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Arahilda Gomes Alves

Arahilda Gomes Alves

Reflexões

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11/10/2020 05h00
Por: Redação

O quinze de outubro

Outubro traz em seu bojo o reconhecimento de tantas profissões. Comemorações gigantes como o dia da Criança, hoje, mais voltado para as preocupações e alertas a esse ser que colocamos no mundo indefeso, frágil e inocente.

O dia do Médico, os anjos do jaleco branco a quem recorremos quando a saúde nos falta, a pressão sobe, o coração em disritmia, descompassado e sem passo, muitas das vezes com pedras pelos caminhos rolando e cantarolando.

Mas é o dia quinze, a meu ver, data merecedora de todos os holofotes. Nosso Face book se engalana para homenagear os que labutam na seara da Educação.

Pinço uma só mensagem, de real grandeza e respeito: “no Japão, o único profissional que não precisa se curvar diante do Imperador, é o professor, pois, segundo os japoneses, numa terra em que não há professores, não pode haver Imperadores.” 

Ah, se isso fosse aplicado aqui no Brasil, onde os que imperam nos altares e nichos como falsos santos de mãos nos bolsos, curvam-se, apenas para se enriquecerem nas esferas côncavas e convexas do Planalto! ... A nação tripudiada nas muitas sessões, onde o interesse próprio sopra benesses biliardárias, esquecendo-se todos, das lições de civismo, patriotismo e ética assimilados nos bancos escolares. Assunto esse, que gira em roda gigante, sem um nunca terminar colocando os interesses de um povo relegados a segundo plano.

O heroísmo de uma professora, ano atrás, que para salvar seus alunos, na cidadezinha mineira que apareceu no mapa apenas pela tragédia de um psicopata e que deveria estar afastado e não no trabalho de uma creche, é o simbolismo de governos ineptos. Mais alguns dias e cairá no esquecimento, o que marcou em pleno mês de comemoração, a professora imolada no altar da Pátria. Daí minha Oração à mestra tecendo poesia entre o sonho e o patético: Bendita sejas tu, Mestra/ Pisando chão duro da estrada/ Atingindo dura encruzilhada/ Que o feitiço do ideal/Não te fez esmorecer/ Bendita sejas tu, Mestra/ Caminhando sob chuva/Sol escaldante, vento frio/ Abraçando, peito aberto/Com objetivo certo/Sem te deixares abater/ Bendita sejas tu, Mestra/ Enfraquecida pelos caminhos/ Desgastada como se fosses/ Os missionários eternos/ De santa e nobre missão/ Figura sempre evocada/ De santa: humana e divina/ Ser que jamais se aniquila/ Na luta, grande jornada/ Porque teu  nome enobrece/ Tecido em forma de prece/ Imolado no Altar da Pátria/Em forma de oblação!

 

 

 

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