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Artigo

SETE DE SETEMBRO DE 2020

Luiz Carlos Amorim

Reflexões

ReflexõesArtigos diários

16/09/2020 16h14
Por: Redação

Dia de chuva, este 7 de setembro. E frio, também. Dia para ficar em

casa, independente da pandemia, assistir um bom filme, ler um bom livro,

ouvir música, fazer um pão de queijo com café bem quente. Para

comemorar o 7 de setembro, quem sabe? Porque não há nada para

comemorar, infelizmente. Os corruptos de plantão saqueiam a Pátria

amada, desgraçadamente, e uma Pátria amada sem saúde, sem educação,

sem segurança, sem justiça, não é Pátria. Que pena.

 

As comemorações foram diferentes, este ano, devido à pandemia do

coronavírus: não houve desfiles, não houve solenidades, apenas uma:

com o cancelamento do desfile cívico-militar de 7 de Setembro em razão

da crescente escalada da covid 19, o presidente participou, na manhã

desta segunda-feira, de solenidade no gramado do Palácio da Alvorada

para comemorar o 198º aniversário da independência do Brasil. O

evento teve execução dos hinos Nacional e da Independência,

hasteamento da bandeira e apresentação da Esquadrilha da Fumaça. Sem

máscara, o presidente chegou ao evento no Rolls Royce presidencial,

acompanhado de várias crianças, parte delas também sem máscaras. Ele

cumprimentou participantes antes de se juntar às autoridades que

ouviram a execução dos hinos Nacional, da Independência e a

exibição dos aviões da Esquadrilha da Fumaça. Depois do evento,

voltou a se aproximar da grade e fez selfies com o público presente,

provocando ajuntamento de pessoas. Bem no estilo, desrespeitando todas

as recomendações sanitárias. Não dá pra falar de independência com

atitudes como esta.

 

Precisamos de mais responsabilidade, bom senso, honestidade, mais

reflexão, mais coração e muito menos violência, corrupção e falta

de respeito. Ainda somos seres humanos. Precisamos parar de agir como

animais irracionais e pensar no futuro, ou não haverá futuro. Que

independência, que liberdade é essa que não dá perspectiva nenhuma

de amanhã? Há que se pensar no depois, no mais adiante. Como festejar

a nossa independência, se ela se esvai no descaso de nossos

governantes, na falência da saúde, da educação, da justiça e da

segurança? Como comemorar uma coisa que não temos, que foi solapada

por políticos imorais e corruptos, que ao invés de defender os

direitos do cidadão, que é o seu trabalho, ao contrário, roubam

descaradamente os impostos tantos que ele, o cidadão, paga com tanto

sacrifício, a maior quantidade de impostos do mundo? Como podemos nos

considerar independentes se estamos a mercê políticos corruptos que

têm a conivência da justiça?

 

Outra do presidanta, pra variar, foi a afirmação de que “ninguém é

obrigado a tomar a vacina”, referindo-se às vacinas contra a covid 19

que estão sendo desenvolvidas. Quer dizer: num momento em que a nossa

única salvação é o surgimento de uma vacina, a maior autoridade do

país desobriga a sua aplicação. Cada vez mais cada vez.

 

Esperemos que a curva da pendemia comece a confirmar uma tendência para

baixo. Apesar de termos visto, nos últimos finais de semana, o povo na

rua, nas praias, nas festas, aglomerado, amontoado, não respeitando o

distanciamento social, não usando máscara, seguindo o exemplo do

presidanta.

 

Se não nos cuidarmos, a curva da pandemia nunca apontará para baixo.

Precisamos nos cuidar. Muito.

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