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Saúde

Doença mental não é "coisa de doido"

Setembro Amarelo completa 5 anos, quebra tabus e provoca mudanças no enfrentamento de problemas emocionais. Psicóloga fala sobre como o assunto passou a ser mais abordado por pacientes

16/09/2020 15h50
Por: Redação

Criada em 2015 no Brasil, a campanha mundial Setembro Amarelo, completa
cinco anos com saldo positivo. É no que acredita a psicóloga Ana
Lídia Agel, que atende no Centro Clínico do Órion Complex. Ela conta
que houve um aumento da sensibilização e diminuição da resistência
e tabu. "A nossa cultura não era aberta para esse profissional por puro
desconhecimento da sua importância, e por isso negava o combate
acessível às doenças depressivas. Era considerado "coisa de doido",
pontua.

Segundo informações no portal oficial da campanha, encabeçada pelo do
Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina
(CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), 32 pessoas tiram a
própria vida diariamente no Brasil. Dados mais recentes da
Organização Mundial da Saúde, mostraram que 800 mil pessoas cometem
suicídio em todo mundo. No Brasil, foram registrados mais de 13 mil
casos, a grande maioria entre homens, que correspondem a 76% dos casos.

Para Ana Lídia, uma das maiores contribuições da campanha é que o
tema passou a ser tratado com mais abertura dentro do consultório, o
que contribui com o tratamento e prevenção de doenças mentais que
podem levar ao ato de tirar a própria vida. "Nitidamente foi
perceptível a abertura das pessoas, inclusive homens em procurar o
tratamento e se abrirem mais em busca da estabilidade emocional",
confirma.

Mais que palavras, a psicóloga explica que é preciso ficar atento à
linguagem não verbal, para perceber atitudes que indicam o início da
depressão e os comportamentos destrutivos. "A pessoa está sempre
cabisbaixo, mostrando desânimo, desmotivação, falta de energia para
atividades básicas, isolamento social e diminuição de apetite. Os
sinais verbais são manifestos através de frases bem expressivas como:
Eu não aguento mais;  Estou com vontade de sumir; Vou dar descanso para
vocês; Ninguém vai sentir minha falta; Por que eu nasci", detalha.

Entretanto, é possível que uma pessoa doente consiga mascarar a
tristeza e por isso, nem sempre é possível compreender os reais
motivos que levam um indivíduo a tirar a própria vida. "Já tiveram
muitos casos que a pessoa se mostrava sempre alegre e divertido, mas mas
sempre com algum tipo de compulsão como bebida, drogas, sexo, compras,
remédios ou jogos que podem ser "válvula de escape" da dor emocional.
"Fiquem de olho nos detalhes, da demonstração na intimidade, nas
postagens nas redes sociais, nas mudanças de comportamentos, pois
serão norteadores mesmo em uma pessoa que camufla com aparente
alegria", aconselha Ana Lídia.

No dia a dia é possível ajudar familiares a preservar a vida tentando
não ignorar os sinais depressão e tristeza e demonstrando acolhimento.
"Temos que transmitir o amparo através do amor diário para as pessoas
que estão ao nosso lado então conseguiremos evitar que as
estatísticas aumentem. O mais comum é sermos mais educados e pacientes
com as pessoas de fora, clientes, amigos, colegas de trabalho, mas com
pais, cônjuges e filhos agimos com menos paciência. Esse tratamento
gera o sentimento de falta de pertencimento social familiar"

A profissional lembra que existem várias formas acessíveis de combater
a tristeza  como  exemplo a prática de esportes constantes, grupos de
apoios sociais, parentes e amigos próximos, prática de hobbies e
outras fontes de prazer como meditação diária, e fortalecimento do
pilar espiritual. "Praticar a gratidão ao invés da reclamação e com
certeza a psicoterapia também é uma forma eficaz de combater o
suicídio, muitas vezes com acompanhamento em conjunto com psiquiatra e
em alguns casos com uso de medicação de apoio", finaliza

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