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GEÓLOGOS UBERABENSES: AVELINO INÁCIO DE OLIVEIRA

Guido Bilharinho

18/11/2020 04h00
Por: Redação

Entre os quatro considerados maiores geólogos brasileiros do século XX três são os uberabenses Avelino Inácio de Oliveira (1891-1970), Pedro de Moura (1901-1988) e Glycon de Paiva (1902-1993).

         Avelino Inácio de Oliveira graduou-se em 1916 como engenheiro na Escola de Minas de Ouro Preto, indo trabalhar na Amazônia, onde, de 1918 a 1933, chefiou as pesquisas promovidas na área pelo Governo Federal.

         De retorno ao Rio de Janeiro, passou a prestar serviços no Departamento Nacional da Produção Mineral, do Ministério da Agricultura, no qual desempenhou funções de direção na Divisão de Fomento do decorrer do final da década de 1930 até ser alçado, de 1951 a 1961, diretor-geral do referido Departamento.

         Integrou ainda o Conselho Nacional do Petróleo, no qual foi diretor-técnico e vice-presidente.

         Na célebre controvérsia sobre a existência de petróleo no Brasil teve decidida participação, contribuindo para esclarecimento de relevantes questões relacionadas com o assunto.

         Deixou inúmeros ensaios científicos referentes às pesquisas efetuadas na área de sua especialidade, a respeito, exemplificativamente, da barita de Araxá (1936), recursos minerais do Rio Branco (1937), adubos fosfatados (1937), cobre no Rio Grande do Sul (1943), possibilidades minerais da Amazônia (1943), minérios de ferro e manganês de Urucum (1943, este em colaboração com seu conterrâneo Pedro de Moura), ensaios estes relacionados por Oton Henry Leonardos no capítulo “A Mineralogia e a Petrografia no Brasil”, constante do vol. I do notável “As Ciências no Brasil”, organizado por Fernando de Azevedo.

         Além desses trabalhos, destacou-se como coautor, juntamente com Oton Henry Leonardos, do livro “Geologia do Brasil”, editado em 1940, sendo considerado como a maior autoridade do Brasil em questões geológicas e exploração de petróleo na década de 1940.

         Em Uberaba foi homenageado com a designação de seu nome para o Diretório Acadêmico da Escola de Engenharia do Triângulo Mineiro, fundada por Mário Palmério em 1956.

         Assinalada, ainda, sua contribuição – juntamente com as de Pedro de Moura, Glycon de Paiva e outros geólogos para estudos geográficos no Brasil, ínsita nos diversos ensaios que elaboraram – pelo geógrafo José Veríssimo da Costa Pereira no ensaio “A Geografia no Brasil”, capítulo do vol. I do citado “As Ciências no Brasil”, ao afirmar, à p. 368, que muitos geólogos “passaram a fazer também geografia durante as suas pesquisas específicas de geologia. Lançados, desse modo, num vasto e complexo campo de investigações, os geólogos não só o cobriram com galhardia como chegaram até, na falta de geógrafos cientificamente qualificados, a enxertarem suas monografias e outras publicações, com matéria alheia quase por completo ao domínio próprio dos estudos geológicos”, sendo que “vários deles ligaram diretamente seus nomes à obra da geografia no Brasil”.

 

Guido Bilharinho - Advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, fotografia, estudos brasileiros, História do Brasil e regional editados em papel e, desde setembro/2017, um livro por mês no blog https://guidobilharinho.blogspot.com.br/

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