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Vinhos & tal

Carlos Alberto Pereira

Carlos Alberto Pereira

Carlos Alberto PereiraEnófilo, Jornalista, Tecnólogo em Turismo e Hotelaria. Contato: [email protected] / 98412-6446

25/10/2019 06h00
Por: Redação

 

VINHO DO PORTO NO VERÃO

Aproveitando o clima quente e os preconceitos sobre o fato de beber, ou não, vinhos nestes tempos de sol escaldante, quero voltar a reafirmar que vinhos combinam com qualquer estação ou clima. Em outro artigo já falei dos vinhos tintos, lembram? O vinho de que falarei hoje é bem diferente, por ser bastante alcóolico e muito doce, o que em tese combinaria apenas, com climas frios e invernais. Mas não, com criatividade e sabedoria, ele combina perfeitamente com o Verão!  Vou falar do vinho do Porto e acho que todos por aqui já ouviram falar e já tiveram a oportunidade de degustar uma pequena taça um dia, não é verdade? 

Este líquido fortificado é provavelmente, o estilo de vinho português mais conhecido no mundo e responsável pelas maiores divisas do setor, pois o Vinho do Porto é um vinho único e excepcional. Ele é muito mais que um vinho, ele faz parte de uma herança cultural coletiva de trabalho e experiência, know-how e arte que foi construída e passada de geração em geração.

Sabemos que Portugal produz vinho há milhares de anos e esse ativo é um produto essencial para a economia portuguesa, sendo até hoje, um dos maiores embaixadores internacionais do nome e da cultura de Portugal. 

Claro que hoje, regiões como a do Vinho Verde (Minho), do Dão, do Alentejo e de tantas outras igualmente ricas e especiais, produzem vinhos que são conhecidos mundo afora, e que também, são responsáveis pela fama vitivinícola de Portugal

Assim sendo, vamos conhecer um pouco sobre o Vinho do Porto, sua origem, seus estilos e como melhor aproveitar tudo que ele oferece, especialmente nos meses da primavera /verão, onde temos um clima tropical mais acentuado e intenso. Por isso, passarei umas receitas de coquetéis e drinks feitos com o Vinho do Porto que são super refrescantes.  

 

A Origem

Portugal já é um expert em produção de vinhos há milhares de anos e a região do Douro é a área produtiva considerada a primeira denominação de Origem Demarcada para produção de vinhos existente no mundo, uma iniciativa do então Marques de Pombal. Embora o vinho leve o nome da cidade do Porto, ele é produzido na verdade, na região do Douro, no alto ou às margens do rio de mesmo nome, que nasce na Espanha e deságua no oceano atlântico.

Desde sempre, a região já produzia vinhos, mas o crescimento das exportações se deve, em parte, a um período de grande rivalidade entre os impérios marítimos do Norte, quando espanhóis e ingleses, em detrimento dos vinhos da França, aumentaram sua demanda por vinhos ibéricos, no final do século XVII. A Inglaterra, em especial, aumentou significativamente sua quantidade de importações de vinho do Porto, comercializando-a em troca de bacalhau.

 

O nome “ Vinho do Porto”

Com o aumento do interesse dos ingleses pelos vinhos portugueses, e em especial desta região, os comerciantes tinham que enfrentar um grande desafio logístico: as vinhas eram encontradas a uma distância considerável da região de Viana do Castelo, onde ficava o centro comercial dos comerciantes ingleses. A solução então, era aproveitar o rio Douro para levar o vinho até o Porto, que também é banhado pelo Oceano Atlântico. Uma vez lá, o vinho era transferido para navios que viajavam para a Inglaterra. Então, a essa altura, o nome veio naturalmente, e ficou conhecido como “vinho do Porto” ou “Porto”, como é conhecido hoje.

 

A conservação do vinho

O Vinho do Porto foi originado pela necessidade de preservar o vinho da longa jornada do Vale do Douro ao Porto e depois à Inglaterra. Assim sendo, começou a ser fortificado com a adição de conhaque, que desta forma resistiria bem ao longo período de viagem. Mas hoje o processo de fortificação do Porto é totalmente diferente, pois o vinho é fortificado durante a fermentação e não após o envelhecimento e com a aguardente vínica, cujo teor alcóolico pode passar dos 22º.

 

As Castas

Embora mais de 80 castas (vermelhas e brancas) possam ser usadas na produção do Porto, apenas 30 são recomendadas. Uma seleção de 5 principais tipos de uva tinta, geralmente consideradas as melhores para os vinhos do Porto são: Touriga Nacional, Tinto Cão, Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Franc.

