Economia

Vendas no varejo desaceleram em setembro

Dados mostram que alguns Estados tiveram alta, como por exemplo, Minas Gerais com avanço de 10,5%

16/10/2020 05h00
Por: Redação

Após quatro altas consecutivas, as vendas no varejo em setembro tiveram

leve queda de 0,8%, com ajuste sazonal. O movimento foi impactado,

principalmente, pelos segmentos de Supermercado e de Materiais para

Escritório. O resultado é revelado pelo IGet, Índice do Departamento

Econômico do Santander, que analisa o desempenho do comércio varejista

brasileiro com base nas transações de pagamentos de mais de 200 mil

estabelecimentos clientes da Getnet, empresa de tecnologia do Banco

especializada em soluções digitais de meios de pagamentos.

 

Dados até agosto reforçavam que a economia estava se recuperando

sequencialmente desde abril, com alguns setores operando próximo ou

acima do observado no pré-crise. “Todavia, os números de setembro

sugerem atenção para uma possível desaceleração em curso. Esse

resultado pode ser indício de um arrefecimento do consumo. Em outubro,

é muito provável que a redução do valor do auxílio emergencial

traga novos impactos no varejo”, explica Gustavo Sechin, diretor

financeiro da Getnet.

 

Para Lucas Maynard, economista do Santander Brasil, o varejo deve

apresentar ganho nos próximos meses, porém com ritmo menor. “Com a

reabertura das atividades econômicas, deve haver recomposição do

consumo dos brasileiros, por conta da retomada do setor de serviços",

completa.

 

No conceito varejo restrito, apenas o segmento Supermercados teve queda

de 4,2% sobre agosto. Segundo analistas, esse déficit pode ser

explicado pelo aumento de preços dos alimentos. Materiais de

Escritório também vieram em queda (-2,8%). No varejo ampliado, o setor

de Materiais de Construção reduziu as vendas em 4,3%.

 

Na contramão, o setor Vestuário superou a marca pré-crise com alta de

5,7%, possivelmente devido ao incremento nas vendas online. O segmento

Móveis e Eletrodomésticos registrou novo ganho sequencial de 5,3%,

refletindo ainda o efeito sobre o padrão de consumo das famílias que

passaram mais tempo em casa devido às medidas de isolamento social,

segundo o IGet.

 

Na comparação com setembro de 2019, observa-se variação positiva, de

25,7%. Considerando o índice ponderado para o varejo restrito do IBGE,

a queda mensal é discreta, de -0,1%, também descontados fatores

sazonais. No entanto, ao comparar com o mesmo mês de 2019, a alta foi

de 26% anual.

 

Análise regional

 

Os dados do IGet mostram ainda que Rondônia e Amapá tiveram queda nas

vendas de varejo em setembro, com -3,5% e -3,6%, respectivamente. Outros

estados, no entanto, fecharam o mês em alta, como Paraná (10,7%),

Minas Gerais (10,5%), Piauí (7,9%) e Maranhão (7,8%). Já São Paulo

(2,9%) e Rio de Janeiro (2,3%) tiveram discreto crescimento. A região

Sudeste como um todo ficou com alta de 5,7%. O Sul do País liderou com

6,8%, enquanto o Norte teve menor percentual de crescimento, de 1,8%.

 

Metodologia

 

O Departamento Econômico do Santander adota o método “same store

sales” (vendas de uma mesma loja) para a elaboração do IGet, com uma

análise das vendas físicas e no e-commerce de estabelecimentos de

diferentes tamanhos, segmentos e regiões.

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