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Governança é a maior aliada para sucessão nas empresas, diz Gastão Mesquita Filho

Para sócio-fundador do Bueno, Mesquita e Advogados, apoio de uma consultoria também pode ser determinante para alinhar as particularidades do negócio, do patrimônio e das pessoas envolvidas

11/09/2020 04h00
Por: Redação

São Paulo, 10 de setembro  - Os desafios da sucessão familiar formam
alguns dos aspectos relevantes para a sustentabilidade e perenidade das
empresas do agronegócio ou de qualquer segmento da economia. As
dificuldades estão relacionadas, em sua maioria, a conflitos familiares
ou a profissionalização da gestão sem a participação de eventuais
sucessores. Durante o webinar JornalCana NEXT, realizado na última
quarta-feira (02/09), o advogado Gastão Mesquita Filho se reuniu com
jovens executivos do setor sucroenergético para debater os caminhos que
envolvem a preparação do controle para as próximas gerações. A
tarefa, destaca Mesquita Filho, requer paciência, estudo e critérios
bem definidos, já que as decisões do futuro sucessor podem determinar
o sucesso ou o fracasso dos negócios da família.

Sócio-fundador do Bueno, Mesquita e Advogados, um dos principais
escritórios especializados em agronegócio de São Paulo, Gastão
Mesquita Filho salientou que o processo tende a ser mais bem-sucedido
quando  a família empresária recorre ao auxílio de uma consultoria
especializada em orientar projetos de sucessão. O apoio profissional,
lembrou o advogado, pode ser determinante para alinhar as
particularidades do negócio, do patrimônio e das pessoas envolvidas.

Membro do Conselho de Administração de importantes empresas do setor
sucroenergético, Mesquita Filho falou com preocupação sobre o
surgimento de uma indústria de governança e sucessão no ambiente
corporativo, uma espécie de fórmula enlatada utilizada pelas
corporações para tratar o assunto. "Não existem duas histórias de
sucessão iguais", enfatizou o advogado. "Por mais parecidos que sejam
os processos, cada um tem suas particularidades e não devem ser
tratados da mesma maneira".

Governança

Para Gastão Mesquita Filho, a governança corporativa é uma importante
aliada para qualquer empresa no momento da sucessão. Segundo o
advogado, é fundamental que as corporações assumam regras e
procedimentos bem definidos, disciplinando decisões que vão desde a
contratação de um membro da família para a gestão dos negócios até
a definição de quem possui o perfil mais adequado para assumir uma
posição no Conselho. Quando estabelecida, a governança ajuda a dar
segurança para os acionistas e os stakeholders, sem deixar de lado a
transparência e o controle da empresa. "Um ambiente sem regras
societárias  é um ambiente fértil para instabilidades e
desentendimentos nocivos para o desempenho dos negócios", esclareceu
Mesquita Filho.

Por esse motivo, o acordo de acionistas é um documento extremamente
relevante no processo de governança, por conter regras de como o
processo sucessório funcionará. O documento também alinha as
expectativas de todos, diminuindo conflitos, já que as brigas podem ser
comuns e acontecer com frequência quando as pessoas têm expectativas
diferentes. "O importante é manter os valores da família muito fortes,
já que a só empresa existe por conta desses valores", explicou
Mesquita Filho.

Para o sócio-fundador do Bueno, Mesquita e Advogados, ter os fundadores
presentes no dia a dia da empresa pode representar uma enorme vantagem
ou desvantagem no processo. A participação de alguém muito ligado à
operação e conhecedor dos mínimos detalhes da companhia tende a
facilitar a gestão, já que as decisões são tomadas com mais
agilidade. Por outro lado, alerta o advogado, quando um herdeiro entra
nesse ambiente em que o fundador é visto como a imagem forte e a grande
referência dentro da empresa,  deve se policiar para não se limitar em
replicar o que o fundador faz. "O sucessor deve mostrar seus pontos
positivos e seu jeito de gerir a companhia, alinhando suas expectativas
às dos funcionários", disse Mesquita Filho.

Durante o webinar, o advogado também falou sobre a preparação de um
membro da família para gerenciar o negócio. O processo, destacou o
especialista, envolve acumular experiência de trabalho em outras
empresas, permitindo que o mercado avalie o dirigente como um bom
profissional. Depois dessa etapa, as famílias passam a definir quando
os herdeiros poderão assumir um posto de executivo, uma vaga no
Conselho de Administração ou em uma holding familiar, já que com a
bagagem externa garante deixarão de ser encarados apenas como filhos do
dono.  Sobre o papel do Conselho de Administração, Mesquita Filho
falou da importância dos conselheiros externos e daqueles mais
experientes. Segundo o advogado, esses membros podem contribuir com um
olhar diferenciado para auxiliar os demais executivos na tomada de
decisões. "A governança tem instrumentos fantásticos que permitem
perpetuar a empresa e gerar valor", finalizou.

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