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Fiéis reverenciam hoje a padroeira do Brasil

Pároco conclama as pessoas a serem mais fraternas e a redescobrirem o amor

12/10/2019 06h00Atualizado há 4 dias
Por: Redação
Pároco da Paróquia Santa Maria Mãe da Igreja, padre Gilberto Carlos de Araújo, lembra que o povo precisa ter fé - Fotos: Jairo Chagas/ Paróquia de Santa Maria
Pároco da Paróquia Santa Maria Mãe da Igreja, padre Gilberto Carlos de Araújo, lembra que o povo precisa ter fé - Fotos: Jairo Chagas/ Paróquia de Santa Maria

 

Maria das Graças Salvador

Hoje é dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e o pároco da Paróquia Santa Maria Mãe da Igreja, padre Gilberto Carlos de Araújo fala da festa, da fé do povo brasileiro, da programação deste dia 12 e, sobretudo, conclama as pessoas a serem mais fraternas e a redescobrir o amor, a misericórdia, a esperança e, assim, Nossa Senhora vai ajudando a manter essa fé sempre presente na vida do povo brasileiro.

 

JORNAL DE UBERABA – Hoje é o encerramento da festa de Nossa Senhora da Aparecida. Tudo preparado?

Padre Gilberto Carlos de Araújo – Assim que começou a novena, eu comentei na igreja que a festa de Nossa Senhora da Aparecida começa no dia 13 de outubro, assim termina uma começa outra porque os preparativos iniciam já no outro dia. O que nós vamos fazer, que tema vamos escolher, que maneira vamos encontrar de reunir e confraternizar e louvar Nossa Senhora. Então no dia 13 de cada ano nós já começamos a festa do ano seguinte, mas a partir do mês de maio nós já sentamos, reunimos e preparamos os temas, os subtemas. Cada dia a gente reflete sobre alguma realidade do povo brasileiro especificamente, a realidade mundial. Este ano, por exemplo, nós escolhemos a água e a terra, dois elementos fundamentais na nossa vida. A terra mãe e a água irmã da nossa vida, e a gente escolheu para poder refletir junto com a imagem de Nossa Senhora, que é aquela que nos auxilia, aquela que nos ensina com seu jeito de vida, com sua escolha no segmento de Jesus. Ela nos ensina como é que o cristão deve se comportar diante de toda a realidade. No caso da nossa festa, como o cristão se comporta de forma comprometida com a terra, com a água. São duas realidades da nossa vida que estão sendo, e sempre foram, muito prejudicadas. Mas ultimamente a gente observa que tem crescido ainda mais o descaso, a indiferença com estas situações que vivemos no dia a dia.

 

JU – E a festa?

Padre Gilberto – Começamos a nossa festa no dia 27 de setembro. Fizemos uma missa de abertura, com o envio das pessoas que vão trabalhar, mas que já estavam trabalhando na verdade. Só que oficialmente. Foi uma missa bonita, bem participativa. Fizemos um agradecimento a Nossa Senhora, que é a companheira destes trabalhadores do dia a dia da Comunidade de Nossa Senhora da Aparecida. No sábado, tivemos a missa tradicional, que a gente chamava de sertaneja e eu prefiro chamar de missa dos sertanejos, porque nós lembramos deles, dos homens e mulheres que cuidam da terra, que derramam o seu suor, que machucam seu corpo em benefício deles, mas para que todos possam ter o seu alimento. E a gente louvou e agradeceu a Deus pela intercessão de Nossa Senhora por estes nossos irmãos e irmãs que vivem no campo. E este ano, além de nós lembrarmos do trabalho deles, nós lembramos das atitudes deles. A atitude de simplicidade, a atitude de espera, porque é sempre uma espera grande em Deus. Eles colocam a semente na terra e ficam aguardando que Deus possa trabalhar. Essa atitude nos ensina muito, que nós fazemos a mesma coisa e nem damos conta disso.

 

JU – E o sertanejo tem muita fé...

Padre Gilberto – Muita, muita fé. O símbolo maior desta fé é justamente esta espera da semente lançada no chão, depois ela vai brotar, não por força da pessoa, mas por força da própria graça de Deus, da natureza de Deus. Isso é um grande sinal de fé. Colocar-se inteiramente nas mãos de Deus, no plano Divino e deixar para que Deus possa enviar tudo. E fizemos este preparativo dias 27, 28 e 29 e no dia 3 de outubro nós iniciamos as novenas. Nove dias, alguns padres da cidade foram convidados a participar conosco com as suas comunidades. Cada dia nós refletimos uma realidade do povo, como as injustiças, a família, a juventude, a dignidade humana, a defesa da saúde, políticas públicas, cada dia nos vamos refletindo, sempre tendo como auxiliar a imagem de Nossa Senhora Aparecida, porque ela sempre nos auxilia. Mesmo que ela não tenha feito efetivamente, mas a atitude dela nos ensina como nos comportar diante desta realidade. Ainda estamos no meio das novenas [quarta-feira (9), quando foi concedida a entrevista]. Hoje é o sétimo dia da novena e quem celebra é o monsenhor Geraldo, que foi pároco da igreja e viu esta comunidade nascer. A comunidade tem um carinho e afeto muito grande por ele e hoje nós temos novena, quinta e sexta-feira também, com quermesse e no dia 12 uma intensa atividade. O nosso povo já fica esperando o dia 12. A partir da seis da manhã nós temos a abertura com a alvorada, fogos, a Banda do 4º Batalhão da Polícia Militar que vem abrilhantar e fazer a abertura. E a partir das seis e meia da manhã as missas, a cada hora e meia uma celebração, também com a presença de alguns padres da cidade. Às cinco e meia da tarde nós começamos o encerramento, porque o encerramento é só depois que nós terminamos a coroação. E este ano lembramos a questão da terra e das águas, queremos levar esta mensagem de que nós somos parte desta realidade, da obra da criação. Quando Deus criou tudo, Deus nos criou junto com todas as outras coisas. Então nós, a terra, a água, os animais, as plantas, todos fazemos parte da obra da criação. E a gente queria, neste ano, pedir a Nossa Senhora primeiro que Ela nos ajude e nos oriente no nosso testemunho cristão para com a água e a terra, e segundo, que nós tenhamos mais coragem de defender essas duas realidades vitais no nosso dia a dia.

