Entrevista

“Estou muito satisfeito, muito feliz de não ter apoiado o atual prefeito”, diz Anderson

Ele conta que não ficará longe das eleições, pela longa experiência na vida política

13/10/2019 06h00
Por: Redação
Anderson Adauto, fala sobre as Eleições 2020 e afirma que não será candidato - Foto: Arquivo
Anderson Adauto, fala sobre as Eleições 2020 e afirma que não será candidato - Foto: Arquivo

 

Maria das Graças Salvador

Em entrevista ao JORNAL DE UBERARA, via whatsapp, o ex-prefeito de Uberaba, Anderson Adauto Pereira, fala sobre as Eleições 2020 e afirma que não será candidato. Mas conta que não ficará longe das eleições, pela longa experiência, de 26 anos, na vida política, sem contar que sempre é solicitado por aqueles que reconhecem seu trabalho. Ele já iniciou as articulações, de olho em 2020, “devagar”, conversando com vários segmentos políticos, partidários, comunitários da cidade. Promete que se aparecer um nome com perfil bom de gestão e cosmopolita irá apoiá-lo. Disse que já deu sua contribuição política, mas não descartou de tudo uma candidatura, possivelmente para deputado, dependendo de seu “apetite”. E disse ter consciência que fez um excelente governo, melhor que os dos ex-prefeitos Luiz Guaritá e Marcos Montes e do atual, Paulo Piau. 

 

Jornal de Uberaba – O senhor afirmou recentemente que não será candidato, mas que irá participar das Eleições 2020?

Anderson Adauto Pereira – É claro que eu vou participar das eleições de 2020, até porque eu fui deputado por 18 anos, o principal colégio eleitoral meu foi Uberaba, fui prefeito por oito anos. Tenho consciência que fiz um bom trabalho, que deixei um legado e Uberaba tem uma outra ala que é oposição ao atual governo. Então é natural que a gente sente e converse com essas outras pessoas. Eu estou realmente conversando com essas pessoas e a nossa intenção é montar uma frente de oposição. Agora, ser candidato, eu quero dizer para vocês que eu não penso em ser. Não é porque eu tenho receio de comparar meu governo com o governo do Guaritá [Luiz Guaritá Neto], do Marcos Montes e muito menos do Paulo Piau. Eu tenho consciência e sei que a maioria da população entende que o meu governo foi melhor do que destes todos. Eu não quero ser candidato de novo porque eu não vou dar conta de fazer um governo tão bom igual eu fiz no passado, nos oito anos que eu governei Uberaba. Então, porque que eu vou mexer com isso. E segundo, eu percebo que a sociedade está em busca de um nome novo. Houve realmente, com razão, uma negativa da política, uma posição muito violenta contra a classe política e as pessoas estão querendo o novo. Então, eu estou dentro. Se a gente encontrar um nome novo, eu apenas não apoio qualquer nome novo. Eu apoio um nome novo, mas que tenha um mínimo de experiência de vida, de gestão, que não seja provinciano, que seja uma pessoa mais cosmopolita, que conheça as coisas fora de Uberaba. Então, se nós encontramos um nome que tenha um perfil bom de gestão, de companheirismo, que não negue a política, que queira governar Uberaba, queira dar sua cota de sacrifício. Olha, se eu sentir que essa pessoa está preparada, eu vou ser o primeiro a ombrear com ela e apoiá-la. 

 

JU – Então o senhor já está fazendo estas articulações? 

Anderson Adauto – Eu estou fazendo, devagar. E eu acho que não é agora, mas está chegando a hora de a gente encontrar com as pessoas, conversar com as pessoas e com os vários segmentos políticos, partidários, comunitários da cidade. Alguém tem que estar na linha de frente disso. Eu pretendo dar a minha colaboração em função da experiência passada.

 

JU – Existe um grupo em Uberaba que está sendo comandado por alguém e reúne muitas pessoas, políticos, empresários. O senhor está envolvido neste grupo, é o coordenador? 

Anderson Adauto – Não! Não, eu acho que a política a gente faz com partidos. Primeiro, estou procurando aqueles partidos que eu sei que têm dirigentes e que sei vão estar presentes nas eleições do ano que vem. Estou conversando com eles numa linha ainda muito embrionária. Eu não faço parte desse outro grupo que você está dizendo.

 

JU  – Então, nada de bastidores?

Anderson Adauto – Eu acho que eu não preciso ficar nos bastidores, pelo seguinte. Eu acho que se eu for para a rua, eu não apanho não. É claro que nem Jesus Cristo agradou a todo mundo. Tem gente que não gosta de mim, do meu trabalho, mas a maioria gosta e eu acho que tenho condições, se a gente encontrar um bom nome, de ir para a rua com esse nome e ajudá-lo.

 

JU  – O senhor irá trabalhar apenas nas eleições em Uberaba ou vai articular as Eleições em outros municípios?

Anderson Adauto – Olha, depende. Prefeito eu não quero ser de novo, mais em 2022 pode ser que eu resolva disputar a eleição de deputado. Então vamos ver, conforme for o meu apetite no ano que vem para poder participar da política em 2022, eu terei que, naturalmente, trabalhar na região também. Vamos ver, não tenho ainda um posicionamento fechado sobre isso.

