Coluna

Cultura

Luiz Hozumi

Luiz Hozumi

Luiz HozumiProdutor cultural, publicitário, especialista em gestão e políticas culturais. [email protected]

18/10/2020 05h00
Por: Redação

SERÁ QUE AINDA VAMOS NOS ENCONTRAR?

Sempre achei muito difícil escrever sobre cultura, nunca me senti especialista na área e então me conforto em colocar no papel apenas uma opinião coerente com as experiências que tenho e com o que observo do mundo. Um mundo que só consigo expandir através dela, a própria cultura. Porém, com a pandemia de Covid-19 parece que a dificuldade em escrever sobre o tema aumentou. Fico assim, investigando sensorialmente os motivos de tanta dificuldade e percebo que meu mundo contraiu, ficou menor, tá reprimido, um tanto cinza, sem graça e sem vida. Para mim, o mundo real ficou meio perdido entre o turbilhão de informações das redes. O on-line está tão forte que não consigo me conectar a nada. Falta o toque, falta o físico, falta a fala, falta o sorriso, falta a presença. Falta tanta coisa que a gente nunca imaginou que faltaria.

E faltam vidas. O luto pelas mais de 150 mil pessoas que se foram é um poço fundo de tristeza, revolta e pouquíssimo entendimento. A pandemia não acabou. No Brasil ainda enfrentamos a falta de conhecimento e informação, ainda enfrentamos tantos radicalismos que o enfrentamento à doença vai ficando em segundo plano. Dessa forma, o mundo de cada um vai ficando cada vez menor e as experiências ficam tão intangíveis quanto os infindáveis dados que transmitimos sem ver e, a cada segundo, mais e mais. A vida, esse sopro, que agora ainda depende mais do wi-fi do que da vacina. Sempre achei difícil escrever sobre qualquer coisa e já nem sei onde a cultura me encontra nessas palavras perdidas. Será que ainda vamos nos encontrar?

 

PODCAST CULTURAL

O Ao Avesso - História da Arte com Liz Calife foi idealizado pela professora de artes e mestre em educação Lizandra Calife Soares e produzido pelo publicitário Tchielicson Flauzino Benke. Com o intuito de possibilitar a acessibilidade a assuntos artísticos e culturais foi criado esse programa mãe durante o isolamento social iniciado em março de 2020. O programa tem duas formas de veicular à arte através de podcasts. A primeira é a leitura de livros no programa chamado Ao Revés da Obra e a segunda forma é pela rodada de bate papos culturais com convidados de várias áreas no programa denominado de Revirando a Arte. No Ao Revés da Obra atualmente está acontecendo a leitura do livro de Ouro da Mitologia de Thomas Bulfinch, da Ediouro, edição de 2002. Após a finalização da leitura sobre mitos gregos e romanos será lido livros sobre a mitologia e lendas Egípcias, Africanas e Orientais para concluir com a iconografia cristã e relacionar toda a temática espiritualista e religiosa na Arte. Já no Revirando a Arte a conversa aconteceu e continuará acontecendo nas temáticas de filosofia, história, beleza e feiura, vida profissional na arte, semana de arte moderna no Brasil, música, teatro e palhaçaria, publicidade, psicologia, costura criativa e até uma entrevista com a idealizadora do programa Liz Calife feita em parceria com o Um ponto na Live. Todo o conteúdo pode ser acessado pelo site: www.historiadaartecomlizcalife.wordpress.com aonde é possível ver curiosidades sobre a história da arte, ser direcionado para o canal de podcasts do Ao avesso pela plataforma Spotify e descobrir mais sobre os convidados e as indicações citadas nos bate papos. O Ao Avesso está também disponível nas plataformas de podcasts: Anchor, Breaker, Google Podcast, RadioPublic e Pocket Casts além do Spotify. Há ainda a possibilidade de diálogos através dos canais do Instagram (@aoavesso_lizcalife) e do Telegram (t.me/aoavesso_lizcalife) que trazem mais curiosidades e ações do programa.

