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Jovem uberabense, órfã de pai e mãe, luta para formar em medicina

Amanda é órfã e luta por justiça pelo assassinato do pai na esperança de que aconteça o tribunal do júri

27/09/2020 05h00
Por: Redação
Amanda Resende Borges, uberabense, de 23 anos, órfã de pai e mãe desde 2015, é acadêmica de Medicina no Centro Universitário Imepac, em Araguari, e luta para continuar seu sonho de ser médica - Foto: Divulgação
Amanda Resende Borges, uberabense, de 23 anos, órfã de pai e mãe desde 2015, é acadêmica de Medicina no Centro Universitário Imepac, em Araguari, e luta para continuar seu sonho de ser médica - Foto: Divulgação

A história de vida da jovem uberabense Amanda Resende Borges, 23 anos, começa em 1997, em seu nascimento prematuro e advindo de uma gestação complicada (a mãe possuía lúpus e já havia tido vários abortos espontâneos). Filha única do casal André Luis Borges e Erciliana Resende Borges, Amanda foi muito esperada e muito amada pelos seus pais e familiares desde então. 

Em 2014, a mãe de Amanda, Erciliana (mais conhecida como Sissa), recebeu o diagnóstico de um câncer agressivo e iniciou seus tratamentos em São Paulo. Nesse mesmo ano, Amanda cursava seu último ano do Ensino Médio e, embora convivendo com tantas adversidades e desafios, ela sempre acompanhou sua mãe durante o tratamento e foi nesse momento que seu coração foi tocado pelo sonho de fazer Medicina. Ela se viu inundar por um grande sentimento de gratidão por todos os cuidados que estavam tendo com sua mãe e viu na Medicina uma forma de retribuir ao próximo todo o zelo que a equipe de saúde teve com a vida de Sissa. 

No dia 12 de dezembro de 2014, enquanto Amanda prestava uma prova de vestibular para Medicina em Ribeirão Preto-SP, sua mãe veio a óbito. Tristemente, ela teve que conviver com a dor da ausência de sua amada mãe, mas ainda sim seguia em frente, pois tinha o apoio e a presença do pai, André e o sonho de cursar Medicina. 

Mesmo com toda a tristeza, Amanda conseguiu ser aprovada em alguns vestibulares da área da saúde: 6º lugar em Psicologia na Uniube (Universidade de Uberaba) e em 5º lugar em Enfermagem na UEMG (Universidade Federal de Minas Gerais), mas se matriculou em um cursinho pré-vestibular no intuito de superar o trauma que seu subconsciente criou: associar toda prova com a morte de algum ente querido, e de cursar Medicina e realizar seu sonho. 

Em março de 2015, três meses após a morte de sua mãe, e passando por dificuldades financeiras, o pai de Amanda, André, foi até a empresa de um de seus irmãos cobrar uma dívida e diante da negação do irmão em pagá-lo, o mesmo desferiu 17 facadas fatais contra o pai de Amanda, o matando. André era deficiente físico desde 2000 quando sofreu um trágico acidente automobilístico e, por isso, sua defesa e fuga diante das facadas foi prejudicada. O assassino fugiu e se entregou 3 dias depois, confessando o crime, mas não foi preso. 

Desde então Amanda é órfã e luta por justiça pelo assassinato do pai na esperança de que aconteça o tribunal do júri e que o assassino seja condenado e pague pela vida que, brutalmente, ceifou. Até a data atual, no âmbito jurídico, só ocorreu a audiência de instrução e não houve nenhum tipo de ajuda financeira, pagamento da dívida ou indenização por parte do assassino. 

Amanda, apesar de todas as tragédias em sua vida, seguiu seus dias com muita garra e força de vontade de vencer. Em julho de 2017, ela conseguiu passar em 19º lugar em Medicina na Instituição Particular Centro Universitário IMEPAC, em Araguari-MG. 

Ela conseguiu cursar 3 anos de Medicina a partir de reservas financeiras que foi fazendo durante os anos, com um seguro que seu pai havia deixado e com a ajuda e doações de familiares e amigos. Porém, no ano de 2020 essas reservas se esgotaram e como a pandemia assolou o país todo, as ajudas familiares ficaram escassas, tornando-se impossível a continuidade do custeio do curso de Medicina. 

Na segunda-feira passada (14/09/2020), após tentar vários caminhos para continuar os estudos, e com o risco de perder os 3 anos já cursados na faculdade caso as dívidas não fossem quitadas e a matrícula trancada, Amanda e algumas amigas de longa data tiveram a ideia de fazerem uma “vaquinha” online. Todas se empenharam muito em divulgar essa ação e durante toda essa semana, a “vaquinha” teve uma repercussão fantástica e contou também com o apoio de vários cidadãos uberabenses e de outros estados, de famosos e influenciadores digitais de todos os cantos do Brasil. Ademais, além de toda a ajuda financeira, Amanda também contou e tem contado com a doação de cavalos e outros animais, brindes, parcerias com lojas e rifas (inclusive uma organizada pela sua própria turma de faculdade). 

Atualmente, já foi arrecadado o dinheiro necessário para que as dívidas sejam quitadas na Instituição de Ensino e sua matrícula trancada, mas ter que cancelar seu curso dos sonhos e interromper toda essa jornada acadêmica seria muito frustrante e contabilizaria mais uma perda na vida da órfã. Por isso, Amanda, com o apoio de seus familiares e amigos, decidiu continuar com a “vaquinha” a fim de arrecadar o total necessário para que ela consiga concluir seus estudos (o montante total necessário para o custeio dos anos que ela ainda tem que cursar é, em média, de R$ 282.000,00). 

Em nota, Amanda conta que está se sentindo muito grata por todas as ajudas e carinho recebido, agradece a todos os colaboradores pelas doações e se sente confiante no sucesso de arrecadar o valor necessário para completar seus estudos. 

Para conhecer mais sobre a história de vida de Amanda e para doar qualquer quantia, acesse seu Instagram @amanda_borges. 

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