Saúde

Falta de cuidado com os olhos de crianças em idade escolar pode causar cegueira monocular

No Mês Mundial da Visão, o oftalmologista pediátrico Rodrigo Fernandes alerta para os principais problemas oculares na infância

11/10/2020 05h00
Por: Redação

Outubro é o Mês Mundial da Visão,

campanha que neste ano faz alusão a um dado alarmante: 10% dos

brasileiros assumem que nunca foram ao oftalmologista, segundo pesquisa

do Ibope Inteligência. Se nos adultos a falta de cuidado com os olhos

é um problema, entre as crianças é ainda mais preocupante, uma vez

que o sentido só chega ao pleno desenvolvimento aos 7 anos. Além

disso, problemas de visão não tratados podem levar a atrasos no

rendimento escolar e até à cegueira.

 

É o que explica o oftalmologista pediátrico Rodrigo Fernandes. Segundo

ele, estrabismo e erros de refração como miopia, hipermetropia e

astigmatismo, com diferença de grau expressiva entre um olho e outro,

podem levar à ambliopia ou olho preguiçoso. “Explicando de forma bem

simples, o cérebro passa a ignorar as informações de um dos olhos.

Isso altera a função visual do olho ‘desligado’, levando até à

cegueira caso não seja devidamente tratado”, disse.

 

Quando a causa é o estrabismo, a identificação precoce é mais

frequente, pois os olhos geralmente ficam desalinhados. Já quando o

problema são os erros de refração, os sinais são mais sutis, porque

nem sempre as crianças reclamam que há algo errado na visão. “É

aí que mora o perigo. Um diagnóstico precoce é fundamental para

termos sucesso no tratamento, que inclui uso de tampão para

‘forçar’ a reação do olho prejudicado, correção do grau e até

cirurgia, dependendo do caso”, ressalta o médico.

 

Sinais de problemas de visão

 

O ideal é tratar a causa antes que a ambliopia se instale. Para isso,

é importante fazer o acompanhamento ao oftalmologista de acordo com a

recomendação do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) – a cada 6

meses antes dos 2 anos e uma vez por ano entre 2 e 7 anos de idade. É

importante também que pais e professores fiquem atentos a alguns

sinais.

 

Entre 3 e 7 anos, a criança com dificuldades para enxergar costuma

tombar a cabeça para o lado, sentir dores de cabeça ou nos olhos com

frequência, se aproximar muito da TV ou do quadro, fechar os olhos

quando há muita claridade ou esfregar os olhos quando tenta enxergar

algum objeto.

 

“Dificuldades com hábitos simples, como ler e fazer tarefas, podem

dar a ideia de desatenção, quando na verdade é um problema ocular.

Há até casos em que a criança é diagnosticada com Transtorno de

Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) equivocadamente. Portanto,

se forem identificados esses sinais, o primeiro passo é buscar ajuda do

oftalmologista pediátrico”, alerta Rodrigo.

 

Aulas online: atenção redobrada

 

Com a pandemia, as aulas passaram a ser online e, em muitas escolas,

essa realidade deve continuar até o ano que vem. Esse “novo normal”

leva ao uso excessivo de telas, hábito que pode desencadear a miopia.

“Quanto mais longe a criança estiver da tela, menos pior. E um

acompanhamento mais frequente com o oftalmologista pode ajudar a

prevenir”, finaliza.

Nenhumcomentário
500 caracteres restantes.
Seu nome
Cidade e estado
E-mail
Comentar
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.
Mostrar mais comentários