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Não há fura-fila na Superintendência, diz Maurício Ferreira

Superintendente Regional de Saúde, Maurício Ferreira, afirma estar tranquilo e que obedeceu todos critérios preconizados pelo Ministério da Saúde e Estado

19/03/2021 às 04h00
Por: Redação
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Foto: Divulgação
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Setenta e seis nomes de servidores da Superintendência Regional de Saúde de Uberaba, que trabalham no município, compõem a nova lista com 1.852 servidores, que foram vacinados contra a covid-19. Porém, não há informações se todos ou parte desses funcionários públicos furaram a fila da imunização.

Todos esses servidores desta nova lista estão lotados no interior do estado, nas superintendências regionais, diferentemente da primeira relação, de 828 nomes, ligada a trabalhadores da pasta de Belo Horizonte. Até o momento, foram divulgadas duas listas, somando 2.680 pessoas, sendo que alguns podem ter furado fila dos grupos prioritários.

Em nota, a ALMG informou que esta nova lista “foi encaminhado por e-mail, o que não é usual, especialmente em decorrência da seriedade do assunto”.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, foi acordada uma deliberação entre o Estado e as cidades que previa que a imunização fosse feita somente naqueles servidores que têm contato direto com o público. Informou, ainda, por nota, que até o momento só podem ter recebido a vacina servidores que trabalham na Rede de Frio Estadual, nas Centrais Regionais de Regulação Assistencial, Farmácias de Minas e almoxarifado para garantir o funcionamento desses serviços, além de servidores que precisam ir a campo para trabalhar, sobretudo em cidades com situação crítica de infecção pelo novo coronavírus.

Também podem receber a vacina os trabalhadores que precisam executar suas atividades presenciais para reduzir o risco de disseminação da doença e provocar, como consequência, um surto pela covid-19.

De acordo com a Saúde estadual, cada prefeitura “é responsável por operacionalizar sua campanha de vacinação. Ou seja, a vacinação de servidores de uma superintendência regional depende do município onde ela está localizada”.

 

Desentendimento – A reportagem do JORNAL DE UBERABA entrou em contato com o superintendente Regional de Saúde de Uberaba, Maurício Ferreira, que afirmou estar tranquilo, já que o Estado todo teve servidores vacinados.

“Na superintendência são mais de 400 servidores públicos e na lista tem 76 da nossa Regional. A vacinação é preconizada pelo Ministério da Saúde e por resoluções do Estado. Não há fura-fila. É um desentendimento que ocorreu e o próprio MS preconiza vacinação dos trabalhadores da saúde. De todas as cargas que chegaram, nenhuma dose ficou na Regional e as pessoas daqui foram imunizadas pelo município de Uberaba que é o município onde a Regional está instalada, que é outro fato preconizado pelo MS e SES”, informou o superintendente, reforçando a informação da SES.

Ainda segundo Maurício Ferreira, uma lista foi solicitada pelo município e foi enviada e obedecidos critérios. Não é pelo fato de a pessoa estar na lista que ela é convocada. Tenho observado dúvidas tipo, a o fulano está lotado na gestão financeira, qual é a prioridade disto? Às vezes eu tenho servidores lotados na gestão financeira, mas são faxineiras, são atendentes de clichê, são pessoas que orientam o público de como processam a conseguir remédios. Ou seja, são profissionais que têm contato com pessoas. Eu tenho trabalhadores de almoxarifado que recebem pessoas d nossa região e até de fora, caminhão dos Correios. Eu acho que não é um bom referencial usar lotação para identificar se a pessoa deve ou não ser vacinada”, observa o superintendente.

Ainda segundo Ferreira, ele tem falado em Belo Horizonte e afirma que eles estão preparando uma justificativa. “Nós entendemos que esta lista não deveria ter vazada e colocada para conhecimento público, por uma questão simples de preservação de dados. Estas pessoas no momento estão sendo investigadas e não tem nada provado contra eles. Não cometeram nenhum ilícito, mas temos servidores que estão sendo execradas por estarem em uma lista sem nenhum realização ne comprovação de ilícito praticado”, finaliza Maurício Ferreira.

CPI vai investigar além de possível vacinação irregular

 

Na última quinta (11), a Assembleia Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fura-Filas da Vacinação, que terá o prazo de 120 dias para apurar a vacinação irregular de grupos não prioritários no Estado. Além da denúncia de fura-filas, a CPI vai investigar o baixo investimento na ampliação de leitos para o enfrentamento da pandemia de covid-19 e a não aplicação do mínimo constitucional em serviços públicos de saúde. O relator da CPI será o deputado Cássio Soares (PSD) e a presidência ficará a cargo de João Vítor Xavier (Cidadania). 

A instauração da CPI é resultado de reunião realizada na Assembleia em que foi ouvido o então secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral. O ex-secretário confirmou ter sido vacinado e diante da repercussão do encontro, Carlos Eduardo Amaral foi dispensado do cargo, dando lugar a Fábio Baccheretti.

“Vamos investigar a fundo esses que se entendem como privilegiados em passar à frente na vacinação. Neste momento de pandemia, é um dos crimes mais graves”, afirmou o presidente da ALMG, deputado Agostinho Patrus (PV), ao deferir o requerimento para a instalação da CPI.

Entretanto é importante ressaltar que ainda não se sabe se todos estes servidores ou parte deles duraram a fila da imunização.

 

Suspeita – Ontem, o governador de Minas, Romeu Zema, disse que há informações preliminares de vacinação de servidores que estão em home office q que isso será investigado. Segundo Zema, ainda há divergências quanto ao entendimento dos vacinados que constam nas listas de trabalhadores vacinados. “Pelo que recebi, informações preliminares, foram vacinadas pessoas da saúde que estavam em home office”, disse Zema. Além disso, o governador comentou que provavelmente não foi seguido o protocolo, mas ressaltou que não há nenhuma conclusão até o momento.

Da lista, pelo menos 134 servidores da Secretária de Estado de Saúde que estavam trabalhando em regime de home office foram vacinados. Uberaba não está relacionada nesta lista de home. Os trabalhadores vacinados em teletrabalho atuam nas cidades de Alfenas, Barbacena, Diamantina, Ituiutaba, Leopoldina, Manhuaçu, Patos de Minas, Pirapora, São João Del Rei, Sete Lagoas, Teófilo Otoni, Uberlândia e Varginha.

Ainda de acordo com a relação, apenas 75 servidores vacinados possuem 60 anos ou mais - atualmente, a campanha de vacinação promovida de maneira ampla pelo governo do Estado, no entanto, ainda está vacinando os idosos apenas com mais de 75 anos. Pelo menos 32 servidores que trabalham no setor de almoxarifado também foram imunizados.  Além disso, do total da lista, 101 trabalhavam em contato direito com o público. Há ainda 165 servidores em "trabalho de campo", sendo que não há explicações sobre qual tipo de função era executada por eles.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Polícia Federal (PF) também apuram o caso. (MGS)

 

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