Saúde

Ferramenta inédita para diagnóstico precoce de transtornos alimentares é desenvolvida na UFMG

O Brasil ainda não tinha uma ferramenta de rastreio tão simples, curta e de fácil aplicação para a identificação do risco de anorexia e bulimia, por exemplo

10/01/2021 20h15
Por: Redação

A equipe do Núcleo de Pesquisa em Vulnerabilidade e Saúde (Naves) da Faculdade de Medicina da UFMG desenvolveu uma nova ferramenta para o diagnóstico precoce de anorexia, bulimia e o transtorno do comer compulsivo. Chamada de SCOFF-BR, trata-se de um questionário curto, com cinco perguntas rápidas e que pode ser utilizado por qualquer profissional de saúde ou mesmo pessoas leigas na identificação do risco desses transtornos alimentares, os quais podem ser incapacitantes e ocasionar muito sofrimento. 

O professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina, Frederico Garcia, coordenador da pesquisa e do Naves, comenta que as escalas já traduzidas e adaptadas no Brasil quase sempre são longas, demandam muito tempo para serem preenchidas e avaliadas, além de não estarem disponíveis gratuitamente. De acordo com ele, a SCOFF-BR resolve essas limitações e alerta o profissional de saúde na avaliação do paciente, mostrando o risco para algum transtorno alimentar. Assim, o profissional pode aprofundar ou não sua busca por informações sobre o comportamento alimentar da pessoa, o que gera economia de tempo e maior eficiência na avaliação.

“Nossa equipe tem uma preocupação em trazer inovações que melhorem a vida dos nossos pacientes e dos profissionais de saúde. A SCOFF-BR é uma ferramenta simples que pode ajudar muitas pessoas que quase sempre não são diagnosticadas com transtornos alimentares. Esperamos que as equipes de saúde da família possam beneficiar seus pacientes utilizando a SCOFF-BR”, afirma o professor Frederico Garcia.

Confira o questionário da SCOFF-BR:

 

 

Se a pessoa responder de forma positiva a pelo menos duas questões, é indicado consultar um médico. O diagnóstico de transtorno alimentar só pode ser feito por um especialista, que além das respostas do paciente, irá avaliar outros fatores.

Garcia explica que os transtornos alimentares são doenças psiquiátricas que acometem sobretudo adolescentes e adultos jovens. Eles produzem alterações importantes no comportamento alimentar e na forma com que a pessoa percebe seu próprio corpo, levam a pessoa a se privar da alimentação, a estar constantemente insatisfeita com o próprio corpo ou até ter crises em que comem grandes quantidades de alimento e podem se fazer vomitar.

Além disso, por ser uma válvula de controle da ansiedade para muitos pacientes, os transtornos alimentares podem ter sua prevalência aumentada durante momentos de catástrofes, como o que acontece com a pandemia pelo coronavírus. Por isso, o professor recomenda a gestão da ansiedade por outros meios que não a comida, como a meditação, a psicoterapia e atividades físicas aeróbicas moderadas. “É importante que a pessoa procure ajuda de um psiquiatra para avaliar se a mudança de comportamento alimentar pode ser um transtorno. Quanto mais precoce a abordagem maior as chances de melhora do transtorno”, conclui Garcia.

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