Saúde

Parece doença respiratória, mas pode ser refluxo

30% da população brasileira pode ter refluxo e não saber disso

25/09/2020 05h00
Por: Redação

 

Tosse seca e constante, inflamação da garganta, chiado no peito e até

falta de ar, sintomas típicos das síndromes respiratórias, como a

causada pelo novo coronavírus, mas que na verdade pode indicar um

problema no sistema digestivo. Isso mesmo, o refluxo, uma doença do

trato intestinal, pode sim ser confundido com um problema respiratório.

 

 

De acordo com o cirurgião gastro-robótico Adilon Cardoso Filho (CRM GO

9616), a pessoa deve desconfiar que uma tosse seca, uma dor de garganta

ou a falta de ar podem ser indícios de um problema intestinal, quando

justamente, após um amplo diagnóstico, for descartado que estes

sintomas não apontam para nenhuma anomalia no sistema respiratória do

paciente. "Prioridade aos sintomas, se a pessoa tem tosse, chiado, o

primeiro especialista a qual este paciente deve ir á o pneumologista e

não ao gastro. E só então após uma avaliação ampla deste

especialista, ao não constatar qualquer alteração no aparelho

respiratório, aí sim será o momento em que esse paciente deverá

procurar um gastroenterologista para que se constate o quadro de

refluxo", explica o médico.

 

O especialista esclarece ainda que essa procura ao gastro deve ser mais

necessária quando se apresenta junto com os sinais respiratórios

alguns sintomas clássicos do refluxo gastroesofágico, tais como dor

epigástrica (dor de estômago), o desconforto após se alimentar com a

sensação de retorno da comida, azia ou queimação no estômago e

apneia do sono.

 

Apesar de acometer com maior frequência e muitas vezes com maior

intensidade as pessoas obesas ou que estão com sobrepeso, o refluxo

não pode ser considerada uma doença exclusiva deste grupo de

pacientes. "Temos a ocorrência dessa patologia desde os

recém-nascidos, dentro das especificações típicas desta fase da

vida, é claro. Também nos idosos pode ocorrer o refluxo, em pacientes

masculinos ou feminino, em pessoas super magras e também no paciente

obeso. Portanto, é uma doença que pode incidir em todas as faixas de

idade e com a mesma frequência em ambos os sexos", afirma Adilon

Cardoso Filho.

 

Problema crônico

O médico explica que o refluxo gástrico é, muitas vezes, tido apenas

como um sintoma de algum outro problema de saúde, mas na verdade,

quando ocorrido com frequência, passa a ser um problema crônico que

merece atenção médica e tratamento. "Muitas vezes o paciente não faz

essa associação de que o refluxo é na verdade uma doença, e não um

simples sinal de um mal intestinal, e com isso a pessoa se automedica

para que esses sintomas passem, e com isso a ida ao consultório é

adiada e o problema agravado", alerta o médico Adilon Cardoso Filho.

 

Uma pesquisa sobre o conhecimento e a incidência da doença do refluxo

gastroesofágico [1] no Brasil, conduzida pela empresa de estudos de

mercados GFK e encomendada pela farmacêutica Takeda, revelou que entre

as 1.773 pessoas entrevistadas, 28%, disseram que sentem algum sintoma

da enfermidade, mas não o associam à doença. Um indicativo que cerca

de 30% da população brasileira pode ter refluxo e não saber disso.

 

Horários e escolhas

Para Adilon Cardoso Filho, o estilo de vida desregrado, sem horários

definidos para comer e com péssimas escolhas alimentares são a raiz da

grande maioria dos casos de refluxo. "Hoje a moçada levanta cedo, não

toma café da manhã, na hora do almoço ingere muito líquido, depois

do trabalho muitos ainda vão para faculdade e só então tarde da noite

é que eles vão comer e jantar em maior quantidade, só que essa pessoa

vai deitar logo, porque daqui a pouco às 6h ela precisa está de pé e

começar tudo de novo. Então essa situação de ruptura dos horário

adequados para as principais refeições, é uma das principais

etiologias (causas) de problemas gastrointestinais como o refluxo. Sem

falar da alta ingestão de alimentos que facilitam o refluxo, em

especial as comidas de fast food", detalha o médico.

 

Por isso a prevenção e o tratamento do refluxo passam,

necessariamente, por uma mudança de hábitos, além dos procedimentos

clínicos, medicamentoso e cirúrgico. "O refluxo tem muitos fatores

orgânicos, mas também muitos fatores mecânicos. E a melhor maneiro

que temos para prevenir é atuando nos fatores mecânicos, ou seja,

estômago é uma bolsa que tolera uma certa quantidade de volume e

pressão. Quanto maior o volume,  maior a pressão sob a válvula desta

bolsa. Então é sobre este princípio mecânico de quanto menos

pressão sob a válvula, menor o risco de que ela falhe. Diante disso, a

dica é comer  porções menores, mas numa frequência maior ao longo do

dia, diminuir a ingestão de líquidos durante as refeições e não

deitar logo depois das principais refeições", explica o médico.

 

Tratamento

O combate ao refluxo sempre inicia com o tratamento clínico, que é

atenção àquelas medidas mecânicas citadas anteriormente. Mas além

disso usamos também muitos medicamento com intuito de diminuir a

secreção ácida no estômago. Usa-se também alguns fármacos

procinéticos gástricos que aumentam a motilidade para o esvaziamento

gástrico mais rápido.

 

Mas para os casos frequentemente reincidentes e mais intensos , não

havendo o resultado esperado após os tratamentos clínico e

medicamentoso, existem os procedimentos cirúrgicos, conforme explica o

médico Adilon Cardoso. "Hoje temos disponíveis dois tratamentos

cirúrgicos, um via laparoscópica e outro via cirurgia robótica, sendo

este último muito mais avançado e preciso, o que proporciona

resultados ótimos principalmente em casos recidivos (que voltam com

frequência)."

 

Conforme explica o especialista, a cirurgia robótica é muito mais

eficiente porque, além de menos agressiva, traz resultados de forma

muito mais rápida e não há o uso de nenhum elemento estranho ao

organismo, usando-se o próprio estômago para criar uma barreira

mecânica contra o refluxo. "É feito na transição esofagogástrica,

localizada na cavidade abdominal, uma válvula, usando o próprio

estômago. Não há, portanto, a introdução de nenhum material

externo. Passa-se o estômago por trás dele mesmo e fecha em cima,

criando uma barreira mecânica que impede o refluxo. Já no outro dia

após a cirurgia o paciente para de ter azia, os que têm tosse crônica

por causa do refluxo deixam de ter este sintoma", explica o cirurgião.

 

O médico acrescenta ainda que a cirurgia "aberta" (via laparoscópica)

está praticamente abolida, pelo menos em serviços de saúde mais

avançados, em virtude de ser mais invasiva, trazer resultados menos

eficientes na comparação com os procedimentos mais modernos e ser uma

cirurgia que tem um certo grau de dificuldade para sua realização.

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