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Saúde

Campanha reforça importância da doação de órgãos

Em Minas, mais de 4,5 mil pessoas esperam na fila para realizar transplante

17/09/2020 04h00
Por: Redação

A importância da doação de órgãos ganha reforço em setembro. O
apelo é ainda mais forte neste ano de pandemia, em que o MG
Transplantes  [1]registrou queda de 27% em órgãos doados em
comparação ao primeiro semestre do ano passado.

De janeiro a agosto foram doadas 363 córneas, 43 escleras, 127 medulas
ósseas, 340 rins, 32 corações, 6 fígados/rins, 88 fígados, 11
rins/pâncreas e 3 pâncreas. Um total de 1013 órgãos, contra1539
doações no mesmo período de 2019. A queda em Minas Gerais, no
entanto, é bem menos expressiva que em outros estados do país, como os
das regiões Norte e Nordeste.

O diretor do MG Transplantes, Omar Lopes Cançado Junior,  responsável
por coordenar a política de transplantes de órgão e tecidos em Minas
Gerais, explica que o baixo número de doações coincide exatamente com
o período da pandemia do coronavírus. “O afastamentos social impediu
as pessoas de saírem às ruas e, com isso, refletiu na diminuição do
número de acidentes e traumas em 45%, além das pessoas terem
contraído menos doenças em geral”. Ele explica, ainda, que muitos
possíveis doadores tiveram que ser excluídos.  “Pessoas com qualquer
suspeita de doença respiratória eram, automaticamente, excluídas da
possibilidade de ser doador, independentemente do quadro ter sido
relacionado à covid-19”.

Campanha

Omar afirma que o Dia Nacional de Doação de Órgãos, comemorado em 27
setembro, e a campanha Setembro Verde podem ajudar nesse processo. “A
campanha é importante exatamente para conscientizar e sensibilizar a
população sobre a necessidade da doação de órgãos. É preciso
conversar sobre o assunto com família e amigos, afinal uma única
pessoa pode salvar ou melhorar a qualidade de vida de até 11 pessoas
que estão na fila de espera por um órgão. Se acrescentarmos os
tecidos como pele, ossos, tendões e valvas cardíacas, esse número
sobe para dezenas”, ressalta o diretor do MG Transplantes.  Isso
porque, no caso de doador falecido, podem ser retirados para transplante
até dois rins, dois pulmões, duas córneas, intestino, fígado,
pâncreas, coração, pele, ossos e tendões.

Atualmente, 4.572 pessoas aguardam na fila para realizar o transplante
de algum órgão, em Minas Gerais. A maior espera é para o transplante
de rim, com 2863 pessoas na fila, seguida pelos 1545 pacientes que
necessitam de córnea e pelos 53 que aguardam transplante de fígado.

Desafios

O Brasil possui o maior sistema público de transplantes no mundo, sendo
responsável, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), pelo
financiamento de cerca de 92% dos procedimentos.  Além disso, o país
é o segundo em número absoluto de transplantes, ficando atrás somente
dos Estados Unidos.

No entanto, os números poderiam ser ainda melhores se os familiares
autorizassem as doações. Atualmente, cerca de 30% das famílias
recusam a retirada de órgãos para a doação. No Brasil, só quem pode
autorizar a doação de órgãos são os parentes até segundo grau, ou
seja: pai ou mãe, filhos, avós, netos ou cônjuges. “Por isso, é
tão importante expressar, para os parentes mais próximos, a vontade de
ser um doador”, afirma Omar.

Além da autorização familiar, algumas outras questões também podem
dificultar a doação, como explica o diretor. “Além da solidariedade
das pessoas para autorizarem a doação, os principais desafios no
processo são a identificação de possíveis doadores nos hospitais e a
realização do protocolo de morte encefálica. Além disso, neste
momento da pandemia, é necessária a realização de uma série de
exames para evitar a transmissão do coronavírus”.

Vida nova

Diagnosticado com as doenças que colocaram dois órgãos em falência,
Valter Gonçalves Franco, de 70 anos, recebeu dois transplantes após
uma espera de oito meses e de uma mais breve, de apenas 15 dias. "Agora,
me sinto muito bem novamente, feliz, ganhei peso e não sinto mais
nenhum mal estar”, conta ele, que diz que o principal é não
desistir. “Quem está guardando na fila deve ter fé e paciência, que
vai dar tudo certo”.

Deu certo também para João Pereira de Magalhães, 67 anos,
transplantado de córnea há mais de 11. Ele conta a sua experiência e
se diz muito satisfeito com o resultado. “Sou portador de ceratocone
(alterações na transparência e curvatura da córnea que podem
comprometer a visão) e precisei fazer o transplante de córnea. A
cirurgia foi um sucesso. Antes, eu tinha 12 graus de miopia, hoje tenho
apenas 1,75. Minha qualidade de vida melhorou muito”, conta.

Ele ainda aproveita para chamar atenção dos familiares para uma
reflexão. “Os familiares que não autorizam a doação devem pensar
que aquele órgão será perdido, não terá mais utilidade. No entanto,
quando as famílias têm a generosidade de autorizar a doação, ela
estará perpetuando a vida daquele indivíduo, fazendo com que ele dê
sua contribuição à sociedade, à humanidade, melhorando a qualidade
de vida de muitas pessoas e até salvando vidas”.

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