Entrevista

"Tenho posição bastante positiva a respeito do futuro", diz presidente da Fiemg

Ele disse que está muito otimista com o crescimento do país, em especial dom a queda da taxa de juros

20/10/2019 06h00
Por: Redação
Para o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, as pessoas que investem em renda fixa têm que procurar outras oportunidades - Foto: Divulgação
Para o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, as pessoas que investem em renda fixa têm que procurar outras oportunidades - Foto: Divulgação

 

Maria das Graças Salvador

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais – Sistema Fiemg, Flávio Roscoe Nogueira, tem afirmado que não existe milagre ou mágica em economia. Mas durante o lançamento da 7ª edição da Feira Multissetorial do Vale do Rio Grande (ExpoCigra Fiemg), realizado na noite da última quarta-feira (16) ele disse que está muito otimista com o crescimento do País, em especial dom a queda da taxa de juros, que irá possibilitar que recursos saiam dos bancos e caiam “na vida real”, em investimentos e empreendimentos. 

Também falou sobre a importância do Plano de Recuperação Fiscal do governo do Estado, que prevê mudanças, como ações estruturantes e que, ao final, devolverão ao estado condições para retomar os trilhos de crescimento econômico forte e sustentado, de avanços sociais em áreas fundamentais para a população. “São, igualmente, ações que propiciarão a retomada da produção e, com ela, a retomada da criação de empregos, imprescindível em um país com mais de 12 milhões de desempregados – parte expressiva deles em Minas Gerais.”

Em entrevista ao JORNAL DE UBERABA, Flávio Roscoe fala deste otimismo e de mudanças que devem ser realizadas. Ele tem afirmado que a população precisa entender a necessidade inarredável de medidas cruciais, como a privatização de empresas estatais e a reforma da Previdência no âmbito do Estado, similar à que foi aprovada pelos deputados federais e agora tramita no Senado. “Não são decisões simples, mas sabemos que os parlamentares mineiros estão preparados para conduzi-las. Confiamos que, ao votá-las, no plenário da Assembleia Legislativa, nossos 77 deputados estaduais saberão fazer, de forma madura, as escolhas certas para Minas Gerais.”

 

Jornal de Uberaba – O senhor disse que é uma pessoa otimista. Como acha que o País vai solucionar essa situação?

Flávio Roscoe Nogueira – O Brasil está passando por profundas transformações e uma delas é aquela da taxa básica de juros, que vai ter um efeito enorme na economia e que ainda não foi precificado. A queda da taxa básica ainda não gerou um impacto de toda a amplitude que pode ter. Quando o juro cai muito, o que vai acontecer é que as pessoas que investem em renda fixa têm que procurar outras oportunidades. Além disso, também, empresas e famílias vão perdendo a prática com a renda com juros e vamos ter renda liberada para investimento. Os dois fatores somados vão proporcionar que a economia tenha uma retomada relativamente mais rápida a partir de agora. Acredito que em 2020 vamos ter um crescimento superior a 2%. Além disso tem toda uma agenda de reformas estruturantes, tanto do governo federal quanto do governo estadual. Estas forças somadas, ainda com essa pequena taxa de juros, vão propiciar um crescimento mais acelerado e a melhoria dos ambientes, com a desburocratização no ambiente de negócio. Então vamos ter geração de emprego e renda e assim o círculo virtuoso vai entrar na economia. Acredito que teremos anos bastante positivos pela frente. Apenas precisamos que o Brasil faça as escolhas certas. Mas estamos bem confiantes tanto no Congresso Nacional quanto na Assembleia Legislativa de Minas. Essas escolhas serão feitas e, com isso, a economia terá uma outra dinâmica de crescimento, gerando as oportunidades para pessoas, incluindo milhares, senão milhões de pessoas no mercado de trabalho e com isso teremos um futuro mais virtuoso para o nosso país.

 

JU – E que escolhas certas são essas?

Flávio Roscoe – Geralmente são as escolhas difíceis de se fazer. O país precisa escolher e fazer as escolhas certas e difíceis. Vamos ter que enfrentar os privilégios, vamos ter que enfrentar o tamanho do Estado, vamos ter que enfrentar aqueles que entendem que o Estado é o pai e a mãe e não que ele é ator de seu crescimento. O cidadão, é o ator do seu desenvolvimento. As pessoas terão que ser protagonistas de suas ações e não ficar esperando que o Estado resolva seus problemas. Na verdade, o Estado é o conjunto dos recursos que a sociedade doa para que ele gerencie. Se ele for o tutor dessa sociedade, ele sempre vai querer mais recursos. E com isso ele vai minar o crescimento da própria sociedade, e este é um fato concreto. Esse Estado que tudo pode e que a todos acolhe, infelizmente entrou em falência. Agora, se a gente não fizer as escolhas certas, ou seja, promover o desenvolvimento através dos verdadeiros atores, que são os trabalhadores e os empreendedores, e não ficar esperando nada do Estado. Pelo contrário, desta maneira nós teremos um crescimento, com certeza com melhores ações.

