Artigo

O racismo está vivo

Paulo César de Oliveira- jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil e jornal TudoBH

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24/11/2020 04h00
Por: Redação

Não, o assunto não pode morrer. A indignação não pode ser sufocada. Mas precisa ser real, não política apenas. Não mentirosa ou medrosa. Os ousados, os covardes, sim, são violentos, mas covardes não pode prevalecer sobre nosso medo nossa timidez. Covardes não são apenas os que se omitem, são também aqueles que negam os fatos, que expõe seu próprio racismo, seus preconceitos com teorias conspiratórias, negando realidade que viveram ao longo de suas vidas profissionais. São figuras nefastas à causa da igualdade, da convivência fraterna. Tão nefastas quanto os que se apropriam da causa para fazer política barata, disseminando o ódio, fingindo que buscam a concórdia. São tão criminosos quanto os que agridem e matam por causa da cor ou da condição social. São criminosos por, ao imporem o terror, aumentam e alimentam o ódio, mesmo que latente. Lutar por uma causa não significa agredir, impor o terror, destruir patrimônios. Lembrem-se de que a cada ação corresponde uma reação em sentido contrário e maior intensidade. A luta precisa e deve continuar, mas de forma civilizada. Uma luta que precisa envolver a igualdade social. A igualdade de oportunidades pois as diferenças sociais, fruto da diferença de oportunidade econômica,  estimula a revolta, mesmo que latente, e até justifica a marginalidade. É preciso combater o bom combate com a violência da paz, do bom senso, do amor. Cito aqui como exemplo, por conhecer bem o trabalho, o modelo de ação da advogada e professora universitária Kátia Vanessa Pires, de Montes Claros, incansável no combate ao racismo e na busca de convivência pacífica entre as pessoas e no respeito a diferenças. Não, o João Alberto, brutalmente assassinado em Porto Alegre, por dois seguranças do Carrefour e por quinze testemunhas omissas e covardes, tem que ficar insepulto para nos incomodar. Para mexer com nossos sentimentos e despertar em nós a capacidade de promover e exigir mudanças. Sim, porque há milhares de joãos, josés, manés, vivos ou mortos, vítimas deste comportamento hipócrita de negarmos o que sabemos existir no país. É urgente que todos nós nos tornemos militantes desta luta. Que tenhamos a coragem de assumir, sem falsos moralismos e pieguices, punição mais severas para este tipo de crimes. Os que praticam crimes de racismo, preconceitos e correlatos, não podem continuar sendo punidos de forma branda. Não podem ser acobertados com base nos direitos humanos pelo simples fato de que, ao agredir alguém, de qualquer forma, por se achar superior, abriu mão da condição de humano e agiu de forma animalesca. Atenção, não estou pedindo que se aja contra este tipo de pessoa com a mesma violência empregada por ela. Proponho apenas punição mais rígida para ser cumprida integralmente, sem benefícios e sem interferências de juízes benevolentes ou simplesmente falsos contestadores.

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