Entrevista

“Deveriam conhecer uma instituição asilar”, diz presidente Edna Idaló

A presidente do Asilo Santo Antônio, Edna Idaló, aponta perspectivas

03/11/2019 06h00
Por: Redação
Presidente do Asilo Santo Antônio, Edna Idaló, diz estar confiante em uma solução pra resolver a interdição parcial da instituição - Foto: Marise Romano
Presidente do Asilo Santo Antônio, Edna Idaló, diz estar confiante em uma solução pra resolver a interdição parcial da instituição - Foto: Marise Romano

 

Maria das Graças Salvador

A presidente do Asilo Santo Antônio, Edna Idaló, que foi interditado parcialmente pela Vigilância Sanitária no mês passado, fala sobre as perspectivas que tem para solucionar a questão, e diz que conta com o bom senso das autoridades para que a casa, que tem 107 anos de tratamento exemplar oferecido a idosos, consiga se adequar às exigências e continue a ser referência no município e região.

 

Jornal de Uberaba – Como está a situação do Asilo Santo Antônio?

Edna Idaló – Parece que nós estamos mais tranquilos. A situação já chegou ao conhecimento do poder público municipal e eles estão nos procurando e queremos entendimento com todos eles. Nós queremos que haja uma solução definitiva pelo que nós estamos passando. Nunca tínhamos vivenciado uma situação desta, uma instituição de 107 anos, referência na cidade, mas que, infelizmente, fomos pegos de surpresa e agora e saber contornar esta situação com bom senso.

 

JU – E como você acha que esta situação vai ser contornada?

Edna Idaló – A princípio, eu fiz uma sugestão, através de ofício, para a Vigilância Sanitária, onde nós reunimos a diretoria e mostramos que, no máximo, poderíamos estar contratando mais dois cuidadores. A resposta veio negativa de que dois cuidadores eles não aceitariam. Portanto, ainda está em suspenso esse tema de contratação Em seguida, fizemos um novo pedido para a Vigilância Sanitária, para que fosse prorrogado pelo prazo de 90 dias as novas adaptações, o que nós tivéssemos que fazer. E mais uma vez nos foi negado e o prazo máximo ficou até 29 de novembro.

 

JU – E dá tempo para solucionar?

Edna Idaló – Não, não. Não dá tempo, pode ser que nas reformas que não são tantas coisas. O que nós temos que consertar é um vidro quebrado, pequenos reparos isso aí tudo bem. Mas o que pega, realmente, é a contratação do pessoal.

 

JU – Na reunião com os familiares, na quinta-feira, eles sugeriram dividir o valor desta contratação. Isso pode dar certo?

Edna Idaló – Precisaria ser muito bem pensado. No início nós vamos ter que recorrer ao nosso jurídico, temos dois advogados na nossa diretoria que nos dão toda a assistência. No início, se formular um contrato muito bem feito, poderia até fazer isso por cinco ou seis meses para este comprometimento. Depois a gente não garante, por isso que nós vamos ter que fazer tudo muito bem feito, muito bem pensado, e esses trinta dias talvez não sejam suficientes.

JU – Porque acredita que não garante?

Edna Idaló – É porque geralmente vem situações, como o familiar poder perder o emprego, pode haver mais de uma doença em casa, nós temos que pensar nisso tudo. Nós trabalhamos com classe de pessoas muito necessitadas, então sempre é um imprevisto. Na minha casa tem imprevisto, na sua casa tem imprevisto, nas casas de todos nós temos imprevistos. Uma hora nosso orçamento dá para controlar, uma hora está acima do teto, outra hora está muito abaixo. Então nós precisamos ter muito cuidado com isso.

 

JU – Aqui tem internos que não contribuem?

Edna Idaló – Nós temos uma que mora aqui conosco há 10 anos. Não tinha idade quando veio e nunca tinha contribuído. Mas os papéis estão arrumados e eu acho que agora, neste ano, daria já para ela estar se aposentando pelas novas regras.

 

JU – Foi marcado um encontro com o prefeito. Você tem alguma expectativa?

