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Elisa Araújo desabafa: Venci as eleições de 2020, mas ainda há tentativas de desqualificação do meu discurso

Elisa Araújo desabafa: Venci as eleições de 2020

25/04/2021 03h00
Por: Euripedes Antonio Campos
Elisa Araújo afirma que transparência e diálogo têm sido a tônica da gestão municipal
Elisa Araújo afirma que transparência e diálogo têm sido a tônica da gestão municipal

 Maria das Graças Salvador

No dia 10 de abril a prefeita Elisa Araújo completou 100 dias de gestão à frente do município de Uberaba. Desde que assumiu Elisa tem enfrentado críticas e elogios. Em entrevista ao JORNAL DE UBERABA a prefeita fala destes primeiros meses, suas impressões e desafios e reforça que está aberta ao diálogo e que ouvir a sociedade faz parte da filosofia desta gestão

 

JORNAL DE UBERABA – Os primeiros 100 dias de governo servem para imprimir a marca do governo. A senhora acha que conseguiu isso?

Elisa Araújo – Acredito que a marca de um governo é construída ao longo de uma gestão. Os primeiros três meses, principalmente quando não se trata de reeleição, são para organizar a casa, dando a ela os tons da identidade da gestão. Estamos fazendo isso, com muito trabalho e diálogo com os servidores e a sociedade.

 

JU – Como a senhora recebeu a prefeitura?

Elisa Araújo – Costumo dizer que a cada caixa que se abre é uma surpresa que encontramos.  Herdamos um governo com dívidas na casa dos milhões. Já pagamos R$ 36 milhões e temos mais R$ 14 milhões empenhados para pagar. Estranhamos muito a falta de informatização em todos os setores, como na saúde por exemplo. Tudo é feito de forma analógica e dificulta o fechamento de dados. Uma das primeiras atitudes, como gestora, foi a de acabar com os privilégios mantidos por alguns servidores que usavam os veículos da prefeitura em benefício próprio. Isso acabou. Ao diminuirmos a circulação de veículos, reduzimos o consumo de combustível e, assim, economizamos para os cofres públicos.

 

JU - O ex-prefeito, assim que assumiu, contratou a Fundação Getúlio Vargas para fazer uma devassa na prefeitura. A senhora pensou em fazer isso? Seria necessário?

Elisa Araújo – Nós estamos licitando uma empresa que irá fazer auditoria permanente nos órgãos da administração direta e indireta.

 

JU – A senhora encontrou sucateamento? Um exemplo é a Codau que tem feito mudanças. Como está o resto da administração? Quais foram os principais problemas encontrados?

Elisa Araújo – Na Codau estamos organizando documentos de toda a situação encontrada. Na agricultura deparamos também com muitos problemas como máquinas que estavam em poder de particulares, outras sucateadas, muitos bens que podem ser leiloados para desafogar os pátios. Alguns carros oficiais também estavam em poder de ex-funcionários comissionados que foram exonerados em dezembro. Além disso, temos uma prefeitura mal equipada digitalmente. Faltam computadores, faltam software. Muitos processos ainda são analógicos o que ocasiona demora e reduz a eficiência do trabalho.

 

JU – Quais pontos positivos a senhora pode destacar nesses primeiros meses de governo?

Elisa Araújo – Primeiro ponto positivo e que deve ser destacado é o fato de uma mulher, em 200 anos, assumir o governo da cidade de Uberaba. Uma mudança de paradigma na cultura política de nossa cidade. Destaco também a receptividade dos servidores. Todos os secretários trabalham com as portas do gabinete aberta para prevalecer o diálogo. O meu gabinete também é bem acessível. A valorização dos servidores de carreira por meio da nomeação em cargos de chefia é outro ponto, como também a união de todos os nossos assessores. E o mais importante é ter a oportunidade de governar para o povo de Uberaba. Considero este mais do que um ponto positivo, é uma missão de confiança conferida pela maioria da população uberabense.

 

JU – A senhora assumiu a prefeitura em uma época difícil, com a pandemia. Como a senhora avalia este momento e as ações que estão sendo realizadas?

Elisa Araújo – Assumimos o governo no auge do crescimento da segunda onda da pandemia que está colapsando o sistema de saúde praticamente de todo o país. Conter o avanço da doença passa não só por medidas políticas da gestão municipal, mas também pela conscientização da população. Conseguir conscientizar o cidadão tem sido um desafio. O município aplica todas as diretrizes do governo federal e estadual. É aqui na base que encontramos as verdadeiras dificuldades desse enfrentamento, por isso a importância de um bom relacionamento com as esferas superiores. Esse contato tem sido permanente para termos um melhor desempenho.

O monitoramento da pandemia é diário. Temos o Comitê Técnico de enfrentamento à covid-19 e o Comitê Estratégico. Ambos se reúnem semanalmente para análise dos dados, e tomada de decisões. De acordo com o monitoramento dos números de contaminados, casos ativos, internações e óbitos é que são traçadas as medidas a serem adotadas. A mudança é uma constante na busca de soluções. Este é um movimento em todo país, e nenhum gestor público encontrou a fórmula perfeita. Todos os nossos movimentos são na direção de salvar vidas.

 

JU – Nesses três meses de gestão a senhora já enfrentou alguma crise, como a questão da pandemia? Se sim, como a senhora reage a isso?

Elisa Araújo – A crise que enfrentamos é a pandemia e com ela a recente escassez de medicamentos na rede hospitalar para os pacientes de covid intubados ou que precisam ser intubados. Esta foi a pior delas. Trabalhamos por três dias e noite até conseguirmos os medicamentos para a nossa cidade. Nossa reação diante de crises sempre será trabalho, serenidade e transparência.

