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Juba Maria

Juba Maria

Juba MariaJornalista formada pela UFRJ, mãe e poeta, trabalha como Assessora de Comunicação da Infraero. É uma das coordenadoras do projeto AMAi e dá palestras sobre Comunicação Não-Violenta.

06/10/2019 06h00Atualizado há 6 meses
Por: Redação

O delírio fascista

Domingo virou o dia nacional de renovar delírios. Este texto talvez não fuja à regra. Veja bem: atualmente, qualquer conteúdo para a internet que se valha tem instruções para serem seguidas. Uma delas é logo no primeiro parágrafo já utilizar a palavra-chave. Outra manda usar os negritos nas partes importantes para aprimorar a experiência do usuário. Há também um cem número de métodos à venda, de tantas técnicas quantas for permitido parcelar doze vezes no cartão de crédito. “Está tudo à venda”, esse é o deus do delírio. Já a realidade aponta: em 91,7% das cidades brasileiras não há delegacias de atendimento à mulher, conforme divulgou o IBGE na última semana.

 

Outro delírio é acreditar que uma boa campanha de combate à violência contra a mulher deve se ater em estimular a denúncia por parte da vítima. Dados lançados. Mãos lavadas. Ignora-se a realidade de modo esquizofrênico. Na verdade, eu deveria conversar mais a respeito com Valquécia Costa, que inventou o açúcar na alma, e com Sheila Belisario, que está renascendo das cinzas. Duas incansáveis companheiras na luta contra a violência contra a mulher. Somos Fênix. Mas todas precisamos de braço que abraça, comida que sustente e teto que segure as lágrimas do presente e do porvir. Só em segurança é possível arar a terra de qualquer alma. Parafraseando Galeano, que tal começarmos a exercitar o direito de amar?

 

São tantos os delírios: mas o delírio da polarização e da ridicularização da política compõe o pior dos cenários. O sujeito briga de forma tão agressiva ao mesmo tempo em que dá risadas das piadas mais grotescas sem dar-se conta da bipolaridade discursiva. Ou, nas palavras da psicóloga Marli Assis, não percebe estar diante de “uma tática de exercício de poder para perpetuar a ignorância ao político”. Pura estratégia de marketing.

 

Em Uberaba, diante do crescimento da violência contra a mulher, o prefeito Paulo Piau acaba de investir a secretária de educação, Silvana Elias, da mais importante missão: reunir esforços para coibir a violência contra a mulher. O desejo, ainda que tardio, veio em hora necessária. Precisamos todos enxergar a realidade que está para além dos nossos próprios esforços e delírios por uma Uberaba grande e desenvolvida. O dever de casa precisa ser feito antes da prova final. Que não sejamos como Bocage que, no seu delírio amoroso, gastou lágrimas e gemidos, deitando versos de incansável ciúme e vileza típica. Em vez disso, precisamos substituir todo delírio, rancor, grito, vilania, ciúme e ridículo por vida.

 

Vida que, nas as palavras do médico Jorge Bichuetti, “é alegria, troca, compreensão, tolerância, inclusão, vitalização, partilha… a vida é diversidade, transversalidade, solidariedade e comunhão”. Em vez de renovar queixumes e delírios, podemos fazer uso das técnicas de marketing para propagar a vida em oposição aos fascismos cotidianos. 

 

Falando nisso, hoje, 6/10, é dia de votar a escolha de conselheiros tutelares para a gestão 2020/2024. Dos 25 candidatos inscritos em Uberaba, que sejamos capazes de trazer renovação, vida e uma incansável luta em favor das nossas crianças e adolescentes. A eleição será realizada no Colégio Cenecista Dr. José Ferreira, das 8h às 17h. O voto é aberto à população e a posse será no dia 10 de janeiro de 2020. Que esse domingo seja dia de renovar esperanças.

 

Cartas

Recebo cartas de mulheres em situação de violência. Envie sua história. Unidas somos mais fortes.

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