Agronegócio

Mapa e IICA desenvolvem projeto para fomentar cultivo de lúpulo no Brasil

A planta é usada pelas indústrias cervejeira, de cosméticos e farmacêutica

15/10/2020 05h00
Por: Redação

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio

da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo, e o Instituto

Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) estão

desenvolvendo cooperação técnica com o objetivo de fortalecer a

cadeia produtiva do lúpulo no Brasil.

 

O lúpulo, planta da espécie Humulus lupulus, é conhecido por ser

largamente utilizado na produção de cervejas, sendo responsável pelo

aroma e amargor da bebida. A planta também possui substâncias

terapêuticas na composição das flores, sendo usada pela indústria

farmacêutica e de cosméticos. No Brasil, o aumento da produção de

cervejas artesanais ampliou a procura por lúpulo de qualidade,

principalmente porque esse tipo de cerveja exige maior quantidade do

produto na composição.

 

Para atender a demanda, alguns produtores iniciaram o cultivo de lúpulo

no país, já que a indústria cervejeira importa 100% do lúpulo. Desta

forma, a produção nacional de lúpulo poderá ajudar a reduzir dos

produtos que usam a planta.

 

"Se formos comparar hoje com cinco anos atrás, houve uma grande

evolução nessa nova cadeia produtiva no país. Entretanto, ainda é

muito recente esse movimento e estamos no início dos trabalhos",

explica o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo

(Aprolúpulo), Alexander Creuz.

 

Levantamento realizado pela Aprolúpulo aponta que, em 2019, o Brasil

importou 3.600 mil toneladas de lúpulo. O cultivo ainda é tímido no

país, com aproximadamente 40 hectares de área plantada.

 

Pensando em promover a cultura no país, o projeto do Mapa e IICA

pretende identificar oportunidades de trabalhos, articular parcerias

entre atores e entidades governamentais e não governamentais, elaborar

materiais de referência, além da implantação de um plano de

viabilidade técnica e economia para o cultivo no Brasil.

 

"Temos acompanhado e incentivado esta cultura, que pode ser uma

excelente fonte de renda para o pequeno produtor rural com o seu

consequente desenvolvimento social, ao mesmo tempo em que promove o

fornecimento de insumos de qualidade e baixo custo às indústrias

farmacêutica, de cosméticos e cervejeira", destaca o secretário de

Agricultura Familiar e Cooperativismo, Fernando Schwanke.

 

Atividades

 

No âmbito do projeto de cooperação, será realizado o diagnóstico da

situação atual do cultivo de lúpulo no Brasil, considerando as

iniciativas de produção existentes, as cultivares utilizadas pelos

produtores, a situação legal, os trabalhos técnicos já realizados no

país por instituições de pesquisa e ensino e o potencial de expansão

em território nacional frente aos diversos climas e condições

agrícolas existentes.

 

"O objetivo do projeto é desenvolver subsídios para o fortalecimento

de uma cadeia produtiva para o lúpulo de forma sustentável no Brasil,

de modo a promover a melhoria de renda ao produtor rural e,

consequentemente, aos demais atores da cadeia produtiva", afirma o

consultor do Mapa/IICA, Stefano Kretzer.

 

Dentre as atividades a serem executadas está a elaboração de um plano

de viabilidade técnica e econômica para o plantio comercial de lúpulo

e de um estudo sobre a estruturação da cadeia produtiva nos principais

países produtores, que possam trazer embasamento para o cultivo no

Brasil.

 

Com o intuito de apoiar o produtor rural que está iniciando o cultivo

de lúpulo, a cooperação vai elaborar e disponibilizar no portal do

Mapa um "Manual de Boas Práticas Agrícolas para a Produção de

Lúpulo".

 

Stefano Kretzer destaca que o cultivo de lúpulo no Brasil está em

desenvolvimento e tem grande potencial, em razão das boas condições

de clima, solo e da grande extensão territorial. Ele ressalta que é

preciso uma base sólida de dados técnicos, pesquisa e tecnologias para

se obter um desenvolvimento sustentável.

 

O projeto prevê ainda a organização de três eventos para

disseminação de conhecimentos técnicos a produtores e promover

discussões acerca da regularização de viveiros e cultivares.

 

Além da cooperação técnica, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e

Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) em parceria com a Ambev/Lohn

implantou uma unidade de pesquisa sobre o cultivo de lúpulo, na

estação experimental de São Joaquim.

 

Produtor

 

Alexander Creuz sempre sonhou em trabalhar no campo e, no início de

2018, começou a colocar em prática o plano de negócios elaborado

durante o curso técnico em Agronegócio por meio da criação de sua

empresa rural no município de Lages, em Santa Catarina.

 

Em uma área de aproximadamente um hectare, ele planta diversas

variedades de lúpulo. "Comecei a pesquisar a cultura da planta,

temperaturas mais temperadas para o cultivo no país e enxerguei uma

oportunidade de negócio", conta, acrescentando que pretende ampliar sua

área plantada até o final do ano.

 

O lúpulo é uma planta perene (não precisa ser plantada a cada nova

safra), com duração comercial por um período de 12 a 15 anos. A

partir do terceiro ano, a planta inicia o potencial produtivo. "Como os

plantios no Brasil ainda são recentes, ainda tem muita área que não

alcançou o potencial produtivo, tanto em quantidade quanto em

qualidade", diz Creuz.

 

O lúpulo não exige grandes extensões de terra para ser plantado e tem

alto valor agregado, por isso pode ser uma boa opção para os pequenos

produtores aumentarem a renda.

 

Um dos desafios, segundo Creuz, é a falta de equipamentos e tecnologia

específica para esse cultivo. No Brasil, apenas duas empresas

desenvolveram tecnologia e máquinas apropriadas para a produção. Com

o aumento da demanda e interesse por parte dos produtores, Creuz espera

que essas dificuldades sejam superadas.

 

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