Partido

Desafio do MDB será se manter longe das estruturas de governo

O novo comando da legenda é, na prática, um continuísmo do mesmo grupo

08/10/2019 06h00
Por: Redação
Deputado Baleia Rossi foi eleito presidente nacional do MDB; a nova direção executiva da legenda é formada apenas por políticos que nunca ocuparam postos na cúpula nacional da sigla - Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados
Deputado Baleia Rossi foi eleito presidente nacional do MDB; a nova direção executiva da legenda é formada apenas por políticos que nunca ocuparam postos na cúpula nacional da sigla - Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

Acostumado com décadas de governismo desde a redemocratização, o maior desafio do MDB será se manter longe das estruturas de poder do Executivo.

A mudança do comando da legenda, neste fim de semana, não representa necessariamente uma renovação, ou mesmo um momento de transição. O MDB elegeu neste domingo (6) o deputado federal e líder da legenda na Câmara dos Deputados, Baleia Rossi (SP), como presidente nacional do partido.

O novo comando da legenda é, na prática, um continuísmo do mesmo grupo que comanda a legenda desde os anos 80.

Apesar da troca de guarda geracional, os novos integrantes da cúpula partidária são herdeiros diretos dos antigos caciques da legenda.

O MDB se tornou um símbolo da redemocratização do Brasil e na sequência se tornou o maior partido do continente (nas eleições de 1986 elegeu quase todos os governadores do país com exceção do estado de Sergipe).

Mas ao longo dos anos, se tornou um partido adesista para sobreviver através das estruturas de poder. Tanto, que participou do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso e, depois, participou dos governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Há o reconhecimento interno de lideranças da legenda que esse carimbo de um “partido adesista” acabou influenciando no resultado das últimas eleições, onde o partido teve desempenho sofrível na campanha presidencial com a candidatura de Henrique Meirelles, além de ter reduzido de tamanho nas bancadas da Câmara e do Senado.

Essa autocrítica foi feita pelo novo presidente da legenda, o deputado Baleia Rossi (MDB-SP).

“Nosso partido foi conhecido como o partido da governabilidade. E nós pagamos o preço alto por isso. Hoje nós temos que escolher as nossas bandeiras, mas não precisamos de governo para sobreviver porque o MDB é muito maior que isso. É inegociável a defesa da democracia”, afirmou Baleia.

Sem integrar oficialmente o governo Jair Bolsonaro, apesar de ter integrantes do partido em alguns cargos como na liderança do governo no Senado e no Ministério da Cidadania, o MDB tem encontrado muita dificuldade de adaptação, longe do poder.

 

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