Geral

Desemprego na pandemia atinge maior patamar da série na 4ª semana de agosto

Os dados são da edição semanal da PNAD COVID

19/09/2020 05h00
Por: Redação

  A taxa de desocupação atingiu 14,3%, na quarta semana de agosto, um

aumento de 1,1 ponto percentual frente à semana anterior (13,2%). Com

isso, atingiu o maior patamar da série histórica da pesquisa, iniciada

em maio. Essa alta acompanha o aumento na população desocupada na

semana, representando cerca de 1,1 milhão a mais de pessoas à procura

de trabalho no país, totalizando 13,7 milhões de desempregados. Os

dados são da edição semanal da PNAD COVID, divulgada hoje (18) pelo

IBGE.

 

  A coordenadora da pesquisa, Maria Lucia Vieira, ressalta o crescimento

da taxa de desocupação, que era de 10,5% no início de maio, e explica

que a alta se deve tanto às variações negativas da população

ocupada quanto ao aumento de pessoas que passaram a buscar trabalho.

 

  “No início de maio, todo o mundo estava afastado, em distanciamento

social, e não tinha uma forte procura [por emprego]. O mercado de

trabalho estava em ritmo de espera para ver como as coisas iam se

desenrolar. As empresas estavam fechadas e não tinha local onde essas

pessoas pudessem trabalhar. Então, à medida que o distanciamento

social vai sendo afrouxado, elas vão retornando ao mercado de trabalho

em busca de atividades”, analisa a pesquisadora.

 

  A pesquisa também indica mudança no comportamento da população em

relação às medidas de isolamento social. O número de pessoas que

ficaram rigorosamente isoladas diminuiu pela segunda semana seguida.

Entre 23 e 29 de agosto, 38,9 milhões de pessoas seguiram essa medida

de isolamento, uma queda de 6,5% em relação aos 41,6 milhões que

estavam nessa situação na semana anterior.

 

  A coordenadora da pesquisa afirma que há relação entre o aumento das

pessoas em busca de trabalho e a flexibilização do isolamento.

 

  “A gente está vendo uma maior flexibilidade das pessoas, uma maior

locomoção em relação ao mercado de trabalho, pressionando o mercado

de trabalho, buscando emprego. E esses indicadores ficam refletidos no

modo como eles estão se comportando em relação ao distanciamento

social”, diz Maria Lucia.

 

  Já a parcela da população que ficou em casa e só saiu por

necessidade permaneceu estável. São 88,6 milhões de pessoas nessa

situação, representando 41,9% da população do país. Houve

estabilidade também no contingente dos que não fizeram restrição,

chegando a 5 milhões de pessoas, e dos que reduziram o contato, mas que

continuaram saindo de casa ou recebendo visitas, situação de 77

milhões de pessoas.

 

  O número de pessoas ocupadas que estavam afastadas do trabalho por

causa das medidas de isolamento social foi reduzido em 363 mil e esse

contingente passou a 3,6 milhões. As pessoas que estão nessa

situação agora representam 4,4% de toda a população ocupada,

estimada em 82,2 milhões. Dos 76,1 milhões de pessoas que estavam

ocupadas e não foram afastadas do trabalho, 8,3 milhões trabalhavam

remotamente.

 

  7,2 milhões de estudantes não tiveram atividades escolares

 

  A pesquisa estima em 45,6 milhões o número de estudantes matriculados

em escolas ou universidades na quarta semana de agosto. Desse total, 7,2

milhões (15,8%) não realizaram atividades escolares em casa no

período. O número permaneceu estável em relação à semana anterior.

As férias foram apontadas como motivo para 970 mil alunos não

realizarem atividades escolares.

 

  Já o contingente de estudantes que tiveram essas atividades ficou em

37,4 milhões. “Ainda estamos no patamar de 82% de pessoas que

referiram ter atividades escolares”, destaca Maria Lucia.

 

  Cai número de pessoas com síndrome gripal

 

  Na quarta semana de agosto, 11,3 milhões de pessoas apresentaram pelo

menos um dos sintomas investigados pela pesquisa, como febre, tosse e

dor de garganta. O número é inferior ao estimado na semana anterior,

quando 12,4 milhões de pessoas relaram ter algum dos sintomas. “Isso

representa 5,3% da população. Em maio esse percentual chegou a

12,7%”, diz a pesquisadora.

 

  Das pessoas que apresentaram algum sintoma, 2,6 milhões de pessoas

buscaram atendimento em estabelecimento de saúde como, por exemplo,

postos de saúde, pronto socorro, hospital do SUS ou privado. O número

de pessoas que procurou atendimento em hospital público, particular ou

ligado às forças armadas foi estimado em 799 mil. Desses, 15,2%, ou

121 mil, foram internados.

 

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