Nacional

Deputado volta a cobrar de Bolsonaro provas de fraude nas eleições brasileiras

Célio Studart é autor de ação popular apresentada em 2020; defesa do presidente se recusou a comprovar as acusações durante o processo

08/01/2021 04h00
Por: Redação

Autor de ação popular que cobrava de Jair Bolsonaro a apresentação
das provas que o presidente da República diz ter sobre supostas fraudes
nas eleições de 2018, o deputado federal Célio Studart (PV-CE) voltou
nesta quinta-feira (7) a pedir ao Presidente que comprove sua acusação
diante de novas declarações colocando em xeque o sistema eleitoral
brasileiro.

  Um dia após a invasão do Congresso americano por apoiadores de Donald
Trump, Bolsonaro disse que a falta de confiança nas eleições levou a
esse desfecho e que no Brasil vai ser a mesma coisa ou até pior do que
nos Estados Unidos se a eleição de 2022 for apenas por urna
eletrônica, sem voto impresso.

  "Se o Presidente tem certeza de que nossas urnas podem ser fraudadas,
por que não apresenta logo tais provas? Qual o interesse em esperar
até 2022? Se ganhar: ok! Se perder: caos?  Vamos aceitar isso no Brasil
também?", questionou Célio em seu pergil no Twitter.

  Em abril de 2020, o deputado protocolou, na Justiça Federal do Ceará,
a ação popular. O documento foi assinado, inclusive, pelo advogado
Márlon Reis, um dos idealizadores e redatores da Lei da Ficha Limpa e
fundador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral. Em maio, a
defesa do presidente Jair Bolsonaro se recusou a entregar à Justiça as
provas que diz ter sobre supostas fraudes. Em setembro, a ação foi
arquivada.

  No ano passado, por mais de uma ocasião, Bolsonaro fez referências a
supostas provas de que teria vencido no primeiro turno, mas nada
apresentou até agora. Em março de 2020, durante palestra em Miami
(EUA), disse tê-las "nas mãos". "E nós temos não apenas palavra,
nós temos comprovado. Brevemente eu quero mostrar, porque nós
precisamos aprovar no Brasil um sistema seguro de apuração de votos.
Caso contrário, passível de manipulação e de fraudes", afirmou na
ocasião.

  Em abril daquele ano, após ser cobrado pela imprensa em frente ao
Palácio da Alvorada sobre a apresentação das provas, o presidente da
República limitou-se apenas a dizer que o faria juntamente com um
projeto de lei sobre o tema, sem mencionar qualquer data, além de ter
alegado não ter obrigação de apresentá-las à imprensa. Até o
momento, suas acusações carecem de qualquer evidência ou prova
concreta.

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