Artigo

Maurílio Moura Miranda

Jornalista, ex-secretário municipal de Esporte e Lazer e narrador esportivo da Rádio Sete Colinas FM 101.7

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24/09/2019 06h00
Por: Redação

PELA EUROPA VI DIA DIFÍCIL EM PARIS

Vou começar a contar para vocês minha estada em Paris pelo último dia, sábado (21). O que foi planejado para ser maravilhoso acabou se tornando muito difícil e complicado. Pela nossa programação iriamos subir o Arco do Triunfo, visitar a Galeria Lafaiete, passear novamente pelo centro na região da rua Rivoli, próximo ao Louvre e, se o tempo permitisse uma visita ao Estádio do PSG para encerrar a estadia em Paris com uma maravilhosa subida até o topo da Torre Eiffel às 19h30. Ingressos já comprados, para assistirmos Paris sendo lentamente iluminada no início de mais uma noite. Tudo bem esquematizado para não ter erro. Não foi o que aconteceu. Só deu certo até nossa chegada ao Arco do Triunfo por volta das 10h. Tivemos alguns minutos de tranquilidade para fazer algumas fotos. A subida ao monumento já estava cancelada e o seu entorno começou a ser ocupado por viaturas e policiais. Fomos “gentilmente” convidados a deixar o local rumo a av. Champs Elysées que já não tinha mais tráfego de veículos.

Tivemos tempo de entrar na loja do PSG para comprarmos uma camisa e quando voltamos à rua o tumulto já estava começando. Manifestantes apareciam de todos os lados e a polícia tentava evitar a bagunça. Fomos empurrados em direção ao rio Sena, que também já estava com todas as pontes da região interditadas. Nos restou com opção, para todos os pedestres que estavam nas ruas por ali, caminhar pelas margens do Sena ao nível da água em um passeio de uns 3 km que jamais havia sonhado fazer. Lá em cima barulho de sirenes e tiros. Finalmente chegamos à Ponte das Artes, aquela de milhares de cadeados presos que de vez em quando aparecem em reportagens.

De lá conseguimos chegar ao Jadins Tuilieres, até que enfim um local tranquilo com milhares de pessoas curtindo o sábado de verão paraisense sentadas em cadeiras de ferro ao lado das fontes e ouvindo músicas de shows que ali aconteciam. Parecia um outro mundo totalmente diferente daquele das ruas ali bem perto. Curtimos aquela paz durante algum tempo e decidimos voltar para o hotel para descansar e a noite subir a Torre Eiffel encerrando assim nossa temporada francesa. Começou um novo drama: o do transporte. Como jamais tinha imaginado. Já pensaram vocês o que é estar sozinhos, eu e a Neuza, perdidos no centro de uma capital europeia transformado em campo de batalha entre polícia e manifestantes, só nós falando português? O som que mais ouvíamos era o ling ling chinês. Como tem chinês em Paris e no meio da confusão eles pareciam baratas tontas procurando seus guias.

Tomamos o metrô linha Lá Defense, onde estava nosso hotel, e três estações à frente fomos obrigados a deixar aquele trem e pegar um outro que mais duas estações à frente foram bloqueado. Nos mandaram para uma outra linha e a esta altura o metrô tinha virado uma Torre de Babel. Os funcionários mandavam você pegar um trem sem saber para onde você queria ir. Todos falando ao mesmo tempo línguas diferentes, e tome lin ling, e os funcionários sem saber como orientar aquela multidão. Sem ter a menor ideia de onde estávamos eu e a Neuza resolvemos pegar uma linha que nos levasse de volta ao Louvre, região que conhecemos para de lá tomarmos um táxi, um ônibus ou qualquer coisa que nos levasse a La Defense.

Ao sairmos do metrô outra decepção: nada de táxi, ônibus ou Uber. Havia um grande conflito na praça da Bastilha ali perto e nada circulava nas ruas. Depois de inúmeras tentativas conseguimos um corajoso Uber que nos levou ao hotel, já com preço superfaturado é claro. No final da tarde decidimos descansar um pouco para irmos subir a Torre Eiffel. Pelo menos isto né? Duas horas antes do horário de nossa subida começamos a tentar um transporte. Sem metrô, ônibus ou táxi procuramos o Uber. O primeiro que aceitou a viagem prometeu nos pegar em 10 minutos e 20 depois cancelou dizendo que não conseguia chegar. A Uber escalou outro que chegaria em oito minutos e também desistiu 25 depois. Um terceiro foi escalado prometendo chegar em 15 minutos e até agora não chegou. Como nosso bilhete era para as 19h30 e a está hora ainda estávamos no hotel desistimos da subida a Torre, que depois ficamos sabendo que também estava fechada.

Ficamos no hotel acompanhando pela televisão, que cobria ao vivo “Paris em Chamas”. Assim foi o nosso último dia na cidade mais linda do mundo. Do ponto de vista turístico ruim, mais do ponto de vista jornalístico foi ótimo. Consegui testemunhar ao vivo coisas que só via pela televisão. Esta manifestação dos franceses contra as mudanças no clima, me fez perceber algumas coisas pelas quais não tinha atentado. Isto é assunto para outro dia. Estamos a caminho de Londres onde espero mais tranquilidade. Abraço.

 

Maurílio Moura Miranda – Jornalista, ex-secretário municipal de Esporte e Lazer e narrador esportivo da Rádio Sete Colinas FM 101.7

 

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