Geral

Pandemia aumenta risco no trânsito

Doença dobra a chance de acidentes no trânsito

17/10/2020 05h00
Por: Redação

A pandemia de COVID-19 provocou uma queda dramática no Brasil do

número de cirurgias de catarata realizadas no Brasil. Levantamento do

CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) mostra que de 2009 a 2019 a

cirurgia teve um gráfico de ascensão continua. O problema -é que de

março a agosto deste ano foram realizados 204 mil procedimentos contra

311 mil no mesmo período de 2019. Os dados são do DATASUS que atende a

maior parte dos brasileiros.

 

Segundo o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz

Neto, perito em Medicina do Trânsito e membro da Associação

Brasileira de Medicina do Tráfego (ABRAMET) o relatório do DATASUS é

alarmante. Isso porque, estudos mostram que a catarata dobra o risco de

acidentes no trânsito. Além desta redução nas cirurgias, comenta,

parte dos motoristas estão dirigindo com carteira vencida por causa da

interrupção dos exames de renovação neste período. Pior: O número

de brasileiros com mais de 60 anos esta aumentando e a maior causa da

doença é o envelhecimento. Outras causas elencadas pelo oftalmologista

são o uso permanente de corticoide, alta miopia, diabetes e traumas

oculares.

 

Sintomas

 

Queiroz Neto afirma que a catarata torna opaco nosso cristalino, lente

interna do olho. Quanto mais progride, menor a agilidade na direção.

Isso porque, a visão responde por 85% da nossa integração com o meio

ambiente e, portanto, está diretamente relacionada ao reflexo no

trânsito que vamos perdendo conforme envelhecemos Não por acaso, a

última pesquisa nacional de saúde realizada pelo IBGE (Instituto

Brasileiro de Geografia e Estatística) para o Ministério da Saúde

mostra que entre 60 e 64 anos 6,8% dos brasileiros afirmam ter  alguma

dificuldade para dirigir. Dos 65 aos 70 anos 12,2% e aos 75 anos ou mais

chega a 39,2%.  Os principais sinais de alerta que indicam catarata

são:

 

        * Mudança frequente do grau dos óculos.

        * Perda da visão de contraste.

        * Diminuição da visão de profundidade

        * Visão de halos ao redor da luz.

        * Dificuldade de enxergar à noite ou em ambientes escuros.

        * Aumento da fotofobia (aversão à luz) a ponto de gerar cegueira

momentânea causada por faróis contra.

 

Diagnóstico

 

O oftalmologista afirma que o diagnóstico de catarata é feito em uma

consulta oftalmológica de rotina. A maioria das pessoas nem desconfia

ter a doença logo no início porque a visão não sofre alterações

perceptíveis. Por isso, é comum a cirurgia só acontecer depois de

meses e em alguns casos mais de um ano após o diagnóstico. O

especialista ressalta que o momento certo de operar é quando começa

ficar difícil realizar tarefas cotidianas como trabalhar no computador

ou ler placas de trânsito. Esperar a catarata madurar torna a cirurgia

mais perigosa. "A catarata muito madura impede a  visualização do

fundo do olho e a chance de lesão na capsula do cristalino onde é

mplantada a lente intraocular.

 

A cirurgia

 

A cirurgia é ambulatorial e feita com anestesia local. Queiroz Neto

explica que consiste em aspirar o cristalino opaco com ultrassom

através de um pequeno corte feito no canto da íris, parte colorida do

olho, e implantar uma lente intraocular no espaço do cristalino. A boa

notícia é que a cirurgia hoje pode ser feita de forma personalizada.

Significa que além de eliminara opacidade, corrige vícios de

refração e pequenas imperfeições. O laser de femtosegundo tornou o

procedimento maus seguro e preciso porque eliminou a imprecisão natural

dos cortes manuais. Quem já teve a indicação de cirurgia não deve

continuar adiando a operação por medo de contaminação pelo sar-cov-2

"Em menos de meia hora é possível resgatar a autonomia e na maioria

dos casos se livrar dos óculos para corrigir miopia ou astigmatismo",

conclui.

 

 

 

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