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Arahilda Gomes Alves

Os quarenta anos do Coral lírico da Fundação Clóvis Salgado

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15/09/2019 06h00
Por: Redação

Voltei a Belo Horizonte, recentemente e nas várias vezes, que retorno, vislumbro um passado que me traz doces recordações. Início de profissão de professora do Estado, sem cumprir estágio probatório, zarpara   rumo à capital para fazer o primeiro curso de professora especializada de Canto Coral, que o Estado oferecia. Passei no teste dando “cola” a várias colegas. Solteira, fui morar em pensionato da rua da Bahia, perto do Colégio da Educação, onde as aulas transcorriam alegremente. Nesse ínterim, mais uma vez “testada”, ingressei no Madrigal Renascentista, da famosa cantora Maria Lúcia Godoy e regido pelo magistral Isaac Karabtschewsky.Também no Coral lírico da Fundação Clóvis Salgado, a Sociedade Coral de Belo Horizonte, sendo logo escolhida em papeis co- primários cantando como as três coquetes na ópera de Manon de Massenet e como a fiel Aninna, na Traviata de Verdi. Os ensaios nos enchiam de musicalidade e prazer.

Maestro Magnani cognominado por mim, o Leonardo da Vinci do século XX, quando eu o trouxera a Uberaba para nos embebermos de sua estética musical, nos enfeitiçava com sua magistral sapiência e pelo seu carisma enquanto, no piano nos acompanhava com sua voz de baixo profundo. Na Sonâmbula de Bellini, preparava o papel de Lisa, mas como o soprano principal teria que ser um soprano coloratura- a cantora Zilda Lourenço representaria a heroína e sua irmã teria o papel que me fora oferecido afastando-me da disputa. Os trajes nos eram emprestados pelo Municipal do Rio e era uma festa, quando os escolhíamos para as récitas, sempre programadas para o mês do inverno como se faz em temporadas líricas em toda Europa, porque a voz se projeta com real encantamento. Lia Salgado também cantava nas récitas onde se homenageava o grande paladino das artes, seu esposo, que dera nome àquela Fundação.

A 24 de agosto, quando o JU   trouxera reportagem sobre o Coral festejando 40 anos de história, repassei na memória um passado em que pessoas amantes das artes não deixaram apagar a chama daquele casarão da rua Tupis, creio, com suas paredes ecoando sons da boa música. Revi as vozes de Virandé Cavalcante, Bruno Lazzarini, João Décimo Bréscia, Antonio de Pádua, Willian Lima com seu bar na avenida Augusto de Lima, onde nos reuníamos. E a amizade com os bons maestros Sérgio Magnani, Sandino Hohagen, Carlos Eduardo Prates e Santiago Guerra. Lembro-me de amigos do Coral: Adelaide Novais, minha prima, Dora Serpa, Ana Maria Martins, Genuína Pinheiro, Hilda Lourenço, Afrânio Bastos, Geraldo Chagas...

Para sobreviver, a Fundação que nascera há duas décadas antes, era mantida por quase cem assinantes. Honrada em participar do primeiro núcleo, que deu origem ao Palácio das Artes, na Avenida Afonso Pena, lá revendo o saudoso amigo Luiz Aguiar, estudante em Uberaba realizando na antiga boate Yucatan, o musical Odonto Folies e que, posteriormente chegou a regente de coro da Fundação Clóvis Salgado.

Acredito que esse período me influenciara, quando retornando a Uberaba e lecionando no Conservatório, fora pioneira nas cadeiras de Canto lírico e fundara cinco corais dando preferência a repertório operístico, que sempre, apreciara. Também, desde menina, as audições cantantes de protofonias das óperas em onomatopeias, que meu saudoso pai brindava auditórios em festas familiares.

 

Arahilda Gomes Alves - Cadeira 33 ALTM; membro Academia Poetas Portugueses e Academia Letras e Artes Portugal; cônsul Poetas Del Mundo; Academia Internacional do Brasil; diretora cofundadora Fórum Articulistas de Uberaba e Região. Partícipe Rede Sem Fronteiras; sócia Poemas à Flor da Pele. Escreve crônicas no JU desde 1993.

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