Saúde

Câncer de mama: doença não pode ser negligenciada durante a pandemia, alertam especialistas

Cerca de 70 mil diagnósticos de câncer deixaram de ser feitos entre março e junho de 2020

04/10/2020 05h00
Por: Redação

 

A pandemia da Covid-19, que determinou um regime de quarentena sem

precedentes pelo mundo, tem apresentado impactos diretos na oncologia e

mastologia. Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Patologia

(SBP), 70 mil diagnósticos de câncer deixaram de ser realizados entre

março e junho deste ano. E os reflexos dessa nova realidade podem a

curto e médio prazos desencadear um aumento nos índices de tumores

descobertos em fase mais avançada.

 

Entre os tumores mais incidentes no país figura o câncer de mama -

tipo de câncer mais comum em mulheres depois do câncer de pele. A

ocorrência por aqui vem apresentando crescimento constante: são 66.280

novos casos esperados, com um risco estimado de 61,61 casos a cada 100

mil mulheres por ano para o triênio 2020-2022 - números que ainda

estão abaixo da incidência observada em países desenvolvidos, mas

cuja tendência de aumento segue em ritmo acelerado, proporcional às

taxas de envelhecimento da população.

 

Para o oncologista Bruno Ferrari, fundador e presidente do Conselho de

Administração do Grupo Oncoclínicas, este cenário exige esforços

contínuos no sentido de aumentar a taxa de cobertura da mamografia de

rastreamento populacional, assim como o nível de alerta das mulheres

para alterações na mama, requerendo atenção dos especialistas para

que o câncer de mama seja diagnosticado da forma mais precoce

possível.

 

"As campanhas de conscientização sobre a doença e alerta para que a

população esteja munida de informações sobre os impactos positivos

da descoberta de tumores logo no início de seu desenvolvimento são

primordiais para a redução das taxas de letalidade do câncer de mama.

A nossa batalha pelo diagnóstico precoce deve continuar, por ele

significar maior número de pacientes curados. No entanto, nos últimos

seis meses observamos uma queda na realização da mamografia", diz o

médico.

 

Ele alerta que se deixarmos de lado a vigilância ativa, no pós

pandemia há grandes chances de observarmos um aumento considerável de

diagnósticos tardios da doença. O exame de imagem na qual a mama é

comprimida permite que sejam identificados tumores menores que 1 cm e

lesões em início, sendo determinante para a descoberta do câncer de

mama logo no início.

 

"O câncer de mama é o segundo mais comum entre mulheres no país e

eram esperados quase 67 mil novos diagnósticos, de acordo com o

Instituto Nacional do Câncer (INCA), até o fim deste ano. De forma

geral, a mamografia deve ser realizada anualmente por todas as mulheres

acima dos 40 anos e a decisão por adiar ou não esse exame só deve ser

tomada mediante o aconselhamento médico", ressalta Max Mano,

oncologista clínico e especialista no tratamento do câncer de mama do

Grupo Oncoclínicas

 

As chances de cura chegam a 95% ou mais quando o tumor é descoberto no

início, sendo o tratamento menos invasivo, o que melhora, em muito, a

qualidade de vida durante e após o tratamento da doença. "Mulheres que

tratam ou já tiveram câncer de mama, bem como aquelas com histórico

de câncer de mama entre parentes próximas (irmãs, mães) e/ou que

têm mutações genéticas hereditárias já identificadas, não devem

jamais deixar de fazer os controles sem orientação do especialista",

completa Max Mano.

 

Redução no número de cirurgias preocupa

 

Outro ponto de atenção desencadeado pela pandemia está relacionado ao

adiamento ou cancelamento de cirurgias oncológicas. A Sociedade

Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) indica que 70% dos

procedimentos para retirada de tumores malignos deixaram de acontecer em

abril. Especificamente nos casos de câncer de mama, um recorte da

situação feito pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) nos meses

de abril e maio mostra que nos grandes centros hospitalares de oncologia

- públicos e privados - houve uma queda de 75% no movimento cirúrgico

em comparação aos registros de 2019.

 

"Isso vai impactar na sobrevida dos nossos pacientes e isso é pior que

a própria pandemia. Precisamos manter a população munida de

informações relativas aos fluxos seguros que vêm sendo adotados para

que eles possam estar confiantes para seguir com as orientações de

tratamento devido, de acordo com cada caso", alerta Bruno Ferrari.

 

O médico reforça que o câncer faz parte do rol de doenças

estabelecido pelo Ministério da Saúde, cujo tratamento não pode ser

considerado eletivo. Atualmente, de acordo com dados da Organização

Mundial da Saúde (OMS), 1,3 milhão de brasileiros têm tumores

malignos e estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) indicam

que são esperados ao menos outros 625 mil novos diagnósticos da

doença até o final de 2020.

 

Oncoclínicas no Outubro Rosa

 

Anualmente, o Instituto Oncoclínicas - iniciativa do corpo clínico do

Grupo Oncoclínicas para promoção à saúde, educação médica

continuada e pesquisa - desenvolve uma série de ações para alertar

sobre a importância da realização de exames preventivos periódicos e

mudanças nos hábitos de vida no combate ao câncer de mama. Em 2020 a

iniciativa traz uma abordagem positiva nas redes sociais ressaltando a

importância de não adiar consultas com especialistas e agendar os

controles de rotina, incluindo a realização da mamografia por mulheres

a partir dos 40 anos.

 

Com o mote "A melhor dica é viver bem" [1], a campanha é voltada à

conscientização sobre a importância de estar atento a fatores de

riscos evitáveis relacionados à incidência de câncer de mama, como

ter uma alimentação balanceada e praticar atividades físicas

regulares, para uma retomada da saúde e da qualidade de vida.

Direcionada à sociedade em geral, ela ressalta ainda uma importante

informação: busque sempre saber sobre os fluxos seguros implementados

pelos centros de referência em atendimento e realização de exames

diagnósticos. Apesar da pandemia e do medo da contaminação pelo

coronavírus, é preciso que as mulheres mantenham seus controles em dia

para que a luta contra o câncer de mama não seja deixada em segundo

plano.

 

A ação faz parte de uma série de ativações nas redes sociais

desenvolvidas pelo movimento "O Câncer Não Espera. Cuide-se Já" [2]

para alertar os pacientes oncológicos e a população em geral sobre

como atrasos nos cuidados médicos adequados pode comprometer, até

irreversivelmente, o sucesso na luta contra o câncer. A ação liderada

pela Oncoclínicas é apoiada por entidades como a Sociedade Brasileira

de Radioterapia (SBRT), Sociedade Brasileira de Patologia (SBP),

Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Sociedade Brasileira de

Cirurgia Torácica (SBCT), Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica

(SBCO), Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale),

Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (Tucca),

Instituto Oncoguia , Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC) e

Rede Inspire Ser.

 

A mobilização também conquistou o reforço voluntário de

personalidades como as atrizes Suzana Vieira, Mariana Rios e Priscila

Fantin, os cantores Ivete Sangalo, Elba Ramalho, Bell Marques, Leo Jaime

e Tomate, a  jornalista Mona Lisa Duperon e o medalhista olímpico com a

seleção brasileira de vôlei Maurício Lima.

 

Empresas, entidades ligadas à área médica ou qualquer cidadão

engajado na luta em favor da vida e da saúde dos brasileiros podem

aderir à campanha. 

 

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