 

JU – Ao longo desses 100 dias, houve muitos elogios nas redes sociais, mas também muitas críticas. Como a senhora vê esta cobrança e ela tem resultado em alguma mudança?

Elisa Araújo – As críticas e os elogios fazem parte da vida pública. Acredito que as críticas feitas com fundamento servem para a melhoria de políticas de governo. As cobranças devem existir. O que não pode prevalecer é a falta de respeito. Estamos abertos ao diálogo e ouvir a sociedade faz parte da filosofia desta gestão. Acreditamos que as críticas construtivas são muito bem vindas.

 

JU – Qual tem sido a palavra-chave do governo da senhora?

Elisa Araújo – Transparência e diálogo têm sido a tônica da nossa gestão. Nossas decisões, principalmente no que se refere aos decretos de enfrentamento à covid 19, têm sido compartilhadas com a sociedade. Considero isso uma mudança singular na política em nossa cidade. Temos também trabalhado uma comunicação mais transparente com a população por meio da imprensa e também dos canais oficiais do município.

 

JU – Neste sentido, a senhora prometeu que iria governar sempre com o diálogo. Como tem sido isso? Tem dado o resultado esperado, estes diálogos?

Elisa Araújo – Sim. Foi por meio do diálogo que conseguimos aproximar a administração municipal da iniciativa privada, cujos resultados estão demonstrados nas parcerias que firmamos. Conseguimos além das doações, a conscientização de setores do comércio e prestadores de serviços que tem nos ajudado no combate à pandemia. A mudança na cultura política não é algo fácil de ser compreendido. Muitos vêm com olhos críticos a abertura do governo para o diálogo. Nós acreditamos no diálogo como meio de trabalharmos em prol do nosso povo.

 

JU – A senhora prometeu reduzir os gastos com comissionados, mas teoricamente isso não ocorreu. O que aconteceu?

Elisa Araújo – É preciso deixar claro que não fiz promessas. Assumi compromissos. Dentre os compromissos estava o de valorizar os servidores públicos de carreira e o de reduzir os chamados “cabide de emprego”. E foi isso que fizemos e estamos fazendo. Valorizando os servidores de carreira. De todos os cargos comissionados disponíveis, apenas 70% foram preenchidos sendo 50% ocupados por servidores efetivos.

 

JU – Ainda temos alguns indicados com cargos interinos. Essas pessoas continuarão na interinidade ou serão trocados?

Elisa Araújo – Aqueles que estão acumulando cargos ficarão apenas em uma pasta. Pretendemos ainda neste mês preencher todos os cargos que ainda estão faltando.

 

JU – Como fazer economia e manter os investimentos que a cidade precisa?

Elisa Araújo – Esta é uma composição que requer planejamento e é o que estamos fazendo. Com poucas ações nos dois primeiros meses já economizamos R$ 81 milhões diante do orçado. Temos muitos desafios, mas com o nosso plano plurianual já iniciados teremos chances de modelar a gestão com economia e investimento onde precisa.

 

JU – Como tem sido a relação do Executivo com a Câmara de Vereadores?

Elisa Araújo – O Poder Legislativo é um braço importante na nossa administração. Temos mantido uma boa relação. Semanalmente, em todos as sextas-feiras, recebo vereadores em meu gabinete. Ouço as propostas e tenho também a oportunidade de mostrar o que estamos fazendo. Inclusive, representantes da Câmara participam das reuniões do Comitê de Enfrentamento à Covid para que possam ajudar na tomada de decisões.

 

JU – Em curto prazo, quais as mudanças que podem ser implementadas na cidade?

Elisa Araújo – Falar em mudanças em meio à pandemia e diante de uma economia mundial abalada é difícil. Temos que levar em consideração também que assumimos o governo com orçamento aprovado pela gestão passada o que nos limita em termos de gastos. Uma mudança que já pode ser percebida é o diálogo e o acesso ao Poder Executivo. Não fechamos as portas do nosso gabinete. Governamos de portas abertas para que o diálogo flua com os vereadores, servidores e a população. Outra mudança relevante é a agilidade em serviços e projetos parados há mais de 10 anos. Em 100 dias já destravamos muita coisa.

 

JU – A senhora é a primeira mulher a assumir a gestão do município. Como tem sido isso? Tem recebido alguma restrição quanto a isso?

Elisa Araújo – Venci as eleições de 2020, mas ainda há tentativas de desqualificação do meu discurso. Agressões nas redes sociais, inverdades e tentativa de arranhar a nossa credibilidade fazem parte das estratégias machistas. O Brasil tem 658 prefeituras comandadas por mulheres. Deste total, 63 estão em Minas Gerais e me alegro por integrar esta estatística desde o dia 1 de janeiro de 2021, quando fui empossada no cargo de prefeita de Uberaba. Se levarmos em conta que temos 5.570 municípios no país, perceberemos que a representatividade feminina ainda está bem aquém do que poderia ser, já que somamos também o maior contingente populacional. De acordo com o IBGE, a população brasileira é composta por 48,2% de homens e 51,8% de mulheres. Sou a primeira mulher a assumir o Poder Executivo na história do município, que tem 201 anos de existência. Acredito que o protagonismo feminino na política veio para ficar.

 

JU – Qual a mensagem que a senhora deixa para a população e para o restante do governo?

Elisa Araújo – Estamos no governo e esta missão nos foi concedida não por acaso. Tudo na vida tem um propósito. Estamos firmes, trabalhando incansavelmente para fazer o melhor para a população de Uberaba. É claro que em apenas três meses de governo não vamos resolver tudo aquilo que não foi feito em anos. É preciso tempo. Estamos trabalhando muito e quebrando alguns paradigmas no jeito de fazer política em nossa cidade.

 

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