa parte das pessoas se transformando em decorrência de um vírus. O que acontece durante a pandemia já sinaliza a indisposição humana em tornar-se melhor, ainda que alguns desejem e estejam buscando evoluir a partir dessa experiência trágica.

Neste contexto, para os que se enquadrem nesse segundo grupo, a arte é reveladora. Ela se impõe como o melhor antídoto para a pandemia. Não somente por ter sido alento nestes tempos tão duros e de, a partir de sua presença, ter levantado reflexões importantes sobre nós mesmos e o planeta que construímos, é ela, principalmente ela, que também nos levará ao lugar que queremos estar, seja ele diferente ou não daquele que pretendíamos antes de tudo isso acontecer. Ela tem o poder da desconstrução.  Isso basta para que a gente se reconstrua.

 

Centenário de Hélvio Fantato

O Arquivo Público de Uberaba compartilha até hoje, 9 de agosto, data em que se celebra os cem anos de nascimento de Hélvio Fantanto, uma série de imagens de suas obras (desenho, pintura e escultura) nas redes sociais e no site https://arquivopublicouberaba.blogspot.com/. As imagens foram enviadas por colecionadores e entidades públicas. O Arquivo aproveita a data para solicitar às pessoas que guardam os trabalhos de Fantato, que enviem imagens para a formação de um acervo de sua grande produção artística. Hélvio Fantanto foi pintor e escultor, ingressou aos 15 anos no comércio dedicando-se a pintura nas horas vagas. A partir de 1972 Fantato quis dar forma ao abstrato esculpindo. Várias esculturas foram instaladas pela Prefeitura Municipal de Uberaba em diversos pontos da cidade, infelizmente muitas foram levadas pelo tempo e pelas enchentes. Destaca-se ainda o painel do Edifício Portinari, na rua Manoel Borges e a obra na Apae de Uberaba que representa o símbolo da entidade, uma mão protegendo uma flor. Hélvio Fantato faleceu em Uberaba no dia 11 de Fevereiro de 1997 aos 76 anos.

 

Podcast uberabense de cultura pop/nerd aborda saúde mental na pandemia

O JubileuCast, podcast uberabense que aborda assuntos da cultura pop/nerd, lançou na última segunda-feira (03) um episódio especial sobre cuidados em saúde mental durante a pandemia. O podcast foi criado em setembro de 2019 por um grupo de amigos a partir de uma ideia de gravar as conversas on-line sobre diversos assuntos e deixar registradas em alguma plataforma. Com foco geral em assuntos leves, o episódio mais recente do canal abordou cuidados em saúde mental durante a pandemia.  O episódio contou com a participação do psicólogo e integrante do Comitê de Enfrentamento da Covid-19 em Uberaba-MG, Sérgio Marçal. O JubileuCast é lançado quinzenalmente, sempre às segundas. O nome é uma referência ao personagem Jubileu do desenho Pica-pau. O podcast está lotado no site Bico do Corvo, pelo link http://bicodocorvo.tk,     em que o público pode fazer o download de cada episódio, bem como acessar as referências utilizadas em cada transmissão, ler notícias sobre a cultura pop e deixar sugestões para os próximos episódios. O Jubileucast está disponível no Spotify, Itunes, Google Podcasts e outros agregadores de podcasts.

 

 

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