Saúde

Cresce número de transplantes de fígado por excesso de gordura

Prof. Dr. Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque, do Hospital 9 de Julho, explica aumento de casos e como é feito o diagnóstico

03/10/2020 05h00
Por: Redação
Foto: Uol
Foto: Uol

 

A mudança nos hábitos de vida e

alimentares das últimas décadas, que fez crescer de forma preocupante

os índices de obesidade, está também impactando a saúde do fígado.

No Brasil e em outros países do mundo vem aumentando rapidamente o

número de transplantes de fígado em consequência do excesso do

depósito de gordura no órgão.

 

O problema é chamado Esteato-hepatite não alcoólica (NASH, do inglês

Nonalcoholic Steatohepatitis) e se dá principalmente pelo acúmulo de

gordura abdominal. Diabetes e aumento de colesterol e triglicerídeos no

sangue também têm papel relevante nesse quadro. O depósito provoca

alterações no órgão e pode evoluir para cirrose e, eventualmente,

câncer hepático.

 

O Prof. Dr. Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque, cirurgião do

aparelho digestivo e especialista em transplantes de fígado e órgãos

do aparelho digestivo do Hospital 9 de Julho, explica que, durante muito

tempo, as doenças que levavam a transplante de fígado em maior número

eram cirrose alcoólica e câncer, mas o cenário vem mudando em ritmo

acelerado. Nos Estados Unidos, estudos apontam que a NASH pode afetar

até 12% da população e já é a principal causa de transplantes desse

órgão entre mulheres e pessoas idosas e a segunda causa de câncer

primário de fígado. O mesmo fato também começa a ser observado no

Brasil.

 

A Esteato-hepatite não alcoólica é, na maioria dos casos, uma doença

assintomática ou pode provocar uma leve dor abdominal. “O

diagnóstico é feito por meio de exames laboratoriais e de imagem, como

ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética, que vão mostrar

o órgão aumentado e as alterações no exame físico e exames de

sangue, que caracterizam uma síndrome metabólica. Eles são associados

ao histórico do paciente, analisando seu estilo de vida, alimentação,

consumo de álcool, entre outros fatores”, explica Dr. Carneiro. Caso

esse conjunto de informações ainda não seja suficiente, uma biópsia

no órgão pode ser necessária.

 

Por se tratar de uma doença silenciosa, o especialista alerta que é

fundamental realizar exames periódicos de prevenção para acompanhar a

saúde do fígado. Pessoas com obesidade, sobrepeso, gordura localizada

no abdômen e doenças crônicas como diabetes devem dar atenção

especial com consultas periódicas ao seu médico.

 

Ainda não existem medicamentos eficazes para combater o acúmulo de

gordura no fígado. Quando diagnosticado, para evitar que ele evolua

para cirrose, o problema deve ser controlado com uma mudança

significativa nos hábitos de vida com enfoque principal em perda de

peso e com alimentação balanceada evitando alimentos muito gordurosos

ou ultraprocessados, controle dos índices de glicose, colesterol e

triglicérides no sangue e prática de atividade física.

 

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