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Artigo

Carlinhos Sete

Escritor e radialista

Reflexões

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15/08/2020 05h00
Por: Redação

...e eles venderam sua alma ao Diabo

Muitos dizem que o Diabo não dá um ponto sequer sem nó, dá corda ao próprio enforcado – e não digo isso para terem dó, mas pra ilustrar o prazer que ele tem – tão somente para contemplar a angústia alheia daqueles que fazem besteiras. Desespero, amargura, devaneio.

Eis aqui então dois casos: Um calote tão protelado em momentos dispendiosos. O inquisidor, revoltado, carrasco tão ansioso, cansou de ter esperado de forma tão permissiva e estava agora, enfim, resguardado. Dívida, devida, passiva.

O segundo, outro cenário: A vaidade que se perdeu nos anos pareceu ainda deixar vestígios. Se antes ele ostentava pompas, hoje já não sentia o prestígio. Ainda assim, se perdeu nas conquistas daquelas por quem sente apego, mesmo tendo as dores previstas. Visitas, às vistas. Desejos.

Dois patifes enganadores. Um foi pego de surpresa, o caloteiro, o outro se complicou, o enrolador. O primeiro por conta de dinheiro, o segundo por causa do amor. Os dois, nada inocentes, capazes de iludir até a si mesmos. Ganhadores, perdedores, serpentes.

O velhaco estava acuado, precisava quitar o devido. Chamou a todos os santos, mas achou que eles não deram ouvidos, então ao Capeta apelou. Nem cogitou contar sua história, só que o preço ele também não ouviu. Correu, se vendeu. Promissória. O loroteiro não se controlou, quis uma coisa, mas fez outra. Tentou desistir, mas, de novo, logrou tanto de lá, quanto de cá. Sem perceber, negociou com o maior dos agiotas que, como se fosse apenas juros, somente auferiu. Mentiu, fingiu. Duplicata.

O devedor se sentiu desolado, um profundo desalento ao perceber que estava derrotado. Reconheceu o arrependimento de ter muito protelado, e, ao ver tudo resolvido, quis não ter assim errado. Prostrado, vexado. Perdido. O conquistador, agora sem obsessão, não queria estar em nenhum lugar porque se sentia sem chão. Sentiu-se sufocado, sem ar, não tinha mais aquele cuidado. Desejou não ter partido, ensejou não ter ficado. Parado, frustrado. Caído.

O diabo, ao ver tudo isso, quase chegou a sentir pena, mas fez sua parte, o compromisso de encaminhar suas almas à arena dos dominados, ao fosso dos subjugados, em troca do que foi pedido. Assim ele reina sobre os desesperados. Fracos, doentes. Cativos.

 

Carlinhos Sete - Escritor e radialista. Seu novo livro “Qual a sua relação com o dinheiro?” está disponível nas melhores livrarias. Veja mais em @carlinhos_sete no Instagram e no site www.carlinhos7.com.br.

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