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Saúde

Setembro roxo chama atenção para a prevenção do Alzheimer

Doença que atinge memória e leva a perda cognitiva muda a vida de paciente e familiares

17/09/2020 04h00
Por: Redação

Setembro é o Mês Mundial da Doença de Alzheimer, que incentiva a
conscientização e move campanhas no mundo todo, coordenado pela
Alzheimer's Disease International (ADI), associação que congrega todas
as instituições mundialmente. Este ano o tema é 'Vamos conversar
sobre demência' e a ABRAz (Associação Brasileira de Alzheimer) chama
a atenção para os números da doença.

A cada 3 segundos alguém é diagnosticado com esse tipo de demência no
mundo e até 2050 serão 152 milhões de pessoas com Alzheimer, de
acordo com a estimativa da ABRAz. "É preciso falar sobre o assunto,
trabalhar para prevenção e diagnóstico precoce, já que não há
cura, mas há possibilidades de tratamentos avançados capazes de
retardar o avanço. Por isso é tão importante o conhecimento e
acompanhamento com profissionais especializados", explica Marcella dos
Santos, enfermeira chefe do Grupo DG Sênior e responsável por três
casas de residenciais para idosos, em Santo Andre - SP.

Quem tem um familiar com Alzheimer ou conhece alguém que já cuidou de
um parente com a doença sabe que a experiência não é nada fácil.
Doença neurodegenerativa mais frequente na espécie humana, o problema
afeta a memória, o comportamento e outras funções mentais de forma
progressiva. Nos estágios mais avançados, impede a pessoa de exercer
suas atividades diárias, reconhecer os familiares e se comunicar
adequadamente. Na maioria dos casos, a doença é detectada após um
longo período, trazendo cada vez mais dificuldades para os familiares
em lidar com o paciente.

Hoje já é possível contar com diversos tratamentos e tecnologias para
diagnosticar, tratar e facilitar o dia a dia do portador e dos
familiares. A última novidade veio de neurocientistas suecos que
desenvolveram o aplicativo Altoida, recém-chegado no Brasil. A
ferramenta reconhece alterações cognitivas, o que pode ajudar a
identificar a doença de Alzheimer 10 anos antes da manifestação dos
primeiros sintomas, e de acordo com o desenvolvedor, o app tem até 94%
de precisão, e através de um teste rápido ele trabalha com
inteligência artificial identificando o CCL (comprometimento cognitivo
leve), que é a fase inicial do Alzheimer.

Marcella explica que é preciso ter cautela com a realização dos
testes, para que os pacientes não fiquem ansiosos ou até mesmo
deprimidos com resultados que apontem para o diagnóstico positivo.
"Sempre conversamos muito com a família. A confirmação do Alzheimer
pode mudar a forma de lidar com o familiar, mas é importante entender o
que realmente é possível fazer por aquela pessoa querida."

Há muitos fatores que levam ao aparecimento da doença e o papel dos
profissionais da saúde é ajudar paciente e familiares a entender
melhor a questão para tomar as providências com o máximo de
antecedência possível. "É preciso deixar de lado o estigma da doença
e trabalhar o psicológico de todos. Acompanhamos de perto tanto
pacientes com perda cognitiva e de memória quanto a família que passa
por fases bastante delicadas de aceitação", conta a profissional.

Demência x Alzheimer - Uma dúvida muito frequente é sobre a
diferença da demência e do Alzheimer. De acordo com doutor Dráuzio
Varella, é necessário entender que a doença de Alzheimer é um dos
tipos de doença do quadro demencial. "Para a medicina, a demência não
tem ligação com o conceito popular, conhecido como loucura", explica.

De acordo com o médico, a demência se refere a alterações da
cognição. Ele explica que toda análise que fazemos sobre o mundo,
como visão, audição, reflexos, percepções de vida, acontecem por
meio de processos cognitivos. Nas demências, esses processos vão se
embaralhando e a visão da realidade começa a ser deturpada.

"Há vários processos que provocam demência, por exemplo, um derrame
cerebral que atinge uma área responsável pelo entendimento de mundo
que nos cerca, ocasionando uma confusão", diz Varella. O doutor
reforça que existem vários tipos de demência, como falta de vitamina
B12 ou até mesmo casos de hipotireoidismo que levam a quadros
confusionais.

"A demência mais comum de todas é a doença de Alzheimer. Ela se deve
à deficiência da cognição que vai se instalando gradativamente,
começando com pequenos lapsos de memórias, esquece acontecimentos
recentes, mas tem memória para fatos tardios. Começa confundir
pessoas, contar a mesma história dezenas de vezes, o quadro vai
progredindo gradativamente até atingir a parte motora, e acabam sendo
dependentes totalmente", conclui.

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