Terça, 25 de Janeiro de 2022
29°

Trovoada

Uberaba - MG

Saúde Saúde

Ômicron: nova variante vai exigir adaptação de vacinas? Entenda

Ômicron: nova variante

03/12/2021 às 04h00
Por: Redação
Compartilhe:
Fabricantes de vacinas já avaliam eficácia de imunizantes contra a variante ômicron - Foto: Pexels
Fabricantes de vacinas já avaliam eficácia de imunizantes contra a variante ômicron - Foto: Pexels

Até agora, as vacinas contra Covid-19 utilizadas no Brasil não precisaram ser adaptadas para conter novas variantes do vírus. Mas, sob a ameaça da ômicron, que acumula mais de 50 mutações, e a possibilidade de surgirem outras variantes tão ou mais diferentes do vírus original quanto ela, especialistas ponderam que pode ser questão de tempo até os fabricantes de imunizantes precisarem alterar as vacinas utilizadas. A solução, reforçam, é a distribuição igualitária de vacinas a países com baixa cobertura vacinal, a forma mais eficaz de frear novas mutações. 

Nesta quarta-feira (1º), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou a necessidade de testes para medir a eficácia dos imunizantes contra a ômicron. “A agência solicitou às desenvolvedoras de vacinas informações sobre os estudos em andamento. A Anvisa exige, para as vacinas autorizadas, que os desenvolvedores monitorem e avaliem o impacto das variantes na eficácia e na efetividade dos imunizantes. A expectativa é que, nas próximas semanas, estejam disponíveis os dados das avaliações iniciais”, detalhou. 

A recomendação e o apelo da Anvisa e de pesquisadores é que todos continuem a se vacinar, até porque as vacinas já se provaram eficazes contra as variantes que mais circulam no país. “Até o momento, não temos um indicativo de que as vacinas dispostas hoje não forneceriam algum grau de proteção para a ômicron. Estudos estão sendo feitos e devemos aguardar as evidências”, reforça a pós-doutoranda em Bioquímica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Mellanie Fontes-Dutra. 

O virologista Flávio Fonseca, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador do CT-Vacinas, destaca que a maioria das vacinas é baseada na proteína S, que fica do lado externo do vírus e é utilizada para ligá-lo às células humanas. “Como ela é uma proteína grande, mesmo com a variante delta os anticorpos ainda a reconheciam de maneira eficiente. O problema é que, quanto mais mutações começam a se acumular, mais diferente ela fica, aí a possibilidade é que menos anticorpos gerados contra a vacina reconheçam essa proteína. Eu diria que é bastante provável que isso aconteça com alguma variante no futuro, mas não necessariamente com a ômicron”, avalia.

A vacina em desenvolvimento pelo próprio CT-Vacinas, batizada como SpiN-TEC, não é testada contra novas variantes, pois foca uma proteína no interior do vírus, chamada N, e não na S, como as demais. Fonseca explica que isso torna mais difícil que o efeito do imunizante seja reduzido contra novas versões do vírus, uma vez que o interior do patógeno tende a sofrer menos alterações.

 

Adaptar vacinas é possível, mas logística é desafio - Adaptar as vacinas que já estão sendo utilizadas é relativamente fácil, do ponto de vista técnico, de acordo com o professor Flávio Fonseca. A possibilidade de adaptação da tecnologia aplicada no imunizante da Pfizer, por exemplo, baseada em RNA mensageiro e novidade no mundo das vacinas, foi anunciada desde o princípio como um de seus trunfos. 

Ainda assim, a logística se interpõe à rapidez da adaptação. No caso da Pfizer, segundo a presidente da empresa no Brasil, Marta Díez, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo, mudanças na vacina levariam cerca de quatro meses e meio - considerando seis semanas de adaptação e mais cem dias para produção e entrega. O contrato do governo brasileiro com a farmacêutica norte-americana, que prevê novas 100 milhões de doses em 2022, já prevê a entrega de imunizantes adaptados, caso seja necessário, segundo Díez informou. 

A AstraZeneca, por meio de nota, também diz que pode adaptar sua vacina “rapidamente”, porém não esclarece prazos. “Como acontece com qualquer nova  variante emergente, estamos examinando a B.1.1.529 (ômicron) para entender mais sobre ela e o impacto na vacina”, diz. O Brasil tem acordo para receber novas 120 milhões de imunizantes da fabricante no próximo ano, segundo o Ministério da Saúde.  

 

Vacinação global é solução para frear novas variantes - Não se sabe quantas ou quais mutações uma variante precisa acumular para escapar significativamente à proteção oferecida pelas vacinas utilizadas atualmente. Mas a persistência da desigualdade vacinal em diferentes partes do mundo pode acelerar esse processo, pois facilita o surgimento de novas variantes preocupantes, alerta a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBIm), Isabella Ballalai. 

“Enquanto tivermos países não vacinados, o risco de uma variante que escape às vacinas pode acontecer amanhã. O vírus não tem inteligência, ele não vê que há muitas pessoas vacinadas ou decide mutar. Mas ele vai mutando quanto mais pessoas infecta, e determinada mutação pode gerar um novo vírus. O mundo inteiro tem que ajudar os países que não estão vacinados, porque só fechar fronteiras não vai resolver”, conclui a especialista. 

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Uberaba - MG Atualizado às 17h46 - Fonte: ClimaTempo
29°
Trovoada

Mín. 18° Máx. 30°

Qua 31°C 18°C
Qui 30°C 18°C
Sex 31°C 19°C
Sáb 30°C 20°C
Dom 29°C 19°C
Horóscopo
Áries
Touro
Gêmeos
Câncer
Leão
Virgem
Libra
Escorpião
Sagitário
Capricórnio
Aquário
Peixes
Anúncio
Enquete
Anúncio
Anúncio
Ele1 - Criar site de notícias