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Pesquisa

Arqueólogos da UFMG que descobriram tumba no Egito temem que pesquisa seja paralisada por falta de verbas

A Fapemig suspendeu parte dos recursos em fevereiro por causa da crise financeira do estado

25/08/2019 06h00
Por: Redação

“Nós não sabemos mais o que fazer”, disse o professor José Roberto Pellini, do Departamento de Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sobre a possibilidade de paralisação de pesquisa que descobriu uma tumba inexplorada no Egito.

O projeto havia conseguido uma bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) para três anos de estudos. Porém, segundo o professor, o dinheiro não apareceu.

“Dois dos nossos alunos tinham bolsa da Fapemig também, mas estão trabalhando sem ela. Sem o dinheiro, não há como bancar passagens, hospedagem e alimentação. Pode mesmo inviabilizar a pesquisa”, disse o Pellini. Além disso, segundo ele, uma série de reconstruções em 3D, projetos de realidade aumentada e novas tecnologias ligadas ao projeto podem não acontecer.

A Fapemig suspendeu parte dos recursos em fevereiro por causa da crise financeira do estado. Só a UFMG perdeu R$ 2,5 milhões destinados a bolsas de iniciação científica e cerca de R$ 13 milhões para projetos liderados por professores.

Outra questão envolve o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O projeto foi considerado não prioritário pela entidade.

“Acreditamos que seja por falta de verba. A pesquisa estava estimada em R$ 119 mil e eles recomendaram que o valor fosse reduzido para R$ 60 mil. Mas este dinheiro não vai mais sair, né”, contou o pesquisador.

O CNPq anunciou, no dia 15 de agosto, que suspendeu a assinatura de novos contratos de bolsas de estudo e pesquisa. O Ministério da Ciência e Tecnologia também admitiu que há risco de que as bolsas fiquem sem pagamento no mês que vem.

A tumba encontrada pela expedição, que reúne seis professores e dois alunos da UFMG fica na cidade de Luxor, no Egito. O espaço foi encontrado abaixo da Tebana 123, mausoléu que já estava sendo estudado pelo grupo.

“Foi uma surpresa. Essa nova tumba foi construída 600 anos depois da que a gente estava explorando. A gente desconfia que ela pertença ao chamado Terceiro Período Intermediário, ainda época dos faraós, mas um período mais simples”, disse o professor Pellini na época da descoberta.

Sete indivíduos mumificados foram encontrados no local em cestos de vime. Os arqueólogos acreditam que todos sejam da mesma família.

Em nota, a Fapemig informou que “o estado de Minas Gerais vem enfrentando severa crise fiscal, com decretação de calamidade financeira. Esta realidade tem afetado diretamente a capacidade da FAPEMIG de honrar com os compromissos assumidos junto a seus parceiros e beneficiários”.

 

CNPq

Sem resposta do governo federal sobre a garantia de abertura de crédito suplementar para cobrir o déficit do orçamento de 2019, o CNPq anunciou no dia 15 de agosto que suspendeu a assinatura de novos contratos de bolsas de estudo e pesquisa.

A recomposição, segundo informou o órgão ao G1, se refere ao crédito suplementar de R$ 330 milhões. Quem abre o crédito é o Ministério da Economia, mas, de acordo com o conselho, até a tarde desta quinta, a pasta não havia dado garantias de que liberaria o reforço orçamentário.

O Ministério da Economia afirmou que o pedido de crédito suplementar para o CNPq, feito em 1º de março e referendado em votação no Congresso Nacional em 11 de junho, ainda “permanece em análise na JEO [a Junta de Execução Orçamentária], sem prazo para decidir sobre o pleito.”

Esse recurso é necessário para cobrir o déficit previsto pelo CNPq desde o ano passado, quando a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2019 foi aprovada, para as bolsas.

No dia 16 de agosto, o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes afirmou que há risco de que as bolsas do CNPq fiquem sem pagamento em setembro. Segundo ele, a liberação de recursos está na “mão da Economia e também da Casa Civil”.

 

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