 

JU – O senhor pode adiantar alguma coisa da coroação?

Padre Gilberto – Nós pensamos na coroação, primeiro trazer para a nossa realidade a composição da nação brasileira, das cinco regiões do Brasil, a formação do povo brasileiro, porque quando a gente fala em água e terra não se pode lembrar especificamente e tão somente da Amazônia, muito embora seja ela o grande sinal. Mas todo o povo brasileiro pisa o chão, necessita da terra, necessita da água e todos nós somos responsáveis por isso. Então nosso momento da coroação, de lembrar de Nossa Senhora desta realidade é trazer essa dinâmica para nossa celebração, lembrar do povo brasileiro, da formação do povo brasileiro e que todos nós somos responsáveis. E serão eles que vão colocar na cabeça de Nossa Senhora a coroa, dizendo que ela é a nossa grande companheira, ela é a rainha que nos ajuda e nos auxilia na defesa da terra e das águas.

 

JU – Teremos os fogos?

Padre Gilberto – Com certeza. De manhã vamos ter na alvorada, cinco e meia, seis horas e depois quando terminar a coroação. Assim que termina a coroação começam os fogos, muito embora algumas pessoas não gostem, mas é uma tradição e é um acontecimento rápido, dura poucos minutos.

 

JU – E são devotos que ajudam com os fogos?

Padre Gilberto – Sim, graças a Deus a festa de Nossa Senhora Aparecida, como outras festas, só é possível porque muitas pessoas se dispõem a trabalhar, a ajudar de diversas maneiras. Uns trabalham muito antes preparando a festa, outros durante a festa, uns trabalham nos bastidores, outros mais na frente, outro na Liturgia, outros na cozinha, outros no patrocínio, nas doações, mas cada pessoa que é devoto de Nossa Senhora tem uma colaboração a dar, seja ela qual for. Seja na oração, que é muito importante, para que também possamos lembrar que o momento da festa de Nossa Senhora Aparecida é um momento religioso, momento de nos confraternizarmos, de reunirmos, juntos fazemos um coro para levar nossos pedidos, nosso agradecimento a Nossa Senhora Aparecida. Mas são muitas pessoas que nos ajudam, incontáveis pessoas que nos ajudam a fazer com que esta festa possa ser bonita, como todos os anos é.

 

JU – Os temas das novenas de Nossa Senhora Aparecida sempre são mais fortes e voltados aos problemas do povo... 

Padre Gilberto – Quando nos reunimos para preparar a festa imaginamos, primeiro, como é a realidade do país, mais próximo de nós, a realidade de Uberaba, quais os principais desafios, os principais problemas, os conflitos e situações mais necessárias que a gente precise conversar. Mais que discutir é conversar, de forma fraterna, tocar nos outros, levantar a problemática para que a gente possa, como cristão, discutir a respeito disso. Então quando a gente fala a respeito, por exemplo, da juventude, sobre educação, violência, a questão do meio ambiente. Todas estas questões estão presentes no nosso dia a dia. Pode não estar tão próximo de mim hoje, mas já está próximo da minha casa, da minha família, dos meus conhecidos. Depois, olhando para o Brasil como uma dimensão tão grandiosa, o Brasil é imenso. Mas quando a gente pensa em brasileiro a gente reduz essa dimensão para a proximidade, para aquilo que está próximo de nós. Eu posso não estar sofrendo propriamente com a violência, mas tem alguém ligado a mim que esteja. Eu posso não passar fome, mas tem alguém passando. Eu posso ser hoje uma pessoa beneficiada pela educação, mas quantos brasileiros não são. Hoje nós olhamos nossa realidade de meio ambiente e pode dar a impressão de que está tudo bem, mas em algum canto do país nós observamos que não está. Nós temos certeza plena que a terra está sendo machucada, violentada. Nós temos olhado pela televisão, sempre vendo a necessidade de se cuidar da água, de se cuidar da terra. Nós observamos a violência na televisão todos os dias. Então são sempre temas ligados ao nosso cotidiano, que esteja mais próximo de nós ou mais distante um pouquinho da nossa realidade, especificamente, mas são temas que são inerentes ao nosso cotidiano. A Liturgia nos pede para pensar a respeito disto. É a festa da padroeira do Brasil é uma oportunidade para a gente discutir, refletir. Não é criar conflito com quem pensa desta maneira ou de outra, mas é levantar a questão para que cada um posso discutir e refletir e encontrarmos, juntos, caminhos para melhorar a situação. É sempre pensando na fraternidade que a gente constrói a ideia da festa de Nossa Senhora Aparecida. É sobretudo um momento fraterno.

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