Saúde

“A maior parte dos cânceres de mama é descoberta pelas próprias mulheres”, alerta médica

Em Minas Gerais, a estimativa para 2019 é de 5.360 casos de câncer de mama

15/10/2019 06h00Atualizado há 2 meses
Por: Redação
A médica Marcela M. Maluf Sanguinete explica os sintomas que podem indicar possibilidade de câncer de mama
A médica Marcela M. Maluf Sanguinete explica os sintomas que podem indicar possibilidade de câncer de mama

 

Soraya Utsumi

Especial para o JU

O câncer de mama é um dos tipos de câncer que mais atinge mulheres no país. O número de casos incidentes estimados para 2019 no Brasil é de 59.700, segundo estudo publicado pelo Instituto Nacional do Câncer. Em Minas Gerais, a estimativa para 2019 é de 5.360 casos, número superior aos observados em estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e Sul, sendo a região Sudeste a que apresenta as maiores incidências.

De acordo com o estudo, condições individuais, ambientais e estilo de vida contribuem para a probabilidade de desenvolver câncer de mama. Entre os fatores de risco estão os hereditários, hormonais e reprodutivos, ingestão de bebida alcoólica, tabaco e sedentarismo. Somente 10% dos casos ocorre por fator hereditário, mas a ocorrência de casos de câncer de mama em primeiro grau na família dobra o risco de sua manifestação na geração subsequente.

A médica ginecologista,  Marcela M. Maluf Sanguinete, que possui especialização em Mastologia e mestrado em Oncologia Ginecológica pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), lembra que a postura atenta das mulheres em relação à saúde das mamas é fundamental para a detecção precoce da doença. “Todas as mulheres, independentemente da idade, devem ser estimuladas a conhecer seu corpo para saber o que é e o que não é normal em suas mamas. A maior parte dos cânceres de mama é descoberta pelas próprias mulheres”, afirma.  

Ela explica que a orientação é que a mulher realize a palpação e a observação das mamas sempre que se sentir confortável para tal (seja no banho, no momento da troca de roupa ou em outra situação do cotidiano), sem nenhuma recomendação de técnica específica, valorizando a descoberta casual de qualquer alteração mamária. 

 

Sinais e sintomas que podem ser sugestivos de câncer de mama

Nódulo (caroço) fixo e geralmente indolor: é a principal manifestação da doença, estando presente em cerca de 90% dos casos quando o câncer é percebido pela própria mulher; 

Mudança de tamanho/formato das mamas; 

Vermelhidão/coceira nas mamas/mamilos;  

Saída de secreção pelo mamilo;

Gânglios (“ínguas”) em axila ou próximo à clavícula; 

Alteração da pele da mama (mais grosseira, tipo casca de laranja); 

Inversão do mamilo

“É importante lembrar que as alterações mamárias descritas acima também podem ser benignas, ou seja, não corresponderem a um câncer. De toda forma, são sinais de alerta, e devem sempre ser investigadas por um médico”, afirma. Além disso, ela lembra que o câncer de mama e o câncer de colo de útero, em fases iniciais, geralmente são assintomáticos. 

“Recomenda-se o autoexame, porém, com cautela, pois, infelizmente, nem sempre o câncer de mama levará ao aparecimento de sinais em sua fase inicial. Portanto, para que o diagnóstico precoce seja possível, recomenda-se exame ginecológico uma vez ao ano e exames complementares de acordo com a indicação médica”.

O exame de mamografia também deve ser realizado de forma anual, a partir dos 40 anos. De acordo com Sanguinete, o rastreio deve ser iniciado mais cedo em mulheres com fatores de risco elevados. Em alguns casos, podem ser necessários outros exames, como ultrassonografia e ressonância.

Ela destaca a importância do movimento Outubro Rosa, que é uma campanha mundial de conscientização das mulheres e da sociedade sobre a relevância do diagnóstico precoce do câncer de mama e que, atualmente, aproveita-se o momento para estimular o cuidado integral com métodos de rastreio e prevenção do câncer de colo do útero; por exemplo, pela coleta do exame de “Papanicolau”. 

“Promover o conhecimento e estimular a atenção das mulheres em relação às suas mamas e a necessidade de investigação oportuna das alterações suspeitas pode possibilitar a detecção da doença em fases mais iniciais, aumentando assim a possibilidade de tratamentos menos agressivos, com taxas de sucesso satisfatórias e até mesmo a cura”, destaca. 

 

Tratamento

A perspectiva de cura prevaleceu no difícil tratamento enfrentado por Sabrina Gurgel Amaral Max, uberabense que faz parte do Doze Guerreiras, grupo de apoio a pacientes oncológicos. Quando descobriu o câncer de mama, ela estava com 33 anos de idade, sem histórico na família. Ela observou pelo toque um caroço bem grande do lado direito da mama direita e foi ao médico no dia 15 de janeiro de 2018. Fez os exames e descobriu o câncer de mama grau 4. Depois de alguns exames, descobriu ainda que era triplo negativo, um tipo mais raro de câncer que acomete mulheres mais novas. 

“Foram prescritas 8 quimioterapias, 4 quimioterapias brancas, 4 vermelhas; depois em outubro do ano passado eu fiz a mastectomia total da mama direita, com esvaziamento axilar e em janeiro eu fiz a rádio. Depois passei de janeiro até agora esperando o efeito da rádio passar porque eu teria que ir para a cirurgia de novo para fazer a reparadora da esquerda. Logo, a minha médica, devido às características do meu câncer, me aconselhou a fazer a mastectomia preventiva da mama esquerda, para não correr o risco de mais para frente ter uma recidiva da doença na mama. Mas graças a Deus, no exame mais importante depois do diagnóstico, o anatopatológico, do material que se tira depois do tratamento, a resposta foi a melhor possível, que deu negativo, inclusive da mastectomia da mama esquerda que realmente já era saudável, mas quer dizer que a doença não espalhou e nós estamos na luta agora porque dia 6 de setembro eu fiz uma cirurgia . Infelizmente eu tive uns probleminhas, deu uma infecção. Retirei. Agora estou sem uma prótese, vou esperar combater a infecção para depois colocar a prótese. O principal é o emocional, é você acreditar na cura. Principalmente para essa doença, porque o tratamento é longo, vão existir dias melhores, dias piores, mas sempre crendo na cura, essa é a receitinha mágica de toda a situação e entender que a gente que passa por uma doença dessa, saber que há dificuldades, vão ter dias bons e dias ruins. Mas depois do dia ruim é acordar, levantar a cabeça e ir para a luta novamente”. 

Sabrina durante o tratamento (esq.) e depois do tratamento (dir.).Ela teve os melhores resultados possíveis e terá acompanhamento por 10 anos. "O mais difícil é a quimioterapia, nos debilita muito, é visível a perda do cabelo, os efeitos colaterais...Mas tudo passa".

 

 

 

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