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Vinhos & tal

Carlos Alberto Pereira

Carlos Alberto Pereira

Carlos Alberto PereiraEnófilo, Jornalista, Tecnólogo em Turismo e Hotelaria. Contato: [email protected] / 98412-6446

22/11/2020 04h00
Por: Redação
Coxinha
Coxinha

VINHO E COMIDA DE BOTECO

 

Há um equivoco muito grande no Brasil quando o assunto é consumo de vinho. Não sei porque razão, o levaram a um patamar inacessível às pessoas mais simples e sempre vincularam o seu consumo a uma certa cerimônia, cheia de “frescuras” e luxo. O “certo” é que o vinho é bebida de rico: e pronto! Aliás, e a bem da verdade, até se permite o consumo de vinhos, para pessoas de classe econômica mais simples, mas sempre são àqueles vinhos By Pergóla ou o famoso Sangue de Boi, envasado naqueles garrafões de 3 ou 5 litros e vinificados com uvas americanas, são os  vinhos suaves, que em muitos casos é adicionado o açúcar para se tornar mais palatável! E vou dizer uma coisa, estes vinhos tem um consumo extraordinário e são mais representativos que os vinhos de castas vitiviníferas europeias, os chamados vinhos finos!  Muitos vão fizer que é o preço alto e os aviltantes impostos que não permitem o consumo; que é a falta de cultura e tradição; que os mais simples não gozam de um paladar mais refinado e outras loucuras mais. Enfim, como dizem que o vinho “é para classes de melhor poder aquisitivo”, se criou também, uma linguagem muito complexa entorno dele. É comum as pessoas dizerem, não tomo vinho porque não sei nada sobre ele e acho muito complicado!

Sei que muitos vão torcer o nariz com o que estou a registrar aqui, mas infelizmente, ainda, há muito de verdade! E também, há de se considerar que é um tema muito polêmico, que sem dúvida, renderia páginas de discussão sobre o mesmo!

Mas sem querer comparar o nosso país com os demais, o certo é que  esta cerimônia é só por aqui mesmo , por lá (não só no primeiro mundo, mas em muitos países aqui das Américas), o vinho além de ser considerado um alimento (e não  bebida alcóolica como é por aqui), ele faz parte do cotidiano das pessoas e é comum servi-lo em qualquer mesa, acompanhando uma refeição trivial!

Depois, como o vinho é considerado sofisticação, cria-se o mito que o mesmo só combina com pratos “gourmet” e caro: outro grande engano! E para desmistificar isso, fiz uma boa pesquisa aqui, para saber se vinho harmoniza com pratos simples, como as tradicionais “Comidas de Boteco”! Assim sendo, vou destacar aqui alguns petiscos bem simples que fazem parte da nossa culinária diária e em especial, como tira-gosto, num bom boteco! Então, vamos a elas!

 Pastel

Vamos começar pelo  pastelzinho, aquele que também  vendido nas feiras livres, todos acham que uma cachaça ou uma cerveja bem gelada é o melhor acompanhamento ( o que não deixa de ser verdade) mas ele  pode ficar ainda melhor com um bom vinho, pois ele limpa a gordura da fritura na boca e combina muito bem com os mais variados recheios. O ideal é a combinação que deve ser feita com vinho tinto, embora, acho que um espumante pode também ser uma boa pedida. As uvas tintas mais indicadas são: Pinot Noir, Carménère e Merlot.

Coxinha

Coxinha, que iguaria de nossa culinária que é a paixão dos brasileiros! Mas o que beber junto de uma coxinha? Nada de refrigerante ou cerveja. Acho que harmoniza bem com um vinho branco elaborado com a uva Sauvignon Blanc, por exemplo. Pois este vinho tem bastante frescor e acidez bem proeminente, o que ajuda a ‘limpar’ a gordura, sem, contudo, não brigar com a carne branca da galinha ou frango desta coxinha!

Fígado à milanesa 

Em Minas Gerais, e mais precisamente nos inúmeros botecos de nossa capital, um petisco que é tradição é o famoso fígado à milanesa e neste caso, tem que ser um tinto sem muitos taninos, com uma boa acidez. Ai, a nossa indicação é um vinho brasileiro de casta Merlot, daqueles feitos no Rio Grande do Sul, que são primorosos e bem interessantes.

Língua

 Pratos feitos com miúdos é muito comum em vários países europeus, não é culinária só de terceiro mundo. A língua é um deles, e são bem versáteis, pois apresentam gosto suave e textura diferenciada. Quando feita ao molho madeira acompanhe-a com um bom vinho português tinto, de preferência do Alentejo. Já nos pratos onde o molho de tomate se destaca, e oferece uma boa acidez, um vinho mais estruturado como um Barbera italiano, pode ser uma boa opção.

Rabada

Rabada é um prato delicioso, e a carne grudada nos ossos, pedem um bom tempo de cozimento e traz um sabor sem igual. Mas tem que tomar cuidado, pois é bem gorduroso e se não harmonizar com o vinho certo, com certeza o fígado vai reclamar no dia seguinte! Assim sendo, este prato demanda um preparo esmerado, por isso, está entre os grandes preparados gastronômicos do mundo. Na Espanha pode ser servido com uma casta Tempranillo de Ribera Del Duero, na França com a casta Grenache, como destaque em um Chateneuf Du Pape e na Itália com um Brunello di Montalcino ou um Carmignano, feito com a uva Sangiovese.

Sanduíche de churrasco

 Assim como os hambúrgueres, o sanduíche de churrasco, onde vai um bom corte bovino, queijo (de preferência canastra) cebola caramelizada, maionese com ervas finas e tomate em um pão francês, fazem um casamento perfeito com os vinhos estruturados! E para aguentar a força da carne e do queijo derretido a indicação são os Bordeaux que vão sempre bem! Mas outras boas sugestões de harmonização são àqueles de casta Cabernet Sauvignon (melhor sem madeira) e Syrah.

 

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