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Cidade Reflexão

Hipólita Jacinta Teixeira de Mello e Tiradentes

Hipólita Jacinta

25/04/2021 03h00
Por: Euripedes Antonio Campos

Arahilda Gomes Alves

Talvez, parte dos brasileiros, mineiros eis que bem mais, tenham associado a essa mulher corajosa do ciclo do ouro, em pleno século XVIII pelos idos de 1789, nas muitas jazidas das Minas Gerais, que se envolvera na Conjuração Mineira: Hipólita Jacinta foi ativante desse movimento político que teve requintes de crueldade baseado em gananciosa disputa, quando delatado por um traidor, parente de seu esposo.

 Política que, nos tempos de hoje, sucumbe a ética e a moralidade no desenvolvimento de pessoas acostumadas a galgar postos de superioridade oriundos do dinheiro fácil.

Nos idos de 1780 surgiu grande rebelião em Vila Rica, em que o Brasil colônia se opusera ao jugo português. Tinha como bandeira lema: “Liberdade inda que tardia”. Objetivara a grande pressão dos portugueses em cima das grandes jazidas de ouro que obrigava os mineradores mandar a Portugal um quinto do ouro, ou sega, vinte por cento, do minério encontrado como pagamento de imposto e caso não atingisse a cota, a casa dos trabalhadores era revistada usurpando toda e qualquer objeto de valor nela contido. Mas, dos sessenta homens que dela participaram, entre coronéis, advogados, artistas, poetas e sacerdotes, uma figura feminina se destacou pela coragem em proteger e custear parte do movimento, onde as mulheres não tinham vez e voz para enfrentar com ousadia, causas sociais impondo justiça e abrindo campo para debates feministas em todo o país e em outros cenários.

 Hipólita Jacinta fora pessoa de grandes posses e de vasta cultura. Herdara de seu pai cognominado “O VELHO “capitão mor, a fazenda de Ponta do Morro, onde nascera e hoje, deteriorada, mantem em Prados, apenas o alicerce e na pracinha, o busto de Hipólita Jacinta com frase que a consagrara: “Mais vale morrer com honra, do que viver com desonra. ” Jacinta se casara com Coronel Francisco Antonio Teixeira Lopes. Sua residência continha ricos tapetes, porcelana chinesa e prataria, além de vasta criadagem que lhe prestava serviços. Como não tivera filhos adotara duas crianças deixadas na porta de sua fazenda: Francisco Teixeira Coelho, que chegou a ser condecorado, filho da irmã de Bárbara Heliodora, a musa do poeta Tomaz Antonio Gonzaga, também partícipe da Conjuração Mineira. Outro filho adotado fora Francisco de Anunciação Teixeira Coelho que chegou a ser deputado e posteriormente, vigário da província de Formiga. (Note-se a predileção acentuada de nomes como Francisco, talvez devido a São Francisco, o protetor dos pobres.) De pais portugueses, sua mãe nominada Clara Maria de Mello

Hipólita Jacinta fora batizada na Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição com o nome de Theodózia retificado em livro de batismo pelo Vigário Manoel Martins de Carvalho.

 A participação de Hipólita Jacinta na Conjuração Mineira era seu interesse em participar economicamente, além de manter vasta correspondência com os aliados. Em carta endereçada ao padre Rolim Toledo, acusava a covardia de Joaquim Silvério dos Reis delatando o movimento ao Visconde de Barbacena, porque o traidor tinha grande dívida a pagar à Coroa portuguesa. Contara Hipólita, também ao sacerdote, sobre a prisão de Tiradentes, no Rio de Janeiro. Numa de suas correspondências, ao citar da insurreição do movimento, escrevera: “Dou-vos parte, com certeza, de que se acham presos no Rio, Joaquim Silvério dos Reis e o alferes Tiradentes para que vos sirvam e se ponham em cautela; e quem não é capaz para as coisas, que não se meta nelas e mais vale morrer com honra do que viver em desonra. ” 

Com o movimento deflagrado pelo traidor Joaquim Silvério dos Reis, sobrinho de seu marido e frequentador da casa em reuniões dos conjurados, que muito devia em impostos à Coroa Portuguesa, achou por bem conseguir o perdão através de delatar os companheiros acarretando atos de violência. Os endinheirados foram exilados para a Africa e muitos, perdoados. E aos mais pobres, punições, tendo sido Tiradentes, minerador e tropeiro ocupando o posto de tenente, que se confessara cabeça do movimento, degolado, esquartejado e posto em praça pública servindo de exemplo aos traidores da colônia a fim de desencorajar o povo à rebelião.

Hipólita teve a desdita de ver seu marido, também deportado e seus bens confiscados. Tentou arduamente em soerguer o movimento, pedindo ao Coronel Freire de Andrada provocasse reação urgente ao movimento partindo de Serro, sem chance, porém.

Impetrou grande ação na recuperação de seus bens, servindo-se de seu irmão para presentear a Rainha Maria 1, cognominada” a Louca “com cacho de bananas, em tamanho natural, feito de ouro maciço. O régio presente não chegara a seu destino, porém. Fora interceptado pelo Visconde de Barbacena tomando rumo ignorado.

Mas, Hipólita Jacinta, pode reaver metade de seus bens, em 1808 com ajuda de amigos.

Antes de falecer, no ano de 1828 deixou, em testamento, toda sua fortuna aos pobres, por quem tinha dileta afeição. Humanitária, batizara inúmeros pobres, que recorriam a ela como madrinha.

Hipólita, também morrera antes de assistir a seu filho consagrando-se sacerdote na comarca de Formiga, uma vez que sua morte se dera oito anos antes, a 27 de abril de 1728, de icterícia.

 

Arahilda Gomes Alves - Cadeira 33 ALTM; vice-presidente -2ª-gestão; membro Academia Poetas Portugueses e Academia Letras e Artes Portugal; cônsul Poetas Del Mundo; Academia Internacional do Brasil; diretora cofundadora Fórum Articulistas de Uberaba e Região. Partícipe Rede Sem Fronteiras; sócia Poemas à Flor da Pele.  Dois primeiros lugares em Contos (R.S) e Feira do Livro (México). Crônica (2018). Escreve crônicas no JU desde 1993.

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