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Cidade Reflexão

O flagelo da fome

O flagelo da fome

13/06/2021 04h00
Por: Euripedes Antonio Campos

Cesar Vanucci *

 

“Um homem com fome não é um homem livre.”

(Adlai Stevenson)

 

A erradicação da extrema pobreza e da fome é o primeiro de um conjunto de oito macro-objetivos, preconizados pela ONU a partir da identificação das mais relevantes demandas sociais destes nossos conturbados tempos modernos.

A “Campanha Mundial Contra a Fome”, promovida anualmente no mês de maio, tem por objetivo sensibilizar, em diferentes partes do mundo, pessoas de boa vontade para que se entreguem a reflexões acerca da dramaticidade do problema da fome e possam desenvolver, em sua esfera de atuação comunitária, diligências que concorram de algum modo para a almejada eliminação desse flagelo.

Conservo em meus arquivos um sugestivo texto sobre a dramática questão, elaborado por Maria Angela Girioli, personagem destacada em educação, segurança alimentar e nutricional, que atuou com brilhantismo, como gerente, na Secretaria Municipal de Abastecimento de Belo Horizonte. Dele extraio preciosas informações pertinentes ao candente tema da extrema pobreza e da fome. De acordo com a ONU, pobreza significa coisas diferentes para pessoas diferentes. Em outras palavras, pressupõe diferentes idéias sobre como é causada e como pode e deve ser enfrentada. A pobreza relacionada com a renda utiliza como parâmetro o que é chamado, pelos especialistas, de “linha de pobreza”. Um divisor que coloca do lado mais sofrido na escala mundial o contingente de seres humanos com renda inferior a dois reais por dia. Somam, nas estimativas oficiais, 1 bilhão e 200 milhões. Vinte por cento da população global.

Outras modalidades de pobreza não estão relacionadas com a renda. Vejamos quais são: não dispor o cidadão de serviços acessíveis em matéria de educação, saúde, saneamento básico; não ter acesso a infraestrutura decente no que concerne a transporte, eletricidade, por aí; não ter alcance a meios que possibilitem o desabrochar de seus talentos criativos e capacidade empreendedora; e, mesmo tendo acesso a tudo isso, sentir-se em insegurança por não poder utilizar adequadamente os sistemas legal e político e ser tolhido na disposição de influenciar o que acontece rotineiramente em sua vida.

A configuração da pobreza fica bem sintetizada nessas definições do Banco Mundial. Pobreza é fome. É falta de abrigo. É estar doente e não ter condições de ir ao médico. É não poder freqüentar escola e nem saber ler. É não ter emprego, temer o futuro e viver um dia de cada vez. É perder uma criança em consequência de doença causada por água poluída. É, também, falta de poder, falta de representação e de liberdade. 

O trabalho elaborado por Maria Ângela Girioli menciona que os mais aterrorizantes bolsões de pobreza deste maltratado planeta azul estão localizados no Sul da Ásia e na África subsaariana. Nessas regiões, por conta dos conflitos étnicos, extremamente cruéis, do crescimento econômico nulo e da proliferação de doenças, aids por exemplo, milhões de criaturas acham-se mergulhadas no mais completo dos desesperos. As populações alvejadas pelas desigualdades sociais na forma mais brutal estão ameaçadas de fome crônica. Nas previsões científicas, a questão alimentar pode assumir proporções catastróficas no futuro, caso a humanidade não descubra meios de conter a ação predatória dos recursos naturais e de reduzir sensivelmente as desigualdades sociais e econômicas. As projeções demográficas estimam para a Terra, nesta década, mais de  8 bilhões de habitantes, 83 por cento deles vivendo nos países em desenvolvimento e subdesenvolvidos.

À luz desses dados, configura-se com nitidez, a conveniência de campanhas de esclarecimento que ajudem a causa da conscientização em torno do problema da fome. Mais do que um problema, um flagelo, que tem tudo a ver, fatalmente, com a própria sobrevivência da humanidade.

 

* Jornalista ([email protected])

 

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