Coluna

Encruzado

Carlos Alberto Pereira

Carlos Alberto Pereira

Carlos Alberto PereiraEnófilo, Jornalista, Tecnólogo em Turismo e Hotelaria. Contato: [email protected] / 98412-6446

20/09/2019 06h00Atualizado há 1 mês
Por: Redação

 

Ouço sempre de amantes de vinho e até daqueles menos entendidos do assunto, que: “se o vinho é de Portugal, não tem erro, qualquer um é bom!”. Em tese concordo, já que toda regra há exceção. O certo é que Portugal tem os vinhos de uvas mais exclusivas e diferentes que conheço, as chamadas castas Autóctones, que ultrapassam 250 espécies. Depois, é o país que produz vinhos nos quatro cantos, com solos diversificados e climas bem diferentes.

Tem ainda a expertise dos viticultores e as habilidades dos enólogos, que é um outro importante diferencial. Talvez, por tudo isso, e pela qualidade do vinho ali produzido, o país tem o maior consumo per capta de vinho por habitantes, ultrapassando a casa dos 50 litros/ano. E o brasileiro sabe disso, pois a cada dia que passa, tem colocado em suas mesas uma garrafa de tinto, branco ou fortificado das vinícolas lusitanas. Aliás, sabedores deste interesse dos brasileiros, os ´produtores através das Comissões Vitivinícolas e entidades de promoção de vinhos de Portugal, tem feito um grande investimento em marketing, com agressivas estratégias de comunicação e de ações comerciais! 

 Assim como o Chile, que tem como uva símbolo a Carmenère, a Argentina a Malbec, o Uruguai a Tannat, Portugal tem a tinta Touriga Nacional (já falei sobre ela por aqui), cujo berço é o Dão, a região que fica mais ao centro do país e que produz vinhos de grande qualidade. E é nesta região que tem uma outra importante casta, que é considerada a segunda mais importante entre as brancas: a Encruzado!  Pois hoje, aproveitando que o clima ainda está bem quente por aqui, e pede uma bebida bem refrescante, vou falar desta casta branca, que faz vinhos elegantes e bem estruturados, cuja semelhança atribuem à francesa Chardonnay! 

 

O DÃO

Situada no centro-norte do país, abaixo do Douro, o Dão é uma das mais antigas regiões vinícolas de Portugal. Esta zona vitivinícola, carrega a reputação de produzir alguns dos melhores vinhos tintos portugueses e conhecida como o berço da Touriga Nacional a casta símbolo de Portugal. 

Cercado por montanhas em todas as direções, e com solos graníticos muito pobres, o Dão estende as suas vinhas em diferentes altitudes, desde os mil metros acima do mar da Serra da Estrela até aos duzentos metros das zonas mais baixas. Suas vinhas são esparsas e descontinuadas, divididas em múltiplos lotes de pequenos proprietários. O clima é temperado e a diferença térmica entre dia e noite é bem alta, o que faz muito bem para as uvas e sua maturação. Esta região é intitulada por uns, como a “Borgonha Portuguesa”, tamanha a similaridade entre solo e clima com este terroir Francês, que é o mais conhecido e icônico no mundo do vinho 

As regiões vinícolas do dão são assim compostas:

Coimbra: Arganil, Oliveira do Hospital, Tábua;

Guarda: Aguiar da Beira, Fornos de Algodres, Gouveia e Seia;

Viseu: Carregal do Sal, Mangualde, Mortágua, Nelas, Penalva do Castelo, Santa Comba Dão, Sátão, Tondela e Viseu.

 

 ORIGEM

A Região Demarcada do Dão foi instituída em 1908 (faz este ano 111 anos). Os registros mostram que a casta Encruzado está lá desde então, mas não se sabe bem como ela surgiu. Apenas nos anos 50 que ela foi se tornar mais conhecida. Hoje, esta casta representa 5% dos vinhedos da região (em torno de mil hectares). Também é conhecida como Salgueirinho.

 

CARACTERÍSTICAS

Os cachos da uva Encruzado são pequenos, formato cilíndrico e, medianamente compacto. Os bagos são ligeiramente achatado, tamanho médio e de cor verde-amarelado. A casca é medianamente espessa e a polpa mole.

Entre as castas brancas, é considerada a de maior qualidade do país. É cultivada nos solos graníticos da região. Hoje já é bastante vinificada sozinha, mas em blend, faz uma boa parceria com a Cerceal, Bical ou Malvasia Fina, por exemplo.  

 

VINHOS DE ENCRUZADO

Esta casta entrega vinhos brancos, intensos, elegantes e bem equilibrados. São bem delicados com aromas florais e cítricos e tem um caráter mineral muito interessante. Tanto os vinhos em seu estado puro (sem madeira), quanto àqueles em estágio na madeira de carvalho, o Encruzado responde bem à fermentação e envelhecimento, resultando em vinhos bem estruturados e delicados, chegando a uma elegante maturidade ao longo de anos. É uma casta difícil, pois ao mínimo descuido oxida e perde os seus aromas delicados. 

 

DICA DE VINHO

 

Produtor: Quinta Dos Roques

Uva: Encruzado

Tipo: Branco

País: Portugal

Região: Dão - subregião de Mangualde

Safra: 2015

Amadurecimento: 7 Meses Sobre As Lias Em Barricas e Cubas De Aço Inox.

Temperatura De Serviço:12-14°c, Previamente Decantado.

 

HARMONIZAÇÃO

 

 Dentre os melhores acompanhamentos para um vinho de casta Encruzado podemos destacar o Queijo da Serra da Estrela lá de Portugal e outros queijos amanteigados em geral produzidos por aqui. Vai bem também com bacalhau, salmão, lagosta, vieiras e outro frutos do mar. Risoto é outro prato que harmoniza muito bem!  

 

Carlos Alberto Pereira

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