Outros colaboradores dos podcasts são: David Santos na locução, Pedro Amui na vinheta inicial, Jonas Neto e Rafael Castro nas vinhetas finais. Fotos de PH fotografias.

 

DOCUMENTÁRIO CONTA A HISTÓRIA DE FAMÍLIA DE ARTESÃOS

Foram seis anos de registros e filmagens por uma equipe de Israel do documentário sobre a Vilá Barroló, comunidade familiar e rural de artesãos, hoje instalados em Conceição das Alagoas. O filme de Ofer Freiman leva o nome de “Leaving Paradise” e teve sua estreia no 36° Festival de Haifa onde já foi contemplado com o prêmio de melhor documentário. Vale conhecer a história da Vila Barroló e toda arte que produzem. Que o documentário estrei em breve em terras brasileiras. 

 

A METRÓPOLE IMAGINÁRIA, QUE LIVRO É ESSE?

A Metrópole Imaginária conta a história do complexo circuito de autoafirmação que as elites da cidade de Uberaba (MG) confabularam em meados do século XX para criar e acreditar na ilusão de que viviam em um centro urbano privilegiado, prestes a irradiar cultura, elegância e civilização para todo o Brasil. 

Para isso, em um processo dinâmico de invenção das tradições, esses atores sociais, conscientes de que precisavam dominar uma série de recursos dramatúrgicos para encenar aquela idealização – tal como palcos, cenários, figurinos, poses e discursos – aprenderam a manipular toda uma trama de narrativas e transformaram o noticiário da imprensa local em uma verdadeira ficção consentida. Contudo, ao lado da aparentemente inofensiva linguagem dourada nas colunas sociais, a obsessão por toda aquela teatralização se revela como uma prática política deliberada para firmar valores, obter consentimentos, distribuir e confirmar papeis sociais, circunscrever os símbolos de prestígio, consagrar figuras públicas, estigmatizar os grupos indesejáveis e, por fim, legitimar as violências físicas e simbólicas perpetradas naquela cidade empobrecida e desigual. Nesse sentido, em uma confirmação involuntária de suas ilusões de grandeza, aquelas elites decadentes e impotentes se tornaram um exemplo paradigmático de um país aprisionado em uma triste ficção: um limbo entre a nostalgia e a utopia. A Metrópole Imaginária está em fase final de produção editorial e tem lançamento previsto para o final de outubro. A obra é o resultado de 10 anos de pesquisa nos arquivos dos jornais Lavoura e Comércio e O Triângulo, entre centenas de documentos. O livro será lançado pela editora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com tiragem limitada. A versão em PDF será disponibilizada gratuitamente. O autor é André Azevedo da Fonseca que é de Uberaba, professor e pesquisador no Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Foi professor e coordenador do curso de Comunicação Social da Universidade de Uberaba (Uniube) e professor visitante na Universidad Complutense de Madrid. Doutor em História (Unesp), com pós-doutorado no Programa Avançado de Cultura Contemporânea (UFRJ). Autor de Cotidianos culturais e outras Histórias (2004) e A Construção do Mito Mário Palmério (2012). Coordena o Grupo de Pesquisa Comunicação e Imaginação Social (Imagicom). 

 

SEXTA DO TEATRO

O Projeto Sexta do Teatro conversa com Eduardo de Paula (José Eduardo de Paula): professor de teatro, diretor e ator. Pós-doutor (Dipartimento delle Arti, Università di Bologna - DARvipem/UNIBO, Itália; 2018-2019), Doutor (2015), Mestre (2011) e Bacharel (1998) com Habilitação em Interpretação Teatral, ambos em Artes Cênicas (Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo ; ECA/USP). É professor adjunto na Universidade Federal de Uberlândia, onde atua no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGAC) e no Curso de Teatro, Instituto de Artes (IARTE/UFU). O encontro que acontece sempre às sexta e em cada edição com um convidado especial será no dia 23/10 às 19h no Instagram: @sextadoteatro.uberaba, a mediação fica a cargo da atriz e pesquisadora Luana Rodrigues e a Produção é do Projeto Sexta do Teatro.

 

 

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