 

Tipos de Vinho do Porto

Ruby, o Tawny e o Branco são os três tipos tradicionais de vinho do Porto. Os vinhos Ruby e Tawny são tintos e representam a maior parte das vendas de vinho do Porto.

Ruby: É um vinho mais encorpado e tem esse nome devido a sua cor vermelha escura, rubi. É envelhecido em balseiros de dois a três anos.

Tawny:  também é tinto e é feito com o mesmo tipo de uva do Ruby. Sua diferença está no envelhecimento. Primeiro, vai para os balseiros onde fica de dois a três anos. Depois, vai para tonéis menores de 550 litros. Com um maior contato com a madeira e com o ar a oxidação e o envelhecimento evoluem mais rápidos, onde ele adquire mais aroma e a cor da madeira, deixando seu vermelho mais claro.

Branco: é feito a partir de uvas brancas e envelhecido de dois a três anos. Entrega uma doçura variável, que vai dos muito doce chamada “lágrima”, passando pelos doces, meios secos e secos. 

 

Categorias especiais de Vinho do Porto

Feitos com uvas de diferentes safras os vinhos Ruby e o Tawny envelhecem em média três anos. Os que envelhecem por mais tempo ou que foram feitos com uvas de melhor qualidade são considerados de categorias especiais e, por isso, mais caros! 

Tawny envelhecido: esse é o mesmo tipo de vinho Tawny, feito a partir de várias safras. Seu diferencial é que ele fica envelhecendo nos tonéis por mais tempo, de 10 a 40 anos.

Reserva: é feito a partir de uvas de melhor qualidade. Pode ser branco ou tinto. Ele envelhece de quatro a seis anos nos balseiros. Porém, assim como os vinhos comuns, não envelhecem dentro da garrafa.

LBV (Late Bottled Vintage): são vinhos que vem de uma mesma safra de uva, considerada especial. Envelhecem de quatro a seis anos dentro dos balseiros e depois de engarrafados continuam a sua evolução.

Vintage: é considerado o melhor tipo de vinho do Porto! Só são considerados vintages os vinhos feitos a partir das safras excepcionais. Eles possuem aromas florais e frutados, cor intensa e taninos marcantes. O vintage envelhece apenas dois anos nos balseiros e é engarrafado. Entretanto, ele mantém o envelhecimento na garrafa.

Porto Rosé: ele é em tudo semelhante à produção de um Ruby, mas com um toque de imaginação à mistura. É proveniente de uvas tintas das tradicionais castas de Vinho do Porto. A sua tonalidade cor-de-rosa, consegue-se através de uma ligeira extração de cor. Ou seja, ela é obtida através de maceração pouco intensa das uvas. Após a produção, evolui em cubas de aço inoxidável de modo a manter a sua frescura original e evitar uma oxidação demasiado intensa. O seu sabor é deliciosamente frutado – sem o ser em demasia –, muito sedoso e de textura fina e suave. É um Porto light, fresco, suave, versátil. Com teor alcoólico elevado. Serve-se bem fresco, a uma temperatura entre os 6.º e os -7.º, num copo alto, com muito gelo. Este vinho ainda não é muito bem visto pelos conservadores do Vinho do Porto, mas é reconhecido oficialmente pela legislação pertinente. O certo é que faz parte da evolução e da modernidade alcançada pelos produtores, cujo objetivo é o de conquistar novos nichos de mercado.

 

Como servir

Quanto a temperaturas, os Portos Branco e Rosé são ótimos servidos frescos, por volta dos 10ºC os brancos e 6º à 7º os rosés. Os Tawny tradicionais, recomenda-se servir ligeiramente refrescados, à volta dos 13ºC. Os Ruby’s devem ser consumidos por volta dos 17ºC.

 

Receitas de Coquetéis e Drinks

Azulera

Ingredientes

5 ml de Porto Branco

5 ml de néctar de pera

1 ml de xarope de caramelo

Modo de Preparo

 Em uma coqueteleira cheia até meio com cubos de gelo, junte todos os ingredientes.

 

Sweet Pink

Ingredientes

5 ml de Rosé

5 ml de suco de goiaba

1 ml de creme de framboesa

Modo de Preparo

Em uma coqueteleira encha até ao meio, cubos de gelo e misture todos os ingredientes.

Agite, filtre e sirva de imediato.

 

Pink Mojito

Ingredientes

5 ml de Porto Rosé

10 ml de água com gás

6 a 8 folhas de hortelã

1/2 lima

2 colheres pequenas (café) de açúcar mascavo

Modo de Preparo

Em uma coqueteleira, coloque 5 folhas de menta, 1/2 lima e o açúcar mascavo. Macere bem.

Acrescente o gelo picado, o vinho do Porto, a água com gás e misture bem.

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