Edna Idaló – Recebi o telefonema do vereador Rubério Santos, que esteve na nossa reunião. Ele esclareceu alguns pontos, coisas que nós também já sabemos, que é uma lei federal, uma lei da Anvisa, que determina que para tantos tipos de cadeirantes, nós temos que ter tantos cuidadores, para todos os tipos de acamado, tantos cuidadores. Então é uma lei federal e eu não sei no âmbito municipal o que poderia estar sendo feito, mas eu acho que com bom senso, com conhecimento de causa, isso pode se resolver. Sabendo que aqui não é um hospital, que nós não temos aquele trabalho de hospital a noite toda, de ficar trocando e administrando medicamentos, dando soro e todo procedimento que é feito em hospital a noite, aqui, nós não temos necessidade disso. Vez ou outra acontece alguma intercorrência, mas nós temos convênio com plano particular muito bom, que nos socorre 24 horas por dia, inclusive dando cobertura até para pessoas que vêm aqui visitar e para os funcionários. Então, nós estamos muito bem assistidos com este plano de saúde. No momento que acontece alguma intercorrência, eles chegam, já detectam o que está acontecendo, entramos em contato com a família, vem a assistente social, que mora aqui bem pertinho. Nós damos toda a assistência possível. Então acho que as pessoas precisam se sensibilizar, passar uma noite aqui e ver o que é o funcionamento de uma instituição asilar a noite, antes de provocar este tumulto, em querer contratar seis cuidadores. Até fui criticada por, talvez, eu não estar sabendo coordenar o serviço dessas pessoas. Sim, eu sei muito bem, eu estou aqui à frente desta instituição há muito tempo, acompanho tudo o que se passa aqui e eu acho que nós não temos problemas. A função da Vigilância era ter chegado aqui pedido os prontuários, como havia quase três anos que eles não vinham aqui, que procurasse saber se nesses três anos o que houve de errado aqui dentro, se houve mortes, se houve descaso, se houve falta de comida, se houve desnutrição ou maus tratos, sujeira, como está a limpeza. Eu gostaria, sim, que fosse explicar essa parte, porque empregar os seis cuidadores para noite, sabendo que quem está aqui dentro, que vivencia a realidade de uma instituição asilar à noite. Não há necessidade de seis cuidadores. Talvez dois já seja muito e três já são suficientes. 

 

JU – São quantos cadeirantes e acamados?

Edna Idaló – Nós temos atualmente quatro acamados, uns 18 cadeirantes e o restante são semidependentes e alguns muito bons. Nós temos pessoas muito boas, porque o número que nós contamos aqui e que sempre levamos para passear, que saem sozinhos, andando, geralmente são em número de 15 pessoas independentes. 

 

JU – Qual é o custo do asilo mensalmente?

Edna Idaló – É de R$ 100 mil por mês. R$ 58 mil vêm dos benefícios dos idosos, do INSS. Recebemos, via prefeitura R$ 14 mil, que são as vagas sociais, porque nós temos o direito a ter 14 vagas sociais e para cada idoso o repasse é de R$ 1.000 mil. O restante é conseguido por eventos, são do nosso trabalho realizado todo mês, fazendo atividades, recreações. Temos o nosso bazar permanente, o bazar das bordadeiras, fazemos eventos festivos. Fizemos pizza este ano e já estamos lançando uma rifa para o final de ano. Então, o nosso trabalho aqui é muito desgastante, muito difícil, mas gratificante. 

 

JU – E fecha a conta?

Edna Idaló – Sim, graças a Deus e a Santo Antônio.

 

JU – Existe a possibilidade de interdição total?

Edna Idaló – Sim, dependendo da reação por parte da Secretaria de Saúde, da Vigilância Sanitária e do próprio poder público, porque nós estamos abertos para buscar solução. Recebemos o telefonema do prefeito Paulo Piau, que está muito preocupado com a situação. Está é uma casa conceituada, é uma casa que nunca deu um problema para a cidade, é um centro de referência para todos nós. Eu acho que nós vamos chegar a um denominador comum, se Deus quiser e Santo Antônio, que está aí olhando por nós, nos abençoando. Vamos encontrar uma saída.

 

JU – O repasse da prefeitura está em dia?

Edna Idaló – No passado foi um ano difícil, desde 2017 quando houve aquela crise no país e foram cortados os repasses. Depois vieram pagos de forma gradativa. Cortou a verba do ano passado todo e houve um atraso muito grande, que veio a ser quitado agora no começo de janeiro de 2018. Este ano nós fomos chamados no Gabinete do prefeito para a assinatura do convênio dos repasses mensais, que deveria ter começado em janeiro e eles começaram a ser pagos em agosto. Então, nós recebemos até agora três parcelas no valor de R$ 14.000 cada.

 

JU – E o repasse do retroativo, que não foi depositado?

