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Hino Nacional Brasileiro e Hino à República

Arahilda Gomes Alves

Reflexões

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22/11/2020 04h00
Por: Redação

Assim como há curiosidade em saber quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha, a motivação com que interrogava, nas aulas de Canto Coral, ao contar sobre o histórico do nosso Hino Nacional, era colocada na sala, interrogando: quem nasceu primeiro, a letra ou a música do nosso hino? Às vezes, escrevia na lousa o primeiro verso invertido, como era de praxe na época e deixava-os decifrar onde estaria o sujeito.

Tudo isso para que a classe cantasse nosso Hino com arte e civismo. Contava sobre o hino de Leopoldo Miguez e Medeiros e Albuquerque, que nos albores da República, fora o hino escolhido em concurso para ser nosso Hino maior. Cabecinhas ávidas, curiosamente, faziam perguntas, as mais inusitadas. Por que não fora conservado? Será que em todo concurso, vencedores são escolhidos por antecipação? A História o renegou pelas metáforas, poema de difícil entendimento? Mas o tempo o consagrou...

Narrando: a música de Francisco Manoel composta na abdicação de Pedro I em 1830 permaneceu por cem anos e as letras eram adaptáveis de acordo com os fatos a serem exaltados. Marechal Deodoro da Fonseca, no período republicano abriu concurso para escolher o que viria a ser nosso Hino Nacional, como dissera acima. Mas, o júri preferia o velho hino, quando Osório Duque Estrada adaptou a letra que conhecemos à bela música de Francisco Manoel.

E o que decidiram com o hino vencedor em concurso? Passou a ser nosso Hino à Proclamação da República, perfeito na sua estrutura sonora e poética: Seja um pálio de luz desdobrado/Sob a larga amplidão destes céus... E que se comemorou a 15 deste novembro pandêmico recoberto com eleições municipais. Esperançoso sobre um grito de “Glórias, que fale/de esperanças de novo porvir!

Voltando ao hino maior, lástima, ouvir nosso hino cantado, cheio de vícios de linguagem e de entonação. Colocam: braços fortes, no plural, a preposição de um sonho, por que na segunda parte existe o Brasil, de amor eterno... Só associar que, na parte um, sonha-se e na parte dois, vem o amor eterno... E na sua execução cantada, conforme decreto, obriga-se cantar as duas estrofes, que, acredito, não voltar à outra parte, com a introdução. Afinal, o nome já o diz. O que muitos interpretam repetir tudo, na integra, o que discordo. Que se faça a letra do canto completo e na tonalidade adaptável à voz (Fá maior). Mas se só orquestrado, executa-se somente a primeira parte em tonalidade brilhante de si bemol.

Quando fui explanar sobre nosso Hino Nacional, numa formatura do Sesi, um aluno veio a mim concluindo: Agora gostarei de cantar o Nino Nacional!

 E você descobriu o sujeito nessa oração invertida? ” Ouviram, do Ipiranga, as margens plácidas/De um povo heroico, o brado retumbante”

Observe: as margens plácidas, não tem crase...

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