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JORNALISMO É COISA SÉRIA

Paulo Nogueira

Reflexões

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16/09/2020 16h16
Por: Redação

Ainda não inventaram um robot capaz de ir ao local de um crime ou de uma solenidade, inteirar-se do que ocorreu, e o que motivaram os fatos. O profissional de comunicação já utiliza hoje, muitos recursos da tecnologia, como laptop, câmeras e agora os drones, para tornar as informações mais rápidas e precisas, mas é necessário que esteja presente para registrar e entender o que houve. O jornalista é o profissional responsável por procurar informações e divulgá-las segundo o interesse público, relacionando os fatos e suas conseqüências. No fundo, o que ainda se faz é pegar o bloquinho, a caneta, sua máquina fotográfica, hoje o celular pode substituir, registrando as imagens, e contar as histórias que você lê diariamente. Muitas vezes, a carreira é vista com glamour, mas o cotidiano do profissional é marcado por horas de trabalho, necessidade de tomar decisões rápidas e de ter agilidade. Além disso, quem pretende seguir a carreira precisa ter sempre em mente que não pode cometer erros em suas matérias, pois uma informação equivocada pode prejudicar pessoas, empresas, mudar rumos, e daí por diante.

Com um perfil mais autônomo, hoje o jornalista encontra trabalho também fora da grande imprensa, já que as organizações descobriram a importância da comunicação, da assessoria de imprensa e do relacionamento com a mídia. No ano de 2009, o jornalismo sofreu um retrocesso a partir do momento em que a o Tribunal Superior de Justiça decidiu acabar com a obrigatoriedade do diploma de nível superior para o exercício jornalístico, desconsiderando o quanto a formação superior e a existência dos cursos de jornalismo contribuíram para o avanço e a melhoria dos conteúdos de nossa imprensa e para a valorização dos princípios éticos. Gilmar Mendes, relator do processo, enfatizou que terceiros não são inerentes à profissão de jornalista e não poderiam ser evitados com um diploma. Mendes, acrescentou que as notícias inverídicas são grave desvio da conduta e problemas éticos que não encontram solução na formação em curso superior do profissional. Mendes lembrou que o decreto-lei 972 /69, que regulamenta a profissão, foi instituído no regime militar e tinha clara finalidade de afastar do jornalismo intelectuais contrários ao regime.

Não temos nada contra as pessoas que, por terem facilidade com a palavra, tenham vontade de atuar na imprensa, mas, temos a certeza de que estudar ou trabalhar na área anos a fio para se tornar um jornalista deve ser um fato a ser considerado. Eu por exemplo, comecei no jornalismo como repórter de rádio, muito jovem, na época, fui um dos vigilantes da Rádio Tupi de São Paulo no Triângulo Mineiro, fazia rádio pela manhã, TV a tarde e jornal a noite, isto por mais de 20 anos, batalhei muito, viajei bastante, dormia e alimentava pouco, devido a vontade de vencer no jornalismo. Este trabalho me deu chance de aprender mais, e o resultado foi surpreendente. Trabalhei nos jornais O Estado de São Paulo, Folha, o Globo, e na revista Manchete, todos como correspondente no Triângulo Mineiro, Jornal da Manhã, Jornal de Uberaba, TV Uberaba, TV Manchete e SBT. Fui Assessor de Comunicação da UFTM, ACCBC, Assessoria de Comunicação do Ministério da Educação e instalei a TV Universitária local, o qual fui diretor por 8 anos. Tenho pós graduação em Jornalismo Científico. Ministrei aulas de jornalismo e foto jornalismo em diversas Universidades do país, em cursos de Jornalismo, incluindo a nossa Uniube, onde tento mostrar como se faz um jornalismo sério e autêntico, sem comprometimento a quem quer que seja, mostrando sempre a realidade dos fatos com mais detalhes e imagens diferentes.

Além de reportagens gerais com textos e imagens, militei também no jornalismo investigativo, escrevia página de notícias policiais diariamente no JM e Jornal de Uberaba, onde fui ameaçado de morte por algumas vezes, por mostrar a realidade dos fatos. Nos meus 50 anos de jornalismo que completo no dia 10 de outubro próximo, ganhei vários prêmios nacionais e internacionais por reportagens e imagens feitas por mim. O bom jornalista não é aquele que demonstra saber tudo, mas aquele que tem humildade para querer e estar sempre aprendendo algo, é ter sensibilidade para se adequar aos diferentes acontecimentos da vida, demonstrando isso em suas reportagens. Investigar é mais que um verbo para quem exerce essa profissão, é um compromisso para que se possa transmitir a realidade dos fatos aos interessados.

 

Paulo Nogueira – Jornalista - Membro da Associação Brasileira de Jornalismo Científico

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