Coluna

Baga

Carlos Alberto Pereira

Carlos Alberto Pereira

Carlos Alberto PereiraEnófilo, Jornalista, Tecnólogo em Turismo e Hotelaria. Contato: [email protected] / 98412-6446

04/10/2019 06h00Atualizado há 1 mês
Por: Redação

 

Nas últimas quatro semanas tenho me dedicado a divulgar por aqui as castas e os vinhos   portugueses. Claro que as principais, ou seja, àquelas castas mais cultivadas e que são mais conhecidas mundo afora. Na verdade, gostaria de falar aqui de todas, das mais de 250 castas autóctones, pois são únicas, interessantes e que valem à pena conhecê-las. Quem sabe, ao longo do tempo, não falo? O certo é que os vinhos portugueses, assim como o país, me encantam! Aliás, não é só a mim não, pelo movimento de brasileiros atravessando o atlântico e aterrissando em terras lusitanas, e o crescimento da procura dos vinhos portugueses por aqui, comprovam que este país-irmão está na moda mesmo!

A maior prova disso é o número crescente de brasileiros que buscam como destino turístico o país, pois só no ano passado foram mais 1,2 milhões. Já no caso daqueles que vão para fixar residência, os números apontam um crescimento extraordinário. Estima-se que há mais 105 mil brasileiros residindo em Portugal, cujo crescimento no ano de 2018 foi superior à 23%. Portanto, acredito que teremos a cada dia mais a oportunidade de ter os vinhos portugueses por aqui e seu consumo aumentar.

Assim sendo, é bom a gente conhecer um pouco das castas, estilos de vinho que produzem, terroir e toda rica história contida na produção dos vinhos. Embora encontremos com abundância informações sobre os vinhos e castas portuguesas nos diversos blogs e artigos na internet, não poderia deixar de dar o meu contributo através deste espaço, cujo número de leitores cresce a cada dia (obrigado!). Fica aqui, portanto, mais uma edição da coluna Vinhos & Tal, que traz hoje a casta Baga, cujas maiores caraterísticas são a capacidade de entregar vinhos estruturados, elegantes e bem gastronômicos!

Vamos a ela e uma boa leitura a todos! 

 

Casta

A Baga é uma das castas autóctones portuguesas com mais rendimento, ela pode ser encontrada em algumas partes do país, mas está mais concentrada na região das Beiras, especialmente na Bairrada e no Dão. A sua introdução na Bairrada, deu-se em consequência do oídio, uma doença fúngica que afeta uma grande variedade de plantas, sendo a Baga a casta resistente ao fungo. É uma casta polémica, pois é adorada por uns viticultores e odiada por outros. Ela possui enorme importância para a região da Bairrada (e do Dão) e ocupa 50% de toda a extensão de vinhedos da área. É uma uva produtiva, de maturação tardia, apresentando uma certa dificuldade no seu cultivo. Quando as uvas amadurecem bem, a casta revela toda a sua nobreza e mostra porque razão é uma das melhores castas portuguesas. Se colhida bem madura dá origem a vinhos concentrados de cor, com aromas de frutos, bem estruturados e muito tanino. Condições que lhe dá grande potencial de envelhecimento na garrafa.

 

Características

Cachos de tamanho médio, cónico e compacto. Seus Bagos são arredondados, tamanho médio de cor negro-azul com película de espessura média e polpa mole. Vigorosa e de elevada produtividade. É pouco sensível ao oídio, mas sensível à podridão, em certos anos. O cultivo da Baga é árduo e trabalhoso, demorando para que o amadurecimento ocorra. A fruta desenvolve-se melhor quando plantada em solos argilosos e necessita de uma excelente exposição ao sol durante o processo de cultivo.

 

Geografia e Clima

O nome “Bairrada” deriva de “barrentos”, uma associação à quantidade de barro encontrada no solo onde as vinhas são cultivadas. Os solos em geral são pobres, arenosos e argilosos. O clima é Mediterrâneo Atlântico, com invernos longos e muito frios e com verões quentes e secos. Existem zonas de plantio de áreas baixas, de meia encosta e serrana. As chuvas são bastante presentes, cerca de 1100 mm anuais.

 

Seus vinhos

Seus vinhos apresentam teores alcoólicos muito variáveis, dependendo das condições climáticas. Eles são ricos em taninos e oferecem grande complexidade, estrutura e classe. São vinhos interessantes, intensos e únicos. Tem um grande potencial de envelhecimento, suportando 10 anos ou mais. Um vinho monovarietal (varietal) desta casta pode apresentar caraterísticas aromáticas como frutos silvestres quando jovem e evoluindo para composições aromáticas mais complexas, com notas de tabaco, café, erva seca e ameixas secas. Ao longo do envelhecimento os vinhos ganham aromas mais complexos e profundos. No envelhecimento, surgem aromas de madeira mesmo em vinhos que nunca passaram por barricas. Além dos vinhos tranquilos tintos, a casta Baga faz espumantes muito interessantes. Dizem que para quem gosta de Nebbiolo de corpo médio ou Pinot Noir, tendem a gostar também dos vinhos com a casta Baga.  Na região da Bairrada têm excelentes produtores de vinhos com esta casta como Caves Aliança; Caves Primavera; Adega Cooperativa de Cantanhede; Adega Cooperativa da Mealhada; entre outros. Mas o produtor Luís Pato, é reconhecido como o maior expoente na produção de vinhos desta variedade e hoje seus vinhos são os que mais representam a região da Bairrada e a casta Baga.

 

Outros nomes

Conhecida também como Tinta da Bairrada, Tinta Poeirinha, Tinta Fina e Baga de Louro. 

 

Harmonização 

Embora os moradores da região da Bairrada harmonizem tradicionalmente os vinhos tintos da Baga com o leitão assado, é certo que qualquer outro alimento igualmente rico vai combinar bem, indo da barriga de porco, passando pela carne do pato chegando até às massas mais elaboradas e a costeleta suína. É a sua acidez que permite uma harmonização bem eclética e democrática: inclusive com alguns frutos do mar! Mas podemos combinar também com queijos de cabra tipo feta. E o espumante, podemos harmonizar com vegetais crus e a tradicional culinária asiática.

 

Dica de Vinho

 

Vinho: Pato Rebel 2017

Produtor: LUIS PATO

País: Portugal

Região: Bairrada

Safra: 2017

Tipo: Tinto

Uva: Baga (100%)

Volume: 750ml

Teor alcoólico: 12.5%

Temperatura de Serviço: 14 a 16ºC

Corpo: Médio

Tempo de guarda: de 5 até 10 anos

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