 

JU – Mas as pessoas continuam falando em estagnação, até mesmo autoridades?

Flávio Roscoe – O que acontece é que nós estamos saindo de um círculo muito longo de recessão. A percepção de todos, muitas vezes, é calcada no presente. Agora, várias coisas já dão sinais de retomada econômica no Brasil e que o Brasil já voltou a crescer este ano. Acredito que com a estabilidade do fato político e também sendo feitas as reformas necessárias, teremos um ano vigoroso pela frente. De qualquer maneira, 2020 será um ano de crescimento muito maior do que deste ano. Mesmo que as reformas não venham, apenas com a queda de juros teremos a economia melhor, iremos colher frutos. Mas podemos colher frutos mais consistentes com as reformas estruturantes e pujantes e aí alongaremos este ciclo por vários anos. De qualquer maneira 2020 será um ano muito melhor que os outros anos pela quebra sistemática da taxa de juros e se fizermos as escolhas corretas teremos este efeito multiplicado ao longo dos próximos anos.

 

JU – E quais seriam essas reformas estruturantes?

Flávio Roscoe – A primeira é a reforma da Previdência, porque se não tiver vai ter falência de Estado, de qualquer maneira. Depois você tem todo um conjunto de reformas estruturantes, como foi a medida da Liberdade Econômica, que é fundamental. Mas temos que desburocratizar o Brasil. Nós não podemos mais penalizar os empreendedores, nós não podemos ter um Estado que desconfie do cidadão. Nós cidadãos é que temos que desconfiar do Estado e não ao contrário. A lógica do Brasil é inversa, você precisa de uma pessoa para testar que você é você mesmo, tem de ter alguém para retificar a sua assinatura, senão você não é você mesmo. Toda essa desconfiança do Estado, gera toda essa burocracia. E a burocracia emperra o desenvolvimento econômico e cria amarras para quem quer empreender e investir, penaliza, portanto, aqueles que estão apostando no futuro e beneficia quem? Os rentistas, aqueles que estão com dinheiro no banco. E agora, com a queda de juros vai fazer com que os rentistas tenham que fazer outras escolhas, que não seja só aplicar o dinheiro no banco, mesmo porque não está rendendo muito. Eles terão de procurar outras oportunidades, e com isso vai gerar emprego e renda. Esta é a minha posição bastante positiva a respeito do futuro, e ela está calcada em várias decisões, como eu falei para você.

 

JU – O senhor veio prestigiar a ExpoCigra. Qual é a importância deste evento para o senhor, enquanto presidente da Fiemg?

Flávio Roscoe – Eventos regionais possibilitam que a economia local possa mostrar para a sua população tudo aquilo que ela tem de bom e permitir a integração das cadeias produtivas daquela região. Eu acho que isso é muito positivo e beneficia a toda a região, não somente Uberaba, mas toda a região, e gera desenvolvimento local. Em vez de os empreendedores terem de expor em São Paulo, Belo Horizonte, expõem aqui em seu mercado e atraindo pessoas de fora para conhecer os seus produtos. 

 

JU – Esta é a sétima edição da ExpoCigra. Já veio em edições anteriores?

Flávio Roscoe – Já vim aqui outras vezes e cada vez que passa a exposição está ficando cada vez melhor e maior. Já vim aqui várias vezes.

 

JU – Qual que é a importância da Fiemg?

Flávio Roscoe – A Fiemg como entidade de classe tem um papel muito relevante, primeiro de mostrar um horizonte e de dar caminhos para o futuro. Tem o papel de contribuir para o Estado para a formação de opiniões do que acha que é melhor para Minas, o que é melhor para a sociedade. Além disso ela tem um papel muito grande na formação profissional e na formação da educação básica e na saúde e segurança do trabalhador, com programas em várias frentes. Então a Fiemg é uma entidade que tem vários propósitos e que vem contribuindo ao longo de sua história com o desenvolvimento do Estado, mesmo na atração de investimentos e na capacitação de projetos, na melhoria e implementação de leis e fazemos todo um trabalho tentando e visando o desenvolvimento de nosso Estado para a melhoria da sociedade.

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