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Cepa do Amazonas do coronavírus gera mais carga viral

Estudo mostra que a pessoa infectada com a P.1 pode ter até dez vezes mais vírus em seu organismo

02/03/2021 04h00
Por: Redação
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Um estudo coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Amazônia constatou que a carga viral de pacientes contaminados pela cepa P.1 do novo coronavírus (SARS-CoV-2), uma variante provavelmente desenvolvida no Amazonas, é bem maior do que em pacientes com outras cepas que circulam no Amazonas. O SARS-CoV-2 é o vírus que causa a covid-19. As informações são da Agência Brasil.

O Ministério da Saúde já afirmou que esta cepa P.1 foi encontrada em 17 estados, um deles é Minas Gerais, onde foi confirmado seis casos, exatamente os seis casos registrados de Uberaba, encontrados nos pacientes que vieram de Manaus para tratar no município.

O artigo que divulga os dados da pesquisa, realizada entre março de 2020 e janeiro deste ano, foi assinado por 29 especialistas, mas ainda falta ser oficialmente publicado. O texto está disponível na plataforma Research Square, que permite que artigos sejam debatidos por especialistas antes da publicação em uma revista científica.

De acordo com o estudo, a pessoa infectada com a P.1 pode ter até dez vezes mais vírus em seu organismo do que as contaminadas por outras variantes. E esse pode ter sido o motivo que levou a cepa de Manaus a se espalhar tão rápido pelo Amazonas.

A carga viral de P.1 não varia entre homens idosos e adultos de outras idades. Também não houve diferença na carga viral de homens e mulheres, por isso ela pode ser igualmente transmissível por qualquer pessoa acima de 18 anos. E isso é diferente do que acontece com as outras cepas, em que os homens idosos têm uma carga viral mais alta.

Segundo o pesquisador Felipe Naveca, o aumento da quantidade de vírus no nariz e na garganta amplia a possibilidade de transmissão. No entanto, ter uma maior carga viral não necessariamente piora a situação da covid-19 no paciente.

 

Evolução da cepa – A P.1 teria evoluído de uma outra cepa que circulava pelo Amazonas - a chamada B.1.1.28 - em novembro de 2020 e foi detectada pela primeira vez em Manaus em 4 de dezembro. Foi necessário um tempo inferior a dois meses para que a nova variante passasse a ser a causadora da maior parte dos casos de covid-19.

“O problema do vírus ficar circulando muito tempo, quando houve também uma queda do distanciamento social, favoreceu o surgimento da P.1”, explicou Naveca.

Quanto mais o vírus circula, maiores são as chances de ele sofrer novas mutações que podem ser, inclusive, resistentes às vacinas produzidas atualmente. Para Naveca, estudos ainda estão sendo feitos sobre a eficácia da vacina contra a variante P.1, mas ainda não há conclusão.

 

Uberaba – Importante relembrar que o Hospital Regional recebeu 18 pacientes de Manaus para tratarem de Covid-19 em Uberaba, no dia 24 de janeiro. Todos eles foram submetidos a exames para detectar a presença do vírus Sars-Cov-2. Segundo informações passadas à imprensa, “destes, 13 testes apresentaram detectável, com resultados liberados no dia 27 de janeiro”. O hospital disse que tentou fazer a análise genômica de todos os pacientes para saber quem estava contaminado pela nova variante do coronavírus, mas apenas seis amostras tinham material genético suficiente para o procedimento. ‘O resultado mostrou que todas as seis amostras sequenciadas foram classificadas como linhagem/variante P.1”.

Como apenas seis amostras tinham material genético suficiente para fazer o procedimento, não seria exagero dizer que mais pessoas poderiam estar com a linhagem/variante P.1. Coincidência ou não, após a chegada dos manauaras em Uberaba, o número de casos e óbitos aumentou no município. Isso pode comprovar o aumento da carga viral, bem como que a variante está circulando no municípios, como afirmou o Ministério da Saúde na semana passada.

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