Saúde

Vitamina D: o possível segredo da longevidade pode estar no sol

Médico geriatra, cardiologista e nutrólogo Juliano Burckhardt considera que a importância desta vitamina é pouco abordada por médicos e pela população

22/09/2020 05h00
Por: Redação

O nome é vitamina D, mas, na prática, é um potente hormônio

esteroidal, o qual é fundamental para diversos processos vitais no

organismo. A dica de sair para tomar umas horinhas de sol diariamente

não serve apenas para fortalecer os ossos, como popularmente se diz.

Ela é fundamental para inúmeros aspectos, como a imunidade. “A

vitamina D atua em incalculáveis os órgãos e sistemas , na imunidade,

por exemplo, ela tem ação de liberar um peptídeo chamado

catelicidinas e beta defensinas, que agem como antibióticos naturais,

com ação antibacteriana, antifúngica, antiparasitária e uma potente

ação antiviral”, afirma o médico Juliano Burckhardt. Com

especialização em nutrologia, cardiologia e geriatria, ele é um

entusiasta da disseminação desses conceitos que evidenciam os

benefícios desta substância ao corpo.

Este hormônio é dividido em Vitamina D2 e D3, esta última, chamada de

colecalciferol, é responsável por mais de 2 mil reações químicas,

cerca de 80 funções no organismo, ainda regula mais de 10% da

expressão genética. “Dentre todas as funções em termos

cardiovasculares e cardiometabólicos, ela está relacionada à

hipertensão, diabetes, doenças neurológicas, principalmente as

degenerativas, como esclerose múltipla e a lateral amiotrófica”,

afirma. Isso sem contar sua importância para os ossos e músculos em

todas as idades, principalmente a partir dos 60 anos, quando começa o

processo de sarcopenia e osteopenia, a perda de massa muscular e óssea

respectivamente.

A preocupação do médico é principalmente com os idosos. Conforme os

anos passam, o organismo tende a produzir menos vitamina D devido à

diminuição dos receptores periféricos na pele que captam a luz solar,

além disso ocorre a chamada heliofobia, a aversão ao sol, que faz com

que muitos não queiram se expor ao sol, problema que foi agravado nesta

pandemia. “Vira um ciclo vicioso, os idosos já tomavam pouco sol e

agora com a quarentena tomam menos ainda, além de já terem menos

produção da vitamina”, afirma o médico. Ele ressalta que 9 em cada

10 dez idosos têm deficiência desta substância. Outro problema são

os protetores solares: por um lado protegem a pele dos raios solares

causadores de câncer de pele, por outro, não permitem que a luz

penetre nos tecidos para estimular a produção da substância. “O

idoso tem de 4 a 5 vezes menos receptores de vitamina D, que ficam na

pele e são ativados com raios solares UVB, o ideal é tomar sol das 10h

às 15h, mas não precisa se queimar no sol, de 15 a 20 minutos com 40%

do corpo exposto diariamente já ajuda muito”, aconselha o Burckhardt,

que não deixa de lembrar a necessidade de passar protetor solar no

rosto e usar barreiras como chapéu, boné e roupas com proteção

específica.

Quais as fontes?

O médico explica que há 2 tipos de vitamina D fornecidos por

alimentos: a D2, de fonte vegetal, e D3, fonte animal. Esta última

está presente em peixes e ovos, já a primeira é encontrada em

castanhas e cogumelos, estes últimos são fungos, na verdade.

Entretanto, o médico destaca que a quantidade adquirida pela dieta é

pequena e pouco terapêutica. “O óleo de fígado de bacalhau é uma

boa fonte, porém é pouco palatável e nem todos têm acesso, se for

adquirir na alimentação, deveria-se comer, por exemplo, 80 postas de

salmão selvagem ao dia ou 230 ovos, o que é inviável”, destaca.

Assim sendo, o sol continua sendo a principal fonte.

 

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