 

JU  – O senhor falou sobre nome novo. Parece que o eleitor quer renovação...

Anderson Adauto – Eu vejo assim, a eleição municipal não deveria ser carregada com uma tonalidade forte de carga ideológica, sabe. Muito menos isso, ser novo ou velho. Eu acho que nós temos que levar em conta a questão da capacidade. Nós temos que ter um prefeito que dê conta de fazer com que os macros problemas de Uberaba possam ser resolvido ou amenizados. Eu tenho uma postura muito clara nisso. É claro, alguém que possa vir e fazer isso com mais facilidade é alguém que tem mais experiência. Mas, e o novo. Se tiver um grupo, uma equipe boa, se for aberto à discussão. Uberaba tem muita gente experiente, que já participou de outras gestões que teria condições de ajudar. Você tem muitos grupos que participam do dia a dia da comunidade. E um nome novo, se ele tiver equipe, ele daria conta, também.  Eu não vejo nisso, se deve ser o novo ou o velho. Eu gostaria que Uberaba tivesse um bom prefeito, mas, eu percebo que a população não vê com este olhar que eu vejo. O pessoal vê de forma apaixonada. Então, a classe política está desmoralizada e eles [os eleitores] querem o novo.

 

JU  – Anderson, muito ainda se fala na sua situação jurídica. O senhor já solucionou todas as pendências?

Anderson Adauto – Olha tem um caso que cabe discussão. Meu advogado disse que cabe discussão. O resto, graças a Deus, está resolvido.

 

JU  – O que o senhor tem feito agora?

Anderson Adauto – Bem, eu dou as minhas consultorias. Dou consultorias para empresas do Triângulo Mineiro e eu trabalho com parceria público-privada em Minas Gerais, na Bahia e no Espírito Santo, principalmente. Um dos motivos porque eu moro em Belo Horizonte é exatamente para facilitar estes deslocamentos. E eu estou muito satisfeito com esta nova fase da minha vida, aonde eu estou na iniciativa privada e estou trabalhando para complementar a minha aposentadoria e poder curtir minha vida, com a minha menininha nova. Enfim, eu não tenho hoje tanta motivação como eu tinha no passado para trabalhar com política. Eu acho que já dei a minha colaboração. Foram 18 anos de mandato de deputado, mais oito de prefeito. São 26 anos ininterruptos. Eu acho que eu já dei minha colaboração.

 

JU  – Sua esposa, Ângela Mairink, será candidata?

Anderson Adauto – Não, a Ângela não vai ser candidata a nada. Ela foi candidata, a pedido meu, por duas vezes. Mais nunca passou pela cabeça dela, de projeto pessoal. Hoje, eu, ela e todo mundo aqui já acordamos que não tem a mínima condição de ela ser candidata a nada e nem em outro pleito futuro.

 

JU  – As Eleições 2020 serão com novas regras. Como o senhor vê estas mudanças?

Anderson Adauto – Eu não tenho ainda uma posição. Eu sinto e percebo que em cada eleição que passa você tem que ser mais cuidadoso com prestação de contas, com a parte legal, com transparência. Então, eu acho que essa parte jurídica passou a ter mais valor do que a parte política. Mas, são as regras do jogo e acho que quem aceitar a ser candidato tem que se submeter a estas regras, sem querer ‘não agora está ruim’. Se achar que está ruim, não entra. Mais eu vejo assim, a sociedade quer uma maior transparência e os candidatos têm a obrigação de proporcionar esta transparência

 

JU  – O senhor pode fazer uma avaliação dos governos municipal, estadual e federal?

Anderson Adauto – Olha, hoje mesmo eu estava pensando nisso. Como o Brasil não foi indicado para essa Organização Mundial do Comércio, de repente a gente chegou até a achar bom, porque o Bolsonaro [presidente Jair Bolsonaro] não levou essa, né. É muito ruim quando você tem um governo, que ele é tão provocativo, que ele mexe com tantas bandeiras que não deveria, que a gente passa em um determinado momento a torcer contra. Isso é muito ruim. A minha visão sobre o Governo Bolsonaro não é boa. Eu acho que ele não tem uma preocupação, ele não tem a preocupação que deveria ter com os grandes problemas do Brasil e dos brasileiros, como a economia, a geração de emprego, essa coisa toda. Eu não vejo preocupação nisso, ele é muito preocupado com a pauta de costumes, e esta pauta de costumes poderia até vir, inserida, mas, em primeiro lugar são aqueles assuntos que são realmente importantes para a população.

Com relação ao Governo do Estado, eu acho que o Zema [governador Romeu Zema] vai acertar, está acertando. Pegou o governo em uma situação muito ruim. Se houver essa renegociação de dívida, pode ser que as coisas melhorem. Eu tenho confiança no governo do Zema, porque vejo que é uma pessoa séria, está trabalhando dentro daquele quadro de dificuldades que ele tem.

Com relação ao governo municipal, eu estou longe. Eu prefiro que a população é que diga. Sabe, eu não vou entrar em polêmica não. O que eu posso dizer é que não apoiei o Paulo Piau e estou muito satisfeito, muito feliz de não ter apoiado o atual prefeito.

 

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