Edna Idaló – Não, não existe o retroativo, porque ele pode ser prorrogado para o ano de 2020, então vai ser pago em 2020. Quando terminar esses 12 meses, aí renovaremos novamente o convênio, caso consigamos o alvará sanitário da Vigilância Sanitária. Pelo marco regulatório, agora nós só podemos estar recebendo repasse e emendas se nós tivermos o alvará da Vigilância Sanitária. Daí a nossa preocupação. 

 

JU – O asilo vai receber uma verba de emenda do ex-deputado Tony Carlos?

Edna Idaló – O Tony Carlos sempre foi amigo da Casa e agora a emenda dele vai ser executada. É uma verba no valor de R$ 200 mil. Pena que é uma verba carimbada e somente podemos utilizá-la no que foi determinado. Deste valor, R$ 35 mil é para comprar produtos de informática, R$ 40 mil para comprar imóveis. São coisas assim, que talvez nós não estivéssemos precisando e para não perder a verba vamos comprar. Por exemplo, todas as máquinas da lavanderia estão boas, mas vamos ter que comprar duas, sem necessidade. Mas está ótimo, vai ajudar muito. Vamos comprar muito material para utensílios domésticos, roupas de cama, que estamos precisando. A verba veio em boa hora. Temos de agradecer e temos eterna gratidão ao nosso querido e eterno deputado Tony Carlos.

 

JU – O que vai ser da instituição?

Edna Idaló – Eu sempre brinquei, gente, meu tempo aqui já terminou, já estou passando da hora de entregar, mas acredito que fui chamada para esta missão. Não sei até que dia. Eu falo que talvez na outra encarnação eu devo ter tido muito pecado, porque hoje eu sou uma pessoa aposentada, eu poderia estar descansando, fazendo os meus afazeres ou tendo outro tipo de atividade no voluntariado que não fosse uma carga tão pesada, como essa aqui. Mas quis Deus e Santo Antônio que eu entrasse nesta casa e aqui nesta casa eu me realizei. Sou feliz, atravessei crises muito profundas na minha família, com doenças, com tudo, e aqui dentro com os próprios idosos que me deram colo. Eu tive a oportunidade de superar todos os momentos difíceis que eu passei da minha vida. É uma lição de aprendizado, recebo muito mais do que doo. Talvez eu até precisasse doar mais.

 

JU – Você quer fazer mais alguma colocação?

Edna Idaló – Não, acho que deveríamos agir com bom senso. O prefeito é uma de bom diálogo e talvez tenha se inteirado da situação e também não pode fugir da lei. Mas lei é uma coisa. O prefeito é uma pessoa pública, trabalha com leis e sabe que não é por aí. Tem muitas coisas que são leis, que precisam ser cumpridas, mas as vezes fogem da nossa alçada. Muitas vezes criticava meus antecessores na escola dizendo, poderiam fazer, quando assumi a direção da escola vi que a gente esbarra em uma série de coisas que não se pode fazer. Além do mais, tem a falta de recursos financeiros. Uma das coisas principais de não se poder fazer é a falta de dinheiro. Numa escola você tem de tirar dinheiro para comprar material para as crianças, não sei como está hoje. Sempre estamos esbarrando no problema financeiro, onde aqui não temos condições de fazer estas contratações e tenho certeza que não há necessidade.

Convidamos as pessoas para vir aqui conhecer nosso trabalho. Estamos vendo a reação das pessoas pelo Facebook, nas redes sociais, nas matérias que estão sendo divulgadas.  Quando as pessoas querem falar mal elas falam e quando têm de elogiar elogiam. E só estamos vendo e lendo elogios para esta instituição. A casa está aberta de segunda a sexta das 13h às 16h e aos sábados e domingos das 13 horas às 17 horas. Venham fazer uma visita quem não conhece venha conhecer o trabalho que estamos fazendo. Agora, por exemplo, estamos preparando uma festinha do Halloween para comemorar os aniversariantes do mês. Sempre levamos os idosos para passearem, outro dia levamos a um restaurante, foram ao cinema, tudo através de parceiros. Procuramos na medida do possível e que as pessoas vão nos ajudando, dar uma condição de vida melhor do a que poderiam ter em casa. Quem não pode ir, fazemos comemorações e eventos aqui. Praticamente todos os dias eles estão tendo algum evento, jogos e recreação que no dia a dia fazemos para dar uma vida digna a todos, poderia estar fazendo mais, mas infelizmente não fazemos mais porque o custo é alto.

 

Nenhumcomentário
500 caracteres restantes.
Seu nome
Cidade e estado
E-mail
Comentar
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.
Mostrar mais comentários
Ele1 - Criar site de notícias