Estado de Minas

Minas registra queda histórica nos índices de criminalidade

Análise das estatísticas aponta que 14 dos 15 tipos de crimes acompanhados estão em declínio no estado

03/10/2020 05h00
Por: Redação

 

Minas Gerais obteve os menores índices de criminalidade violenta dos

últimos nove anos, entre os meses de janeiro e agosto de 2020.

 

Na análise de 13 crimes caracterizados como violentos, o índice é

41,3% menor que o apresentado no ano de 2012, primeiro da série

histórica (quando a atual metodologia de análise de dados, a partir do

Registro de Eventos de Defesa Social - Reds, foi implantada).

 

As estatísticas de crimes violentos são do Observatório de Segurança

Pública, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública

(Sejusp) [1], e somam os registros de homicídio consumado e tentado,

extorsão mediante sequestro consumado, sequestro e cárcere privado

consumado e tentado, estupro consumado e tentado, estupro de vulnerável

consumado e tentado, roubo consumado e tentado e extorsão tentado e

consumado.

 

Além dos 12 crimes classificados tecnicamente como violentos, o

Observatório também monitora mensalmente os registros de furto e

lesão corporal. Dos 15 crimes, 14 estão em queda na comparação com o

ano passado. Veja  o quadro.

 

Homicídios

 

Importante indicador de criminalidade, o número de vítimas de

homicídios consumados também foi o menor dos últimos nove anos,

considerando a série histórica iniciada em 2012. Na comparação com

2019, a queda é de 2,2% e, quando comparado com 2014 - pico do número

de vítimas homicídios consumados em Minas - há redução de 1.150

vítimas em 2020, representando uma baixa de 40,3%.

 

Em Belo Horizonte, a redução foi de 25 mortes (-10,5%). No interior do

estado, 646 municípios, ou seja, 75,7% do total, não registraram

homicídios, mantiveram ou reduziram os índices em comparação aos

oito primeiros meses (janeiro a agosto) do último ano.

 

O índice de homicídios é o menos impactado pelo isolamento social,

segundo as forças de segurança do Estado.

 

Comparação

 

O índice geral de crimes violentos dos oito primeiros meses de 2020 foi

33,7% menor do que no mesmo período de 2019, com 16.202 ocorrências a

menos. Em comparação ao ápice da criminalidade violenta em Minas, no

ano de 2016, a queda é de 69,3%.

 

Também são acompanhadas e publicadas mensalmente, desde o início da

pandemia, as estatísticas de feminicídio, neste caso, produzidas pela

Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) [2]. Entre janeiro e agosto de

2020, houve 86 registros (consumados), contra 89 do ano anterior,

redução de 3,5%.

 

Outro destaque é a redução de estupros. Em paralelo aos oito

primeiros meses do ano passado, foi detectado um recuo de 27,7% em 2020.

Em BH, o número de registros do ato consumado caiu 24,6%.

 

Ao todo, 753 municípios mineiros (88,2%) não registraram estupros

consumados, mantiveram ou reduziram os resultados em comparação a

2019. Quando analisadas as tentativas, o número de localidades sobe

para 791 - o que representa 92,7% das 853 cidades mineiras.

 

Roubo

 

Também houve queda nos roubos, percentual -36,4%, e nos roubos

tentados, -49,7%,.

 

No total, 669 municípios mineiros não registraram roubos consumados,

mantiveram ou reduziram as estatísticas no comparativo com o período

semelhante do último ano. Somente na capital a baixa foi de 4.422

roubos consumados (-36,9%).

 

Integração

 

Para o comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais [3], coronel

Rodrigo Sousa Rodrigues, "a redução dos índices criminais no estado

se deve a quatro fatores fundamentais: a gestão do desempenho

operacional, por meio do acompanhamento atento das atividades realizadas

em todas as áreas da PM, com foco na melhoria dos processos de trabalho

e na otimização dos recursos humanos; a setorização da gestão, com

a implantação do projeto Bases de Segurança Comunitária, que fomenta

a comunicação direta e próxima à população; o uso da tecnologia

como aliada em todos os processos de gestão e execução da PM;  a

integração entre os órgãos que compõem o Sistema de Defesa

Estadual, além do empenho e do comprometimento de cada policial militar

que executa suas atividades".

 

O chefe da Polícia Civil, delegado-geral Wagner Pinto de Souza, também

sublinha a atuação integrada das forças de Segurança para o alcance

dessa queda histórica. "A diminuição gradativa é resultado do

trabalho integrado das Polícias Civil e Militar e do Sistema Prisional.

Verificamos uma convergência de esforços, por meio dos quais a PC

realiza a investigação qualificada; a PM age com o patrulhamento

preventivo; e o Sistema Prisional, com o monitoramento controlado dentro

dos presídios. Ações que resultaram na redução vertiginosa dos

índices criminais", argumenta.

 

Crédito (foto): Gil Leonardi/Imprensa MG

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